sábado, 26 de dezembro de 2015

Eles já não pagam o pato e querem cobrar de você: Brasil não taxa dividendos e cobra menos imposto sobre propriedade ou herança que outros países

Eles já não pagam o pato e querem cobrar de você: Brasil não taxa dividendos e cobra menos imposto sobre propriedade ou herança que outros países

publicado em 26 de dezembro de 2015 às 00:36 - Tijolaço
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18/12/2015 09:35 
No Brasil, ricos pagam pouco imposto e convencem os patos
Uma das discussões atuais é sobre o tamanho do Estado, seus papéis e quem o financia. Em comparação com outros países, no Brasil os impostos incidem muito mais sobre consumo e salário do que sobre renda e patrimônio, o que dificulta cumprir os direitos sociais definidos na Constituição de 1988
A cobrança de tributos conforma um relevante aspecto da relação do Estado com a sociedade. Ao longo da história, os papéis do Estado foram alterando, absorvendo cada vez mais funções sociais como saúde, educação, previdência, assistência social, políticas de moradia, para além das básicas como segurança, defesa territorial e mediação de conflitos.
Tais transformações não ocorreram por acaso e tampouco espontaneamente. O processo de acumulação extremamente desigual e a oligopolização da economia constituíram o caldo de cultura para que o sindicalismo e os partidos operários e trabalhistas reivindicassem direitos sociais e distribuição da riqueza por meio de ação do Estado. Isso se deu, sobretudo, após a crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.
As políticas econômicas keynesianas, o aparelho estatal de oferta de bens e serviços e o sistema de bem-estar social do período 1945-1980 foram identificados, na crítica neoliberal, como elementos que traziam pesado ônus à situação financeira dos Estados.
Após 1980, essa “nova” sistematização de ideias foi implementada. Os resultados de tais políticas consistiram em fragilização dos sindicatos, ampliação das desigualdades, perda de direitos, descompasso entre variação salarial e produtividade do trabalho e ampliação significativa da participação do 1% mais rico na renda. Piketty (2014) quantificou essa concentração.
Presentemente, a disputa de ideias se dá, em grande medida, em relação ao “tamanho” do Estado, seus papéis e quem o financia.
No Brasil, em 2013, 51,3% dos impostos recolhidos nas três esferas de governo tiveram origem no consumo de bens e serviços, 25,0% na folha de salário, 18,1% na renda, 3,9% na propriedade e 1,7% em demais impostos (1).
Quando é efetuada uma comparação com outros países, se observa que na Dinamarca e nos Estados Unidos, por exemplo, metade da arrecadação está centrada em impostos sobre a renda e lucros (gráfico 1).
No que tange à América Latina, os países que mais tributam renda e lucros são: Peru, Chile e Colômbia, representando, respectivamente, 39,9%; 35,8% e 33,5% da arrecadação.
Os impostos sobre patrimônio também são mais baixos no Brasil. Eles alcançaram 3,9% da carga tributária em 2013. Já no Reino Unido, na Colômbia e na Argentina os impostos sobre patrimônio representaram, respectivamente, 12,3%; 10,6% e 9,2% da carga total.
O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) representam, respectivamente, 1,7%, 1,4%, 0,6% e 0,2% da arrecadação brasileira.
A participação do Imposto Territorial Rural (ITR) é de 0,04%do total. Não passa despercebido que o Brasil é um país extenso, conformado por vastas áreas rurais.
O Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) representou 2,7% do produto brasileiro em 2013. Nos países que integram a OCDE, esse valor corresponde a 8,5%, em média. Mesmo ao se comparar com países com níveis de renda semelhante, observa-se que no Brasil a relação é inferior. Na Turquia, por exemplo, é 13,5% e no México 13,6%.
Quanto às alíquotas marginais brasileiras, tanto a mínima, quanto a máxima estão entre as mais baixas. Desde 1998, a alíquota máxima, no Brasil, é de 27,5%. Já na Alemanha é de 45%, na Turquia é de 35% e no México é de 30%.
Além de alíquotas relativamente menores, no Brasil, é possível deduzir do imposto de renda as contribuições à previdência, despesas médicas, dispêndio com dependentes, pensão alimentícia, entre outros. Em 2013, as deduções foram de R$ 295,1 bilhões, 17,4% da arrecadação e 6,1% do produto.
Os 71.440 brasileiros mais ricos declaram deduções na ordem de R$ 100,1 milhões com dependentes, R$ 82,5 milhões com instrução e R$ 804,2 milhões em despesas médicas. No total, os abatimentos representaram uma média de R$ 13,8 mil por indivíduo.
Desses mais ricos, 51.419 são os recebedores de lucros e declararam um patrimônio total de R$ 1,1 trilhão. Dessa maneira, a renda média individual anual é de R$ 4,5 milhões e a média patrimonial é de R$ 20,8 milhões por pessoa.
Os rendimentos isentos e não tributáveis somaram R$ 632,2 bilhões em 2013. Os 71.440 mais ricos obtiveram R$ 297,9 bilhões, dos quais R$ 196,0 bilhões estão isentos, 65,8% do total.
O valor mais significativo dessa categoria provém dos lucros e dividendos distribuídos ao declarante e/ou dependentes. O total foi de R$ 231,3 bilhões. Cumpre frisar que no ano de 1995 a Lei nº 9.249 isentou a tributação sobre os dividendos.
Dentre o grupo de 34 países que integram a OCDE, apenas a Estônia aplica o modelo de isenção sobre os dividendos. No Reino Unido, a alíquota é de 36,1%; no Chile, 25%; nos Estados Unidos, 21,2%; e, na Turquia, 17,5%. O México passou a tributar em 17,1% os dividendos em 2014.
Ao se efetuar comparações das alíquotas do imposto sobre herança e doação, observa-se que o desalinhamento persiste sob o aspecto de justiça fiscal. A alíquota no Reino Unido é de 40%. Em outros países, ela é variável: nos Estados Unidos, a média é de 29%; no Chile, 13%. No Brasil a cobrança de ITCMD varia de acordo com cada estado. A alíquota média é 3,9%, porém, elas variam entre 1% e 8%, com faixas díspares.
Países como Argentina, Colômbia, França, Índia, Noruega, Suécia e Uruguai adotam o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), com alíquotas que estão entre 0,4% a 4,8%. O Brasil não cobra esse imposto.
Os direitos sociais no Brasil foram aprimorados na Constituição de 1988. Eles exigiram maior tributação. Assim como a Constituição, a configuração tributária brasileira não foi gerada espontaneamente. Ela representa interesses e o poder de segmentos da sociedade. Mesmo que haja uma constante tentativa de convencimento de que os ricos e os grandes empresários “pagam o pato”, ao se comparar os dados com outros países, observa-se o contrário. Os ricos no Brasil nunca pagaram o pato. Eles apenas convencem os patos que pagam.
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Notas
(1) Impostos indiretos são regressivos, pois sua incidência não têm como referência a renda, apenas o consumo. Não diferencia, portanto, os diferentes níveis de poder aquisitivo. A maior participação deste tipo de tributo vai de encontro ao princípio de equidade.
Referências
PIKETTY, T. Capital in the twenty-first century.Londres: The Belknap press of Harvard University press, 2014.
Leia também:

Ao pobres, nem caridade. Que dirá justiça - Fernando Brito para Tijolaço

Ao pobres, nem caridade. Que dirá justiça

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Um sorvete. Nada mais que um sorvete.
Bastou. Os pobres, os negros, são moscas.
Devem ser espantados para longe, deixando tudo limpo.
Ouviram falar de “limpeza étnica”? Em judeus? Em guetos?
Não importa que seja uma criança.
Não importa nem mesmo que seja Natal.
O relato, que está se espalhando na rede, do advogado Breno Melaragno Costa no Facebook é cortante.
Leia, por favor, e faça uma ideia do que é parte dos que se consideram bons, especiais, melhores que os outros.
E que são piores, piores que qualquer delírio de maldade possa imaginar.
Surreal! Estava agora há pouco com meus filhos numa sorveteria na Ataulfo de Paiva, no final do Leblon.
Quando estávamos já terminando os nossos sorvetes, apareceu um menino negro e pobre vendendo balas.
Depois de não conseguir vender sequer uma bala para nenhuma pessoa que lá estava – inclusive eu – ele voltou a mim e me pediu “o senhor compraria um sorvete pra mim”. Eu, meus dois filhos e a babá já terminando os nossos deliciosos sorvetes e uma criança, trabalhando, negra, pobre e provavelmente moradora de favela me pedindo um mísero sorvete.
Claro que respondi que sim! Perguntei a ele o sabor e fomos até a caixa.
Logo após comprar o sorvete para aquela criança, uma senhora, de boa aparência, se vira pra mim e educadamente me pergunta: “o senhor é morador do Leblon?”. Respondi que sim e fiquei tentando reconhecer quem seria aquela senhora, uma ex-vizinha, uma ex-professora, etc. Poderia esperar qualquer coisa menos a frase que veio logo a seguir: “porque com o senhor fazendo isso, aí é que esta gente não vai embora daqui mesmo”. Isto na frente daquela pobre criança, que naturalmente não esboçou qualquer reação. Deve infelizmente estar acostumada a ser tratada como um ser humano inferior.
Estupefato, estampei um sorriso no rosto como forma de autocontrole e, educadamente, não resisti: “a senhora agora vai me mandar pra Cuba?”. No que ela respondeu, ainda para piorar, apontando para a criança: “é este tipo de gente que estraga o nosso bairro”. Não tive coragem de olhar para o rosto daquela criança. Sorri novamente e disse “quem estraga o nosso bairro é parte dos próprios moradores que infelizmente pensam como a senhora”.
Hoje é dia 23 de dezembro e provavelmente esta senhora estará amanhã à noite em família “pregando o bem”.
Nasci, cresci e sempre vivi no Leblon. Sei muito bem como parte dos moradores pensam, mas jamais havia presenciado cena desta natureza.
Independente de concepções, de opiniões políticas ideológicas, partidárias, etc, a crueldade da atitude daquela senhora foi explícita, pública, dita em alto e bom som, sem qualquer pudor, eivada de ódio daquela pobre criança.
Vivo criticando a esquerda por uma aparente vulgarização do termo “fascista”, por inúmeros motivos que aqui não cabem. Mas é fato que nossa elite nestes últimos tempos de excesso de opiniões raivosas e superficiais em detrimento de um mínimo de conhecimento e reflexão, se aproxima cada vez mais de um caminho irracional e suicida.
Poucos, muito poucos, lucram com isso e certamente não é o(a) morador(a) do Leblon, que se ilude em viver num principado isolado do resto da cidade e do país. Enquanto isso vou lendo o livro da Marcia Tiburi (Como conversar com um fascista) por prazer e por necessidade (rs) e vou fazendo votos para que 2016 seja pelo menos um pouco diferente…
Para quem não conhece a professora Tiburi, um video onde ela fala sobre o tema.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O Ajuste Levy (até hoje), a crise e os interesses das Grandes Potências - Carlos Eduardo para O Cafezinho

O Ajuste Levy (até hoje), a crise e os interesses das Grandes Potências

Brasília - O ex-ministro Joaquim Levy transmite o cargo para o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
por Samuel Pinheiro Guimarães
O Brasil não se encontra em um vácuo econômico e político mundial, pois o Brasil não é um pequeno país de qualquer ponto de vista, seja de território, de população, de recursos naturais, de parque econômico.
Além de tudo aquilo que seus trabalhadores e empresários conquistaram e construíram, o Brasil tem um enorme potencial econômico em termos de mercado, de recursos naturais, de parque industrial, agrícola e de serviços instalados. E um enorme potencial político.
Mas o Brasil se encontra no meio, e sofrendo os efeitos, de uma persistente, quase crônica, crise econômica internacional.
E duas graves disputas políticas, em esferas regionais, se desenrolam entre os Estados Unidos e a Rússia e entre os Estados Unidos e a China, com consequências para a América do Sul.
A Operação Lava Jato e o Ajuste Levy (que esperamos possa ser abandonado com a substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa) criaram uma crise econômica interna de graves consequências e seu desenrolar tem se verificado muito útil às Grandes Potências, inclusive aos interesses da China.
Ao lado dos efeitos catastróficos do Ajuste Levy, a economia e o Estado, às vésperas de um necessário programa de expansão da infraestrutura brasileira, em que extraordinários recursos terão de ser investidos pelo Estado, são atingidos pela Operação Lava Jato.
Esta Operação, executada através de um sistema autoritário de delações premiadas, seletivamente vasadas para a imprensa, e de punições extremas, sem condenação final, de executivos das principais empresas brasileiras de capital privado as tornam vulneráveis a aquisição por megaempresas multinacionais de engenharia, em nome de um moralismo unilateral e midiático, que tem data no tempo, pois, até 2003, como todos sabemos, o Brasil vivia no paraíso das virgens e dos anjos emplumados de longos bicos.
O fracasso do Ajuste Levy, que criou a recessão e o desemprego, através de altíssimas taxas de juros, do corte de investimentos auto-justificado pela queda das receitas tributárias, permitiu, apesar de fracassado, que executassem seus objetivos ocultos de privatização, flexibilização do mercado de trabalho, redução das conquistas e programas sociais e desnacionalização, com o objetivo de agradar ao “Mercado”, sempre insaciável.
Executam um programa de privatização, disfarçado de venda de ativos das empresas estatais, tal como a alienação de dois dos mais lucrativos campos do pré-sal; está em curso um processo de desnacionalização da economia, sem que haja qualquer reação das autoridades, como mostram os episódios recentes da compra de 27% da AZUL pelos chineses, e do IBMEC, por 750 milhões, por uma empresa americana, entre dezenas de outras aquisições, inclusive nas áreas estratégicas da educação e da saúde.
Os movimentos sociais defendem a democracia contra o golpismo e a legitimidade do mandato da Presidente Dilma Roussef, e deixam claro que este apoio se verifica na medida em que a Presidenta execute um programa de desenvolvimento e abandone o programa de recessão e desemprego, que é o Ajuste Levy, ou que nome tenha.
É indispensável e urgente que os movimentos sociais enxerguem para além da situação interna e indaguem a quem, no exterior, o Ajuste Levy e a recessão estão beneficiando.
O Brasil, como projeto de fortalecimento de uma economia mista capitalista, com inclusão social e soberania externa, está sendo desarticulado pela ação dos grupos conservadores que, no Brasil, adotaram a ideologia econômica neoliberal em sua forma extremada, em aliança com aquelas Grandes Potências, e seus pequenos associados, a quem não interessa o desenvolvimento autônomo do Brasil e a emergência de uma nova Potência.
Samuel Pinheiro Guimarães é Embaixador e foi secretário-geral do Itamaraty

Dezoito nomes da MPB gravam música para apoiar estudantes de São Paulo - O Cafezinho

Dezoito nomes da MPB gravam música para apoiar estudantes de São Paulo

trono de estudar
por Denise Godinho, editora de cultura do Cafezinho
No começo do mês, diversos artistas se reuniram para um final de semana cultural em apoio aos estudantes que ocuparam as escolas de São Paulo contra a ideia de reorganização de Geraldo Alckmin.
Foi a Virada Ocupação, que contou com Maria Gadú, Criolo, Pitty, Céu, Paulo Miklos, Tiê, Dani Black e outros.
Em sua página no Facebook, o cantor Dani Black disse que quis compor uma canção que falasse sobre a luta dos estudantes e apresentá-la em primeira mão na Virada Ocupação.
Para a ocasião, compôs a música chamada "O Trono de Estudar".
trono de estudar 2
A música logo gerou repercussão e viralizou na internet. Não demorou para que grandes nomes da MPB topassem gravar a música em um clipe de apoio aos estudantes.
O clipe foi lançado na terça-feira e conta com nomes como Chico Buarque, o ex-Titã Arnaldo Antunes, Lucas Silveiro do Fresno, Lucas Santtana, Tiê, Fernando Anitelli do Teatro Mágico, Miranda Kassin, Tetê Espíndola, Helio Flanders do Vanguart, Tiago Iorc, Pedro Luis, Zélia Duncan, Dado Villa-Lobos e outros.
Veja a letra abaixo e assista ao clipe:
O Trono de Estudar
(composição: Dani Black)
Ninguém tira o trono do estudar
Ninguém é o dono do que a vida dá
E nem me colocando numa jaula Porque sala de aula
Essa jaula vai virar
A vida deu os muitos anos de estrutura do humano à procura do que Deus não respondeu
Deu a história, a ciência, a arquitetura, deu a arte e deu a cura e a cultura pra quem leu
Depois de tudo até chegar neste momento me negar conhecimento é me negar o que é meu
Não venha agora fazer furo em meu futuro, me trancar num quarto escuro e fingir que me esqueceu
Vocês vão ter que acostumar porque
Ninguém tira o trono do estudar Ninguém é o dono do que a vida dá
E nem me colocando numa jaula Porque sala de aula
Essa jaula vai virar
E tem que honrar e se orgulhar do trono mesmo e perder o sono mesmo para lutar pelo que é seu
Que neste trono todo ser humano é rei seja preto, branco, gay, rico, pobre, santo, ateu
Pra ter escolha tem que ter escola ninguém quer escola, isto ninguém pode negar
Nem a lei, nem estado, nem turista, nem palácio, nem artista, nem polícia militar
Vocês vão ter que me engolir, se entregar
Porque ninguém tira o trono do estudar

Pablo Villaça: “Não, o grupo não ‘atacou o partido’; atacou Chico num momento de lazer e no meio da rua” - O Cafezinho

Pablo Villaça: “Não, o grupo não ‘atacou o partido’; atacou Chico num momento de lazer e no meio da rua”

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por Pablo Villaça, em sua página no Facebook
Em um momento de lazer, Chico Buarque de Hollanda foi cercado no meio da rua por um grupo de jovens ligados ao PSDB e insultado por "defender o PT". Aparentemente, estes projetos de fascistas não compreendem que TODOS temos o direito de expressar nossas opiniões políticas, agradem estas ou não. Chico, que nem político é, foi agredido por se manifestar como cidadão - algo que os veículos da mídia manchetearam como (acreditem) "Chico bate boca defendendo o PT no meio da rua: cantor retrucou grupo que atacou o partido".
Não, jornalixo brasileiro, o grupo não "atacou o partido"; atacou CHICO num momento de lazer e no meio da rua. E ele não "bateu boca pelo PT"; foi cercado e insultado por estranhos e defendeu sua posição ideológica.
O cara é um patrimônio cultural do país, um senhor de mais de 70 anos de idade, é cercado e insultado por um bando de moleques fascistas e a mídia trata isto não só com normalidade, mas ainda tentando atribuir a ELE a falta de civilidade da situação à qual foi submetido.
Os veículos de comunicação brasileiros estão esperando alguém morrer graças ao clima de ódio que ajudam a criar. Aí, então, começarão a publicar matérias sobre "tolerância" pra se isentarem de culpa. (Não à toa, um colunista demitido de Veja publicou foto malhando e dizendo que se preparava para a "única forma de dialogar com petista", num estímulo irresponsável à violência e à agressão como forma de "debate".)
A verdade é que esses caras têm alma fascista. Não suportam mais a distância do poder e usam "corrupção" como um chavão que disfarça seu propósito real: o não à inclusão social. Se a questão fosse mesmo "corrupção", não abraçariam Cunha como aliado. Protestariam também contra a privataria tucana, o aecioporto e a roubalheira no metrô de São Paulo.
Mas não, o panelaço é seletivo: Alckmin pode fechar 100 escolas; Haddad não pode abrir a Paulista. São milhões de Cunha; já Chico é um "merda".
Aplaudem Macri na Argentina, que indica ministro de Supremo por decreto, mas atacam o STF brasileiro por defender a Constituição numa interpretação que ganhou apoio de praticamente todos os juristas de relevo ao barrar os abusos do presidente da Câmara.
Acham absurdo o bolsa-família que ajuda o povo mais pobre a COMER, mas aplaudem que os ricos paguem impostos ridículos, significativamente menores do que o restante da população.
Querem uma desregulamentação completa do mercado e depois vêm colocar avatarzinho triste por Mariana.
Dizem que vivemos numa "ditadura petista" enquanto cercam um músico de 71 anos na rua para insultá-lo por se expressar como cidadão.
Saem pedindo impeachment no aniversário do AI-5 e se espantam quando são chamados de golpistas.
Acusam a esquerda de "burrice", mas usam "pão com mortadela" e "chola mais" como argumento.
Abraçam a bandeira brasileira e colocam "PATRIOTA!!!" na bio, mas são os primeiros a diminuir o país num viralatismo constante diante do mundo, além de adorarem falar mal do Cinema brasileiro - que conhecem só de ouvir falar.
Amam quando um comediante chama negro de "macaco", gays de "vitimistas" e mulheres de "vadias", mas dizem que os homens brancos cis heterossexuais sofrem preconceito.
Dizem que a esquerda prega "luta de classes", mas chamam esquerdistas de "pão com mortadela" e "esquerda caviar".
Adoram se dizer éticos, mas acham natural que o líder do MBL peça doações em sua conta pessoal.
Acham certo a PM espancar manifestantes (mesmo adolescentes), que chamam de "vagabundos", mas só conhecem a PM que tira selfie na Paulista.
Por isso tenho orgulho de ser de esquerda. De fazer críticas ao governo que se afastou dos movimentos sociais, mas de defendê-lo contra o golpe - pois, mesmo com todas as suas graves falhas, AINDA enxergo nele uma preocupação com os excluídos sociais que JAMAIS serão abraçados por esta oposição.
Uma oposição que prega que quem manda é o "deus mercado". Não, me desculpem, mas prefiro bem mais quem enxerga no desenvolvimentismo a opção mais humana.
Para encerrar - e com a maquiagem borrada pelas lágrimas - digo: "LEAVE CHICO ALONE!". 😉
E viva o debate saudável.

Carta do Menino Jesus - Luciano Marini

Carta do menino Jesus.

 Feliz Natal para você, sua família, seus amigos e todo o universo! Eu me fiz gente para mostrar que você, todo homem e  mulher são coisas sagradas e que  eu  estou  neles.  Quem  maltrata  vocês  a  mim  maltrata,  quem  ama  vocês  ama  a  mim  mesmo.  Quem maltrata o vosso corpo, maltrata o meu corpo. Eu quis tornar­me gente como você, para  ficar com você, para dizer que você é importante, para caminhar com você. Até hoje muita gente  quer só um deus espiritual e não material. Até hoje se inaltece a alma e se despreza o corpo no  trabalho,  na  saúde,  na  alimentação,  na  moradia,  no  transporte.  No  Natal  seu  corpo  foi  consagrado,  toda  Natureza  foi  consagrada,  todo  o  universo.  Eu  me  fiz  gente  para  que  todos  saibam que o ser humano é a única imagem de Deus. Eu nasci criança para dizer que moro nas crianças e que ninguém pode maltratá­las.  Eu nasci pequeno para dizer que estou com os pequenos. Ninguém pode ter medo de mim.  Devem ter medo dos grandes e não dos pequenos.  Nasci frágil para dizer que estou com os fracos e não estou com os todo­poderosos. Até  hoje muita gente quer um deus grande e todo­poderoso.  Eu nasci pobre para entender os que sofrem. Eu nasci numa gruta. Não nasci numa igreja. Nasci numa favela. Muitos me procuram nos  grandes templos e não me acham. Quem me achou logo foram os pastores, porque nasci no meio  deles. Eu nasci para destruir toda falsa religião  e mostrar que estou nos fracos. Minha mãe já  tinha ensinado isso quando foi visitar a prima Isabel que necessitava de ajuda. Eu  nasci  não  para  receber  presentes  mas  para  ser  um  presente  para  você  e  para  toda  a  humanidade, para que todos saibam repartir a vida, a riqueza, os bens e assim nascer de novo. Meu  primo João Batista entendeu bem a lição quando dizia: "Raça de cobras venenosas! Quem disse que  vocês vão escapar do terrível castigo que Deus vai mandar? Façam coisas que mostrem que vocês  se arrependeram porque o machado já está pronto para cortar as árvores pela raiz. Toda árvore que  não dá fruta será cortada e jogada no fogo" (Lc 03,03­11). Natal não é só uma festa de comida e bebida. Nem é festa de paz e amor. Natal é uma luta  entre o bem e o mal, entre a morte e a vida, entre um mundo velho e um mundo novo. Entre o  menino  pobre  e  o  rei  Herodes.  Eu  vim  para  mudar  a situação,  para  mudar  o  mundo.  Maria  entendeu muito bem quando dizia:  "Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito exulta em  Deus em meu Salvador, porque ele ... derruba de seus tronos reis poderosos e eleva os humildes,  dá fartura aos que têm fome e manda os ricos embora com as mãos vazias” (Lc 1,46­55) Natal  é  o  começo  de  uma  nova  história.  Por  isso  Herodes  o  procura  a morte,  pois  tem  medo do pequeno. Eu nasci porque quero “um novo céu e uma nova terra” (Ap 21, 1). Natal  é a festa da solidariedade  e não do assistencialismo. O assistencialismo mantém  a  ordem  da  exploração  do  sistema.  Ele  age  de  cima  para  baixo,  destruindo  os  inferiores,  os  pequenos. Natal não é a festa do Papai Noel, é a festa da solidariedade dos que amam e por isso  são solidários. No natal eu me fiz um de vocês para que todos vocês se tornassem como eu. Eu  desci até vocês para vos libertar de todos males. Por isso minha vida foi uma contínua descida e  por isso o Pai me glorificou.  O mercado quer trocar a vida por dinheiro. Eu experimentei que se encontra Deus só no  irmão. Por isso nasci como gente e não como anjo. "Meus irmãos, não estranhem se as pessoas  do mundo  os  odeiam. Sabemos  que já  passamos  da morte  para  a  vida  e sabemos isto  porque  amamos os nossos irmãos. Quem não ama, ainda está morto. É assim que sabemos o que é o  amor: Cristo deu a sua vida por nós. Por isso nós também devemos dar a nossa vida pelos nossos  irmãos.  Se  alguém  é rico  e  vê  o seu  irmão  em  necessidade, mas fecha seu  coração  para  ele,  como pode afirmar que de fato ama a Deus? Meus filhinhos, nosso amor não deve ser somente  de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro que se mostra por meio de ações". (1 Jo  3,13­18) Natal  é  a  festa  dos  fracos,  pois  “Deus  escolheu  as  coisas  loucas  do  mundo  para  envergonhar os sábios  e escolheu as cousas fracas de mundo para envergonhar os fortes. Deus  escolheu as coisas humildes do mundo e as desprezadas e aquelas que não são para reduzir a  nada as que são, a fim de que ninguém vanglorie na presença de Deus.”  (1 Coríntios 1,26­29) Natal  é  um  acontecimento  escandaloso:  os fracos  desmascaram  e  derrubam  os  grandes.  Parece que o gigante Golias vai conseguir matar o menino, mas no fim quem ganha é o menino  Davi. O Natal é a vitória dos meninos contra os gigantes dos bancos, das igrejas, dos partidos,  do FMI.
 Feliz Natal 2015 para você.  Eu me tornei como você para que você se tornasse como eu. Um abraço do Menino Jesus. Estes são os votos de Natal de seu amigo Luciano Marini

No Rio, jovem diz que Chico Buarque é “um merda”; Folha e Estadão reproduzem vídeo sem xingamento e “culpam” a vítima - Viomundo

No Rio, jovem diz que Chico Buarque é “um merda”; Folha e Estadão reproduzem vídeo sem xingamento e “culpam” a vítima

publicado em 22 de dezembro de 2015 às 18:16
Da Redação
Restaurante Sushi Leblon, Rio de Janeiro. Chico Buarque estava acompanhado por Eric Nepomuceno, Miguel Faria Jr. e Cacá Diegues. Na saída do jantar, foi abordado por um grupo de jovens.
Dentre eles estavam o rapper Tulio Dek e, segundo a colunista Heloisa Tolipan, Alvarinho, filho do empresário paulista Álvaro Garnero. Um terceiro jovem se identificou no vídeo como Guilherme Mota.
Tulio e Alvarinho tem em comum a amizade com o jogador Ronaldo, que chegou a participar da gravação de um videoclipe do rapper.
Alvarinho causou polêmica ao aparecer em um vídeo beijando e mordendo o pescoço de um Ronaldo bêbado.
Durante o bate boca, Chico Buarque foi chamado de “merda” por um dos playboys.
Os jornais paulistas não mencionaram a ofensa, mas apenas o questionamento às convicções políticas de Chico Buarque. O Estadão enfatizou que Chico “bateu boca” e a Folha, que foi “questionado”. Uma forma descarada de culpar a vítima.
No Facebook, fãs de Chico repreenderam o comportamento do rapper.
E nessa levada
Eu vou levando a minha vida
E não to nem aí se alguém duvida
Se a vida é guerra
Então vou guerrear
Se é zoação
Então deixa eu zoar
E se no Arpex eu relaxo
Vou relaxar
E se na Lapa eu batalho
Quero batalhar
E se o mar tá bombando
Então eu vou surfar
E se as mulheres tão dando mole
Por que não aproveitar?
Se vai rolar a festa
Vamos festejar
Se a barra tá pesada
Vamos segurar
Se o mundo acabar
Vou improvisar
Se só amor faz bem
Então deixa eu amar
Se teu amor é falso
Então sai pra lá
Se não tiver humildade
É melhor parar
Se tudo der errado
Então deixa eu te ajudar
Mas se eu pegar no mic
Não peça pra eu parar
Agora fiquem com Trocando em miúdos, de Chico Buarque e Francis Hime:
Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim
Não me valeu
Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!
O resto é seu
Trocando em miúdos, pode guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós
As marcas de amor nos nossos lençóis
As nossas melhores lembranças
Aquela esperança de tudo se ajeitar
Pode esquecer
Aquela aliança, você pode empenhar
Ou derreter
Mas devo dizer que não vou lhe dar
O enorme prazer de me ver chorar
Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago
Meu peito tão dilacerado
Aliás
Aceite uma ajuda do seu futuro amor
Pro aluguel
Devolva o Neruda que você me tomou
E nunca leu
Eu bato o portão sem fazer alarde
Eu levo a carteira de identidade
Uma saideira, muita saudade
E a leve impressão de que já vou tarde.
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