segunda-feira, 1 de julho de 2013

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2013/07/01/lula-leva-o-bolsa-a-africa-e-defende-o-brasil/

“É PRECISO INVESTIR NOS POBRES PARA ACABAR COM A FOME”, DISSE LULA A UMA PLATEIA DE 15 CHEFES DE ESTADO AFRICANOS


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou hoje (1) pela segunda vez durante o encontro de alto nível sobre segurança alimentar que está sendo promovido em Adis Abeba pelo Instituto Lula, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pela União Africana.
Lula enfatizou novamente a necessidade de incluir os pobres no orçamento públicos dos países. “As pessoas que estão com fome muitas vezes não estão organizadas, não fazem parte de sindicatos, não possuem força para fazer uma passeata e não tem sequer como dizer que estão com fome. Se o Estado não cuidar dessas pessoas, o orçamento será todo direcionado a setores da sociedade que estão organizados. Por isso, o governo precisa colocar no orçamento a parte destinada aos pobres.  Se isso não for feito, o problema da fome não será resolvido nem hoje, nem em 2025 e nem nunca”.
Para ver mais imagens e baixar fotos em alta resolução, visite o Picasa do Instituto Lula.
Lula falou para uma platéia formada por quinze chefes de estado de países africanos, ex-presidentes e ex-primeiros ministros, ministros, acadêmicos e membros da sociedade civil africanos e internacionais. Ao lado do ex-presidente estavam o primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn, a presidenta da União Africana, Dlamini-Zuma, e o diretor geral da FAO, José Graziano.
No início do seu segundo discurso no evento, Lula presenteou o presidente da Etiópia com uma camisa da seleção brasileira. “Eu fiquei até 3 horas da manhã vendo o jogo, e estou muito feliz porque o Brasil voltou a jogar bem.” O ex-presidente também presenteou a presidenta da União Africana com o uniforme.
Lula agradeceu também o apoio dos países africanos nas eleições de José Graziano, como diretor-geral da FAO e de Roberto Azevedo, como diretor-geral da Organização Mundial do Comércio.
Na conferência, a tarde, os chefes de estado e anfitriões do evento participarão de uma sessão de discussões para elaboração de uma declaração e um plano de ação com metas e estratégias concretas para erradicar a fome na África até 2025.
O compromisso dos chefes de estado e da sociedade civil africana é importante porque existe um consenso crescente de que, para erradicar a fome, é necessário um forte compromisso político. Conforme disse Lula em suas palavras finais: “Ninguém poderá fazer mais pela África do que os africanos”.
Leia, abaixo, o discurso na íntegra:
Encontro de Alto Nível – União Africana – FAO – IL
“Rumo à Renascença Africana: Parcerias Renovadas numa Abordagem Unificada para Acabar com a Fome na África em 2025 com o Sistema do CAADP”
Adis Abeba, 1 de julho de 2013.
Uma Abordagem Integrada para Erradicar a Fome
É um privilégio pronunciar as palavras de abertura desta Reunião. Considero essa distinção uma homenagem à profunda amizade entre o Brasil e a África – são laços históricos que estamos estreitando cada vez mais.
Reforçar estes laços e contribuir para cooperação entre o Brasil e a África, em todos os campos, é um dos objetivos do Instituo Lula.
Quero começar agradecendo o apoio dos países africanos à eleição do diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva/, em 2011, e,  mais recentemente, à eleição do embaixador Roberto Azevêdo para a direção-geral da Organização Mundial do Comércio.
A atuação desses dois companheiros certamente vai contribuir para o avanço da luta contra a fome no mundo e para a construção de relações comerciais mais justas e equilibradas entre os países.
Quero destacar o compromisso que a União Africana, a  FAO e o nosso Instituto assumem com o presente e o futuro das populações africanas, ao realizar este Encontro de Alto Nível.
Em dezembro passado, neste mesmo local, encontrei-me com a senhora Zuma e o companheiro Graziano para discutir uma inciativa conjunta. Nossa ideia era dar um passo adiante no objetivo de eliminar definitivamente a fome na África.
A iniciativa foi compartilhada por chefes de estado e de governo de todo o continente, aos quais apresento a mais fraterna saudação.
Agradeço a presença neste plenário dos ministros, dirigentes de organismos regionais e multilaterais, representantes da sociedade e de ONGs, cientistas, cooperativistas, agricultores e empresários.
Agradeço também aos distintos representantes da China e do Vietnam, países que se dispõem a promover uma profícua troca de experiências nos campos da segurança alimentar e nutricional.
Aqui estamos unidos em torno de uma causa: superar a tragédia da fome nos países africanos até 2025 – e se possível em prazo mais curto, pois quem tem fome tem pressa.
O objetivo requer a articulação de diversas políticas públicas e a firme participação da sociedade. Exige, especialmente por parte dos governantes, a coragem de decidir e agir.
No Brasil, aprendemos que é possível superar a fome e a miséria de milhões, graças a um conjunto de políticas voltadas para a redistribuição de renda, geração de empregos, valorização dos salários e promoção do crescimento econômico com inclusão social.
Queremos compartilhar a experiência brasileira e aprender com os avanços obtidos pelos países africanos.
Num continente com 54 países e 1 bilhão e 100 milhões de habitantes, onde quase um quarto da população vive em situação de insegurança alimentar, a complexidade do desafio não nos intimida.
Para enfrentá-lo, buscamos o exemplo de tenacidade e perseverança do líder sul-africano Nelson Mandela, que pronunciou estas palavras inspiradoras:
“Devemos promover a coragem onde há medo; promover o acordo onde existe conflito, e inspirar esperança onde há desespero.”
Senhoras e senhores, meus amigos, minhas amigas,
É muito significativo que esta reunião se dê na bela cidade de Adis Abeba, a Nova Flor da Etiópia, onde há 50 anos foi lançada a semente da União Africana.
Nesta cidade multicultural convivem os mais diversos credos e nacionalidades. Adis é o espelho de um continente em que a paisagem humana é rica e diversa.
Bem próximo daqui estão localizados os vestígios dos primeiros passos do ser humano sobre a face da Terra. Berço de civilizações milenares, a África é o cenário de um futuro que há de ser de prosperidade e justiça.
A constituição da União Africana, em 2002, impulsionou a integração política, econômica e social, fortalecida pelo enraizamento da democracia no continente.
Ao longo de cinco décadas, a União Africana acumulou conquistas e experiências que nos permitem saudar 2013 como Ano do Pan-Africanismo e da Renascença Africana.
Meus amigos, minhas amigas,
A fome não é a simples consequência de revezes da natureza, como a seca, as cheias ou a ocorrência de pragas.
A abordagem abrangente da questão foi estabelecida pelo brasileiro Josué de Castro, presidente do Conselho Executivo da FAO de 1952 a 1956. Josué de Castro dedicou a vida a combater a fome e compreender suas origens no Brasil e no mundo.
São dele as seguintes advertências:
A fome não é um fenômeno natural, mas um fenômeno social, produto de estruturas econômicas defeituosas.”
“Fome e guerra são, na realidade, criações humanas.”
A fome existe porque a riqueza está concentrada nas mãos de poucos. Esta é a mais profunda e duradoura de todas as suas causas.
No mundo de hoje a insegurança alimentar também está associada à especulação com os estoques globais de alimentos; às políticas protecionistas que prejudicam a agricultura nos países mais pobres; à competição desordenada pela terra; à concentração fundiária e à desestruturação de sociedades agrícolas tradicionais.
O dado concreto é que neste momento um em cada oito seres humanos passa fome e não sabe se terá como se alimentar amanhã.
Essa tragédia ocorre no momento em que a produção mundial de cereais alcançará 2 bilhões de 460 milhões de toneladas, segundo a estimativa da FAO.
Se fosse dividida entre os 7 bilhões e 200 milhões de habitantes da terra, essa colheita recorde equivaleria a uma provisão diária de quase 1 quilo de cereais por pessoa.
Mas essa fartura está fora do alcance dos mais pobres.
Meus amigos, minhas amigas,
Quando assumi a presidência do Brasil, em janeiro de 2003, meu primeiro compromisso era acabar com a fome em meu país.
Instalamos o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional,  para fazer com autonomia a articulação entre governo e sociedade na definição de diretrizes e elaboração de propostas
Construímos um conjunto de políticas públicas, no qual a superação da fome e da pobreza constituem parte central de uma nova estratégia para o desenvolvimento do país.
O resultado dessa estratégia é que,  em dez anos, 36 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza, 40 milhões ascenderam à classe média e 20 milhões de empregos formais foram criados.
O Fome Zero abriga, como um guarda-chuva, uma série de ações, dentre as quais a mais conhecida é o Bolsa Família. Este programa garante uma renda básica mensal a mais de 13 milhões de famílias, um quarto da população brasileira.
O Orçamento do Bolsa Família em 2013 é de 11 bilhões de dólares, o que corresponde a 0,5% do PIB do Brasil.
Em meu governo, proibi os ministros de usar a palavra gasto no que se refere ao combate à pobreza e aos programas sociais. Todo recurso público destinado a melhorar a vida das pessoas chama-se investimento.
As condições para permanecer no Bolsa Família são três: manter as crianças frequentando a escola; levá-las para tomar todas as vacinas e, no caso das mulheres gestantes, realizar os exames de pré-natal.
Em parceria com as prefeituras e comunidades locais, construímos o cadastro das famílias de menor renda, permanentemente atualizado.
O Bolsa Família é pago por meio de cartão magnético de um banco público, sem intermediários. Os cartões são emitidos em nome das mulheres. Estes recursos dinamizam o comércio e a economia nos bairros pobres e nas localidades mais isoladas.
Muitos diziam que o Bolsa Família ia provocar preguiça e indolência, mas ocorreu o contrário. A renda básica cria cidadania e confere ao pobre dignidade indispensável para buscar uma vida melhor.
Meus amigos, minhas amigas,
O Bolsa Família tem se revelado eficaz porque está articulado com programas de saúde, educação, promoção social e segurança alimentar.
A companheira Tereza Campello, ministra do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome no Brasil, apresentou esses programas em sua intervenção neste Encontro de Alto Nível.
Nossa estratégia para superar a fome está também diretamente ligada às políticas de fortalecimento da agricultura, começando pela agricultura familiar.
São 4 milhões de pequenas propriedades, responsáveis hoje por 70% da comida que chega à mesa dos brasileiros.
O crédito disponível para a agricultura familiar passou de 1 bilhão de dólares para US$ 10 bilhões nestes dez anos.
As mulheres – que assim como na África são parte expressiva da força de trabalho na agricultura brasileira – passaram a ter acesso direto ao crédito e preferência na titulação de terras.
Os produtores têm garantia de preço e seguro contra quebra de safras. O governo faz compras diretas de alimentos para formar estoques e para distribuir em creches, hospitais e abrigos. Produtores locais fornecem  pelo menos 30% dos alimentos da merenda escolar. O Programa Luz Para Todos levou energia elétrica a mais de 3 milhões de famílias no campo.
Como resultado dessas e de outras políticas, além de aumentar a produção de alimentos, aumentamos em 52% a renda dos pequenos agricultores nestes dez anos.
Meus amigos, minhas amigas,
Quero enfatizar que as políticas de transferência de renda, essenciais no combate à fome e à miséria no Brasil, são parte de um novo modelo de desenvolvimento com inclusão.
O Fome Zero se combina com outras estratégias, como a política de valorização permanente do salário mínimo.  Em 2012, 94% dos acordos salariais proporcionaram ganhos reais acima da inflação .
A combinação de mais renda, mais empregos, mais crédito e melhores salários fez nossa economia crescer sustentadamente, em benefício do país como um todo.
Os defensores do antigo modelo diziam que essa era a receita da inflação e do déficit público. Estavam errados, porque não abrimos mão da estabilidade nem da responsabilidade fiscal.
A dívida pública caiu de 60% do PIB em 2002 para 35% em 2012, permitindo a redução dos juros. A inflação foi reduzida à metade do período anterior e permanece controlada.
O mais importante é que milhões de brasileiros passaram a fazer três refeições por dia e hoje podem confiar num futuro melhor para si e para os filhos.
O orçamento federal para a educação foi triplicado, com o objetivo de ampliar a oferta de ensino público de qualidade. Praticamente todas as crianças entre 6 e 14 anos de idade estão na escola. Todas as escolas públicas urbanas estão integradas por banda larga.
Duplicamos a quantitade de alunos nas universidades públicas, e uma lei reservou metade das vagas nestas instituições para pobres, negros e indígenas. Trocamos impostos devidos por faculdades particulares por bolsas de estudo que já beneficiaram 1 milhão e 300 mil jovens de famílias pobres. O governo tornou-se fiador do crédito universitário.
Fizemos, em dez anos, mais que o dobro das escolas técnicas que haviam sido feitas ao longo de um século. Em parceria com as organizações da indústria e do comércio, a presidenta Dilma criou um programa de qualifição profissional para 8 milhões de trabalhadores. Um novo programa de bolsas já levou 25 mil jovens a estudar nas melhores universidades do mundo.
Sabemos que é preciso fazer muito mais para atender os anseios da população por uma vida melhor, mas os resultados obtidos nos levam a perseverar na busca de respostas para estes justos anseios.
Meus amigos, minhas amigas,
Numa estratégia integrada para eliminar a fome na África, considero fundamental também combinar os objetivos do Programa Integrado de Desenvolvimento da Agricultura – CAADP às metas do Programa de Infraestruturas – o PIDA.
O desenvolvimento da agricultura requer investimento em irrigação, construção de silos, estradas e portos. Demanda energia elétrica, tratores e máquinas.
Requer, além disso, investimentos em tecnologia e a utilização de novas modalidades de sementes e insumos. O conhecimento e a ciência são nossas aliadas na luta contra a fome.
A agricultura não se desenvolve isoladamente, sem que haja investimento em infraestrutura e complementação com setores da indústria.
A África tem um enorme potencial agrícola inexplorado, que alguns estimam em mais da metade da terra agricultável não utilizada do planeta.
Este potencial se encontra principalmente nas savanas, muito semelhantes ao cerrado brasileiro no que se refere à vegetação, relevo, solo, insolação e regime de chuvas.
Temos boas razões para crer que a experiência bem sucedida do Brasil na agricultura tropical possa ser utilizada neste continente – tanto a do tipo familiar quanto a empresarial.
O Brasil tem uma responsabilidade histórica com a África e busca estabelecer com os países africanos uma relação baseada em respeito à soberania e no desenvolvimento compartilhado.
Queremos cooperar, por exemplo, com transferência de tecnologia de sementes e cultivo do solo, por meio da nossa empresa nacional de agropecuária, a Embrapa, que tem um escritório em Acra.
Em parceria com a FAO e o Programa Mundial de Alimentos, já fornecemos tecnologia social de aquisição de produtos da agricultura familiar com Maláui, Moçambique, Etiópia, Níger e Senegal.
Em maio último, ao participar do Jubileu da União Africana, a presidenta Dilma Rousseff anunciou uma nova Agência de Cooperação e Comércio com a África e América Latina, que dará novo impulso às nossas parcerias.
No âmbito da Parceria Renovada que nosso Encontro pretende estimular, as políticas de proteção social inserem-se no CAADP.
Podemos oferecer experiências, nunca lições, pois sabemos que a cooperação para a segurança alimentar deve observar as características específicas de cada país e região.
As sociedades tradicionais africanas têm seu modo milenar de produzir e interagir com outros grupos sociais. Os agricultores africanos têm hábitos e carências distintos de seus irmãos brasileiros.
Acreditamos que a África pode, sim, se tornar o continente da fartura e um dos celeiros do mundo.
Gana, por exemplo, mantém um crescimento agrícola médio de 5% ao ano nos últimos 25 anos, e conseguiu reduzir a pobreza em 58%, com investimentos em infraestrutura, subsídios a insumos e conexão de pequenos agricultores ao mercado interno e externo.
A Etiópia já conseguiu reduzir em um terço a população vivendo na pobreza extrema.
Saudamos os avanços obtidos em todos os países, como um estímulo aos que se empenham para erradicar a fome e a pobreza.
Meus amigos, minhas amigas,
A contribuição de organizações não governamentais, fundações e doadores – os parceiros do desenvolvimento – tem sido relevante no combate à fome e a miséria, não só na África, mas ao redor do mundo.
Em muitas situações elas provêm o único socorro e fazem a diferença entre viver ou morrer.
Mas aprendemos no Brasil que o estado tem a responsabilidade de coordenar as políticas de combate à pobreza.
As políticas de renda precisam ser tratadas como direito básico dos cidadãos, e não como ajuda eventual. Devem estar previstas no Orçamento, junto às demais obrigações permanentes dos governos.
Os programas para erradicar a fome e a pobreza têm de ser Política de Estado para alcançar resultados duradouros.
Compete aos governos promover e articular as diversas frentes de ação, incluindo as politicas agrícolas e de infraestrutura para o desenvolvimento.
O Brasil mudou porque encontramos um lugar para os pobres no orçamento nacional. Mudou porque deixamos de tratar os pobres como um problema, e sim como solução.
Garantir e aumentar a renda dos mais pobres, por meio da programas sociais e geração de empregos, significa manter a roda da economia girando, em benefício do país.
Meus amigos, minhas amigas,
A crise que atingiu o centro da economia global pode-se revelar uma oportunidade para os países em desenvolvimento no Hemisfério Sul.
Hoje está bem claro que a saída não se encontra nas políticas de austeridade que levaram a Europa à recessão e ao desemprego, com consequências para todo o mundo.
A crise provocada pela especulação tem de ser enfrentada com a retomada dos investimentos, de forma a sustentar o crescimento e consolidar novos mercados.
Nossos países e nossos governos têm a obrigação de agarrar esta oportunidade, para transformá-la em uma nova era de prosperidade e justiça.
É dessa forma que vejo a Renascença Africana: como o momento de reduzir as desigualdades dentro de cada país e promover a verdadeira integração.
As comunidades econômicas regionais e instituições como o Banco de Investimento Africano cumprem papel relevante neste processo.
A União Africana e o Parlamento Pan-Africano têm sido essenciais à consolidação da democracia no continente.
A democracia é sem dúvida o caminho mais seguro para promover a paz e a estabilidade. É também a garantia de que o desenvolvimento será compartilhado por todos.
O tanzaniano Julius Nyerere, um dos pais do pan-africanismo, disse a propósito:
“Se buscamos o verdadeiro desenvolvimento, o povo tem de estar envolvido”.
A África será mais forte e mais respeitada, quanto mais profundas forem as raízes da democracia e da integração.
Espero que esta reunião produza resultados práticos, que os temas de debate sejam desdobrados em ações concretas, no conjunto da África e em cada um dos países.
Temos de sair deste encontro declarando ao mundo que é possível e é urgente erradicar a fome.
Temos de sair daqui sabendo exatamente o que vamos fazer para alcançar o objetivo e quais a tarefas de cada um.
Temos de formar uma coordenação que seja a referência para os próximos passos.
Pessoalmente, estou engajado na luta contra a fome em meu país e em qualquer lugar onde for convocado.
Ao longo de meu governo, conheci a África e seu povo admirável; fiz amigos em todos os países e estarei sempre pronto a cooperar com as ações que vocês definirem como as mais importantes nesta luta.
Contem comigo, contem com o Brasil e lembrem-se: ninguém poderá fazer mais pela África do que os próprios africanos.
Muito obrigado.

Lista de escândalos de corrupção durante os 8 anos de FHC Por Tela Crente, em 20 de setembro de 2010

Fernando Henrique Cardoso – PSDB

Hoje nossa Leitora do blog, Marcial da Selva, fez em seu comentário
uma pergunta sobre quantos ministros foram demitidos no governo do
Fernando Henrique Cardoso.

Não encontramos a quantidade nem os nomes demitidos, mas encontramos
uma lista com os escândalos de corrupção durante a era FHC –
01/01/1995 - 01/01/2003.

1 – Conivência com a corrupção

O governo do PSDB tem sido conivente com a corrupção. Um dos primeiros
gestos de FHC ao assumir a Presidência, em 1995, foi extinguir, por
decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo
Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que
tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, para impedir a
instalação da CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da
União, órgão que se especializou em abafar denúncias.

2 – O escândalo do Sivam

O contrato para execução do projeto Sivam foi marcado por escândalos.
A empresa Esca, associada à norte-americana Raytheon, e responsável
pelo gerenciamento do projeto, foi extinta por fraudes contra a
Previdência. Denúncias de tráfico de influência derrubaram o
embaixador Júlio César dos Santos e o ministro da Aeronáutica,
Brigadeiro Mauro Gandra.

3 – A farra do Proer

O Proer demonstrou, já em 1996, como seriam as relações do governo FHC
com o sistema financeiro. Para FHC, o custo do programa ao Tesouro
Nacional foi de 1% do PIB. Para os ex-presidentes do BC, Gustavo
Loyola e Gustavo Franco, atingiu 3% do PIB. Mas para economistas da
Cepal, os gastos chegaram a 12,3% do PIB, ou R$ 111,3 bilhões,
incluindo a recapitalização do Banco do Brasil, da CEF e o socorro aos
bancos estaduais.

4 – Caixa-dois de campanhas

As campanhas de FHC em 1994 e em 1998 teriam se beneficiado de um
esquema de caixa-dois. Em 1994, pelo menos R$ 5 milhões não apareceram
na prestação de contas entregue ao TSE. Em 1998, teriam passado pela
contabilidade paralela R$ 10,1 milhões.

5 – Propina na privatização

A privatização do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foi marcada
pela suspeição. Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de
FHC e do senador José Serra e ex-diretor da Área Internacional do
Banco do Brasil, é acusado de pedir propina de R$ 15 milhões para
obter apoio dos fundos de pensão ao consórcio do empresário Benjamin
Steinbruch, que levou a Vale, e de ter cobrado R$ 90 milhões para
ajudar na montagem do consórcio Telemar.

6 – A emenda da reeleição

O instituto da reeleição foi obtido por FHC a preços altos. Gravações
revelaram que os deputados Ronivon Santiago e João Maia, do PFL do
Acre, ganharam R$ 200 mil para votar a favor do projeto. Os deputados
foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Outros três
deputados acusados de vender o voto, Chicão Brígido, Osmir Lima e Zila
Bezerra, foram absolvidos pelo plenário da Câmara.

7 – Grampos telefônicos

Conversas gravadas de forma ilegal foram um capítulo à parte no
governo FHC. Durante a privatização do sistema Telebrás, grampos no
BNDES flagraram conversas de Luiz Carlos Mendonça de Barros, então
ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do
BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do
banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio
Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende. Até FHC entrou
na história, autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de
pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

8 – TRT paulista

A construção da sede do TRT paulista representou um desvio de R$ 169
milhões aos cofres públicos. A CPI do Judiciário contribuiu para levar
o juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal, para a
cadeia e para cassar o mandato do Senador Luiz Estevão (PMDB-DF), dois
dos principais envolvidos no caso.

9 – Os ralos do DNER

O DNER foi o principal foco de corrupção no governo de FHC. Seu último
avanço em matéria de tecnologia da propina atende pelo nome de
precatórios. A manobra consiste em furar a fila para o pagamento
desses títulos. Estima-se que os beneficiados pela fraude pagavam 25%
do valor dos precatórios para a quadrilha que comandava o esquema. O
órgão acabou sendo extinto pelo governo.

10 – O “caladão”

O Brasil calou no início de julho de 1999 quando o governo FHC
implementou o novo sistema de Discagem Direta a Distância (DDD). Uma
pane geral deixou os telefones mudos. As empresas que provocaram o
caos no sistema haviam sido recém-privatizadas. O “caladão” provocou
prejuízo aos consumidores, às empresas e ao próprio governo. Ficou
tudo por isso mesmo.

11 – Desvalorização do real

FHC se reelegeu em 1998 com um discurso que pregava “ou eu ou o caos”.
Segurou a quase paridade entre o real e o dólar até passar o pleito.
Vencida a eleição, teve de desvalorizar a moeda. Há indícios de
vazamento de informações do Banco Central. O deputado Aloizio
Mercadante, do PT, divulgou lista com o nome dos 24 bancos que
lucraram muito com a mudança cambial e outros quatro que registraram
movimentação especulativa suspeita às vésperas do anúncio das medidas.

12 – O caso Marka/FonteCindam

Durante a desvalorização do real, os bancos Marka e FonteCindam foram
socorridos pelo Banco Central com R$ 1,6 bilhão. O pretexto é que a
quebra desses bancos criaria risco sistêmico para a economia. Chico
Lopes, ex-presidente do BC, e Salvatore Cacciola, ex-dono do Banco
Marka, estiveram presos, ainda que por um pequeno lapso de tempo.
Cacciola retornou à sua Itália natal, onde vive tranqüilo.

13 – Base de Alcântara

O governo FHC enfrenta resistências para aprovar o acordo de
cooperação internacional que permite aos Estados Unidos usarem a Base
de Lançamentos Espaciais de Alcântara (MA). Os termos do acordo são
lesivos aos interesses nacionais. Exemplos: áreas de depósitos de
material americano serão interditadas a autoridades brasileiras. O
acesso brasileiro a novas tecnologias fica bloqueado e o acordo
determina ainda com que países o Brasil pode se relacionar nessa área.
Diante disso, o PT apresentou emendas ao tratado – todas acatadas na
Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

14 – Biopirataria oficial

Antigamente, os exploradores levavam nosso ouro e pedras preciosas.
Hoje, levam nosso patrimônio genético. O governo FHC teve de rever o
contrato escandaloso assinado entre a Bioamazônia e a Novartis, que
possibilitaria a coleta e transferência de 10 mil microorganismos
diferentes e o envio de cepas para o exterior, por 4 milhões de
dólares. Sem direito ao recebimento de royalties. Como um único fungo
pode render bilhões de dólares aos laboratórios farmacêuticos, o
contrato não fazia sentido. Apenas oficializava a biopirataria.

15 – O fiasco dos 500 anos

As festividades dos 500 anos de descobrimento do Brasil, sob
coordenação do ex-ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca
(PFL-PR), se transformaram num fiasco monumental. Índios e sem-terra
apanharam da polícia quando tentaram entrar em Porto Seguro (BA),
palco das comemorações. O filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso,
é um dos denunciados pelo Ministério Público de participação no
episódio de superfaturamento da construção do estande brasileiro na
Feira de Hannover, em 2000.

16 – Eduardo Jorge, um personagem suspeito

Eduardo Jorge Caldas, ex-secretário-geral da Presidência, é um dos
personagens mais sombrios que freqüentou o Palácio do Planalto na era
FHC. Suspeita-se que ele tenha se envolvido no esquema de liberação de
verbas para o TRT paulista e em superfaturamento no Serpro, de montar
o caixa-dois para a reeleição de FHC, de ter feito lobby para empresas
de informática, e de manipular recursos dos fundos de pensão nas
privatizações. Também teria tentado impedir a falência da Encol.

17 – Drible na reforma tributária

O PT participou de um acordo, do qual faziam parte todas as bancadas
com representação no Congresso Nacional, em torno de uma reforma
tributária destinada a tornar o sistema mais justo, progressivo e
simples. A bancada petista apoiou o substitutivo do relator do projeto
na Comissão Especial de Reforma Tributária, deputado Mussa Demes
(PFL-PI). Mas o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o Palácio do
Planalto impediram a tramitação.

18 – Rombo transamazônico na Sudam

O rombo causado pelo festival de fraudes transamazônicas na
Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam, no período
de 1994 a 1999, ultrapassa R$ 2 bilhões. As denúncias de desvios de
recursos na Sudam levaram o ex-presidente do Senado, Jader Barbalho
(PMDB-PA) a renunciar ao mandato. Ao invés de acabar com a corrupção
que imperava na Sudam e colocar os culpados na cadeia, o presidente
Fernando Henrique Cardoso resolveu extinguir o órgão. O PT ajuizou
ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra a
providência do governo.

19 – Os desvios na Sudene

Foram apurados desvios de R$ 1,4 bilhão em 653 projetos da
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, a Sudene. A fraude
consistia na emissão de notas fiscais frias para a comprovação de que
os recursos recebidos do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor)
foram aplicados. Como no caso da Sudam, FHC decidiu extinguir o órgão.
O PT também questionou a decisão no Supremo Tribunal Federal.

20 – Calote no Fundef

O governo FHC desrespeita a lei que criou o Fundef. Em 2002, o valor
mínimo deveria ser de R$ 655,08 por aluno/ano de 1ª a 4ª séries e de
R$ 688,67 por aluno/ano da 5ª a 8ª séries do ensino fundamental e da
educação especial. Mas os valores estabelecidos ficaram abaixo: R$
418,00 e R$ 438,90, respectivamente. O calote aos estados mais pobres
soma R$ 11,1 bilhões desde 1998.

21 – Abuso de MPs

Enquanto senador, FHC combatia com veemência o abuso nas edições e
reedições de Medidas Provisórias por parte José Sarney e Fernando
Collor. Os dois juntos editaram e reeditaram 298 MPs. Como presidente,
FHC cedeu à tentação autoritária. Editou e reeditou, em seus dois
mandatos, 5.491medidas. O PT participou ativamente das negociações que
resultaram na aprovação de emenda constitucional que limita o uso de
MPs.

22 – Acidentes na Petrobras

Por problemas de gestão e falta de investimentos, a Petrobras
protagonizou uma série de acidentes ambientais no governo FHC que
viraram notícia no Brasil e no mundo. A estatal foi responsável pelos
maiores desastres ambientais ocorridos no País nos últimos anos.
Provocou, entre outros, um grande vazamento de óleo na Baía de
Guanabara, no Rio, outro no Rio Iguaçu, no Paraná. Uma das maiores
plataformas da empresa, a P-36, afundou na Bacia de Campos, causando a
morte de 11 trabalhadores. A Petrobras também ganhou manchetes com os
acidentes de trabalho em suas plataformas e refinarias que ceifaram a
vida de centenas de empregados.

23 – Apoio a Fujimori

O presidente FHC apoiou o terceiro mandato consecutivo do corrupto
ditador peruano Alberto Fujimori, um sujeito que nunca deu valor à
democracia e que fugiu do País para não viver os restos de seus dias
na cadeia. Não bastasse isso, concedeu a Fujimori a medalha da Ordem
do Cruzeiro do Sul, o principal título honorário brasileiro. O Senado,
numa atitude correta, acatou sugestão apresentada pelo senador Roberto
Requião (PMDB-PR) e cassou a homenagem.

24 – Desmatamento na Amazônia

Por meio de decretos e medidas provisórias, o governo FHC desmontou a
legislação ambiental existente no País. As mudanças na legislação
ambiental debilitaram a proteção às florestas e ao cerrado e fizeram
crescer o desmatamento e a exploração descontrolada de madeiras na
Amazônia. Houve aumento dos focos de queimadas. A Lei de Crimes
Ambientais foi modificada para pior.

25 – Os computadores do FUST

A idéia de equipar todas as escolas públicas de ensino médio com 290
mil computadores se transformou numa grande negociata. Os recursos
para a compra viriam do Fundo de Universalização das Telecomunicações,
o Fust. Mas o governo ignorou a Lei de Licitações, a 8.666. Além
disso, fez megacontrato com a Microsoft, que teria, com o Windows, o
monopólio do sistema operacional das máquinas, quando há softwares que
poderiam ser usados gratuitamente. A Justiça e o Tribunal de Contas da
União suspenderam o edital de compra e a negociata está suspensa.

26 – Arapongagem

O governo FHC montou uma verdadeira rede de espionagem para vasculhar
a vida de seus adversários e monitorar os passos dos movimentos
sociais. Essa máquina de destruir reputações é constituída por
ex-agentes do antigo SNI ou por empresas de fachada. Os arapongas
tucanos sabiam da invasão dos sem-terra à propriedade do presidente em
Buritis, em março deste ano, e o governo nada fez para evitar a
operação. Eles foram responsáveis também pela espionagem contra
Roseana Sarney.

27 – O esquema do FAT

A Fundação Teotônio Vilela, presidida pelo ex-presidente do PSDB,
senador alagoano Teotônio Vilela, e que tinha como conselheiro o
presidente FHC, foi acusada de envolvimento em desvios de R$ 4,5
milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Descobriu-se que boa
parte do dinheiro, que deveria ser usado para treinamento de 54 mil
trabalhadores do Distrito Federal, sumiu. As fraudes no financiamento
de programas de formação profissional ocorreram em 17 unidades da
federação e estão sob investigação do Tribunal de Contas da União
(TCU) e do Ministério Público.

28 – Mudanças na CLT

A maioria governista na Câmara dos Deputados aprovou, contra o voto da
bancada do PT, projeto que flexibiliza a CLT, ameaçando direitos
consagrados dos trabalhadores, como férias, décimo terceiro e licença
maternidade. O projeto esvazia o poder de negociação dos sindicatos.
No Senado, o governo FHC não teve forças para levar adiante essa
medida anti-social.

29 – Obras irregulares

Um levantamento do Tribunal de Contas da União, feito em 2001, indicou
a existência de 121 obras federais com indícios de irregularidades
graves. A maioria dessas obras pertence a órgãos como o extinto DNER,
os ministérios da Integração Nacional e dos Transportes e o
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Uma dessas obras, a
hidrelétrica de Serra da Mesa, interior de Goiás, deveria ter custado
1,3 bilhão de dólares. Consumiu o dobro.

30 – Explosão da dívida pública

Quando FHC assumiu a Presidência da República, em janeiro de 1995, a
dívida pública interna e externa somava R$ 153,4 bilhões. Entretanto,
a política de juros altos de seu governo, que pratica as maiores taxas
do planeta, elevou essa dívida para R$ 684,6 bilhões em abril de 2002,
um aumento de 346%. Hoje, a dívida já equivale a preocupantes 54,5% do
PIB.

31 – Avanço da dengue

A omissão do Ministério da Saúde é apontada como principal causa da
epidemia de dengue no Rio de Janeiro. O ex-ministro José Serra demitiu
seis mil mata-mosquitos contratados para eliminar focos do mosquito
Aedes Aegypti. Em 2001, o Ministério da Saúde gastou R$ 81,3 milhões
em propaganda e apenas R$ 3 milhões em campanhas educativas de combate
à dengue. Resultado: de janeiro a maio de 2002, só o estado do Rio
registrou 207.521 casos de dengue, levando 63 pessoas à morte.

32 – Verbas do BNDES

Além de vender o patrimônio público a preço de banana, o governo FHC,
por meio do BNDES, destinou cerca de R$ 10 bilhões para socorrer
empresas que assumiram o controle de ex-estatais privatizadas. Quem
mais levou dinheiro do banco público que deveria financiar o
desenvolvimento econômico e social do Brasil foram as teles e as
empresas de distribuição, geração e transmissão de energia. Em uma das
diversas operações, o BNDES injetou R$ 686,8 milhões na Telemar,
assumindo 25% do controle acionário da empresa.

33 – Crescimento pífio do PIB

Na “Era FHC”, a média anual de crescimento da economia brasileira
estacionou em pífios 2%, incapaz de gerar os empregos que o País
necessita e de impulsionar o setor produtivo. Um dos fatores
responsáveis por essa quase estagnação é o elevado déficit em
conta-corrente, de 23 bilhões de dólares no acumulado dos últimos 12
meses. Ou seja: devido ao baixo nível da poupança interna, para
investir em seu desenvolvimento, o Brasil se tornou extremamente
dependente de recursos externos, pelos quais paga cada vez mais caro.

34 – Renúncias no Senado

A disputa política entre o Senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e
o Senador Jader Barbalho (PMDB-PA), em torno da presidência do Senado
expôs publicamente as divergências da base de sustentação do governo.
ACM renunciou ao mandato, sob a acusação de violar o painel eletrônico
do Senado na votação que cassou o mandato do senador Luiz Estevão
(PMDB-DF). Levou consigo seu cúmplice, o líder do governo, senador
José Roberto Arruda (PSDB-DF). Jader Barbalho se elegeu presidente do
Senado, com apoio ostensivo de José Serra e do PSDB, mas também acabou
por renunciar ao mandato, para evitar a cassação. Pesavam contra ele
denúncias de desvio de verbas da Sudam.

35 – Racionamento de energia

A imprevidência do governo FHC e das empresas do setor elétrico gerou
o apagão. O povo se mobilizou para abreviar o racionamento de energia.
Mesmo assim foi punido. Para compensar supostos prejuízos das
empresas, o governo baixou Medida Provisória transferindo a conta do
racionamento aos consumidores, que são obrigados a pagar duas novas
tarifas em sua conta de luz. O pacote de ajuda às empresas soma R$
22,5 bilhões.

36 – Assalto ao bolso do consumidor

FHC quer que o seu governo seja lembrado como aquele que deu proteção
social ao povo brasileiro. Mas seu governo permitiu a elevação das
tarifas públicas bem acima da inflação. Desde o início do plano real
até agora, o preço das tarifas telefônicas foi reajustado acima de
580%. Os planos de saúde subiram 460%, o gás de cozinha 390%, os
combustíveis 165%, a conta de luz 170% e a tarifa de água 135%. Neste
período, a inflação acumulada ficou em 80%.

37 – Explosão da violência

O Brasil é um país cada vez mais violento. E as vítimas, na maioria
dos casos, são os jovens. Na última década, o número de assassinatos
de jovens de 15 a 24 anos subiu 48%. A Unesco coloca o País em
terceiro lugar no ranking dos mais violentos, entre 60 nações
pesquisadas. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes, na população
geral, cresceu 29%. Cerca de 45 mil pessoas são assassinadas
anualmente. FHC pouco ou nada fez para dar mais segurança aos
brasileiros.

38 – A falácia da Reforma agrária

O governo FHC apresentou ao Brasil e ao mundo números mentirosos sobre
a reforma agrária. Na propaganda oficial, espalhou ter assentado 600
mil famílias durante oito anos de reinado. Os números estavam
inflados. O governo considerou assentadas famílias que haviam apenas
sido inscritas no programa. Alguns assentamentos só existiam no papel.
Em vez de reparar a fraude, baixou decreto para oficializar o engodo.

39 – Subserviência internacional

A timidez marcou a política de comércio exterior do governo FHC. Num
gesto unilateral, os Estados Unidos sobretaxaram o aço brasileiro. O
governo do PSDB foi acanhado nos protestos e hesitou em recorrer à
OMC. Por iniciativa do PT, a Câmara aprovou moção de repúdio às
barreiras protecionistas. A subserviência é tanta que em visita aos
EUA, no início deste ano, o ministro Celso Lafer foi obrigado a tirar
os sapatos três vezes e se submeter a revistas feitas por seguranças
de aeroportos.

40 – Renda em queda e desemprego em alta

Para o emprego e a renda do trabalhador, a Era FHC pode ser
considerada perdida. O governo tucano fez o desemprego bater recordes
no País. Na região metropolitana de São Paulo, o índice de desemprego
chegou a 20,4% em abril, o que significa que 1,9 milhão de pessoas
estão sem trabalhar. O governo FHC promoveu a precarização das
condições de trabalho. O rendimento médio dos trabalhadores encolheu
nos últimos três anos.

41 – Relações perigosas

Diga-me com quem andas e te direi quem és. Esse ditado revela um pouco
as relações suspeitas do presidenciável tucano José Serra com três
figuras que estiveram na berlinda nos últimos dias. O economista
Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, é
acusado de exercer tráfico de influência quando era diretor do Banco
do Brasil e de ter cobrado propina no processo de privatização.
Ricardo Sérgio teria ajudado o empresário espanhol Gregório Marin
Preciado a obter perdão de uma dívida de R$ 73 milhões junto ao Banco
do Brasil. Preciado, casado com uma prima de Serra, foi doador de
recursos para a campanha do senador paulista. Outra ligação perigosa é
com Vladimir Antonio Rioli, ex-vice-presidente de operações do Banespa
e ex-sócio de Serra em empresa de consultoria. Ele teria facilitado
uma operação irregular realizada por Ricardo Sérgio para repatriar US$
3 milhões depositados em bancos nas Ilhas Cayman – paraíso fiscal do
Caribe.

42 – Violação aos direitos humanos

Massacres como o de Eldorado do Carajás, no sul do Pará, onde 19
sem-terra foram assassinados pela polícia militar do governo do PSDB
em 1996, figuram nos relatórios da Anistia Internacional, que
recentemente denunciou o governo FHC de violação aos direitos humanos.
A Anistia critica a impunidade e denuncia que polícias e esquadrões da
morte vinculados a forças de segurança cometeram numerosos homicídios
de civis, inclusive crianças, durante o ano de 2001. A entidade afirma
ainda que as práticas generalizadas e sistemáticas de tortura e
maus-tratos prevalecem nas prisões.

43 – Correção da tabela do IR

Com fome de leão, o governo congelou por seis anos a tabela do Imposto
de Renda. O congelamento aumentou a base de arrecadação do imposto,
pois com a inflação acumulada, mesmo os que estavam isentos e não
tiveram ganhos salariais, passaram a ser taxados. FHC só corrigiu a
tabela em 17,5% depois de muita pressão da opinião pública e após
aprovação de projeto pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, após vetar
o projeto e editar uma Medida Provisória que incorporava parte do que
fora aprovado pelo Congresso, aproveitou a oportunidade e aumentou
alíquotas de outros tributos.

44 – Intervenção na Previ

FHC aproveitou o dia de estréia do Brasil na Copa do Mundo de 2002
para decretar intervenção na Previ, o fundo de pensão dos funcionários
do Banco do Brasil, com patrimônio de R$ 38 bilhões e participação em
dezenas de empresas. Com este gesto, afastou seis diretores, inclusive
os três eleitos democraticamente pelos funcionários do BB. O ato
truculento ocorreu a pedido do banqueiro Daniel Dantas, dono do
Opportunitty. Dias antes da intervenção, FHC recebeu Dantas no Palácio
Alvorada. O banqueiro, que ameaçou divulgar dossiês comprometedores
sobre o processo de privatização, trava queda-de-braço com a Previ
para continuar dando as cartas na Brasil Telecom e outras empresas nas
quais são sócios.

45 – Barbeiragens do Banco Central

O Banco Central – e não o crescimento de Lula nas pesquisas – tem sido
o principal causador de turbulências no mercado financeiro. Ao
antecipar de setembro para junho o ajuste nas regras dos fundos de
investimento, que perderam R$ 2 bilhões, o BC deixou o mercado em
polvorosa. Outro fator de instabilidade foi a decisão de rolar parte
da dívida pública estimulando a venda de títulos LFTs de curto prazo e
a compra desses mesmos papéis de longo prazo. Isto fez subir de R$
17,2 bilhões para R$ 30,4 bilhões a concentração de vencimentos da
dívida nos primeiros meses de 2003. O dólar e o risco Brasil
dispararam. Combinado com os especuladores e o comando da campanha de
José Serra, Armínio Fraga não vacilou em jogar a culpa no PT e nas
eleições.

A PEC37, A Constituinte, o Plebiscito, o Controle Remoto e os sinais

SinaisA PEC 37, em resumo, alterava , ou melhor, realinhava o poder de investigação de determinados crimes entre a Polícia Federal e o Ministério Público. Nem o Ministério Público e nem a Polícia Federal investigam os indivíduos da classe média e nem os da classe trabalhadora em geral. Quem investiga o povão é a Polícia Civil e a Polícia Militar cabe baixar o cacete na turba quando esta se altera. Então, como é que a PC37 vira a grande palavra de ordem da classe média que saiu as ruas pra reclamar de tudo? A mídia vendeu a ideia de que a PEC37 teria algo a ver com a corrupção. A mesma mídia que ovacionou Alckmin quando este mandou sua polícia estadual baixar o cacete no povo de São Paulo, que até então protestava pela redução dos preços dos ônibus, e só. O que deflagrou a grande solidariedade popular foi o ataque virulento da polícia de São Paulo contra jovens que se manifestavam contra o preço das passagens, lembram? Pois é. Nem tu, que és de esquerda lembravas né? A força da mídia é evidente. A mídia trocou de lado em questão de dois dias e passou a apoiar o que ela agora chamava de “movimento democrático das ruas, fazendo sempre questão de salientar que a baderna e o quebra quebra eram ação de vândalos e que o movimento contra tudo era “democrático”. Não se furtou no entanto de transmitir ao Brasil e ao mundo, em tempo real, os ataques dos mesmos vândalos, desgastando a imagem do Brasil no mundo, o que ainda nos trará consequências negativas na economia. Aprovada a tal PEC 37, e finalmente as ruas sendo tomadas por palavras de ordem mais claras, como mais dinheiro para a educação, mais dinheiro para a saúde, contra a corrupção e…contra a própria mídia, somem os refletores e transmissões em tempo real e desaparecem as imagens que agora já contam com a bandeiras dos movimentos organizados e dos partidos de esquerda. A pouco mesmo, em pleno sábado, mais de 500 pessoas protestavam em frente a Rede Globo em Brasília. Os Manifestantes querem a Regulação dos Meios de Comunicação. Expressam de forma racional o que de forma irracional gritavam os manifestantes em todos os atos de rua das últimas semanas “Fora Rede Globo”, ou o que expressavam de forma também inconsciente os torcedores em uníssono no Estádio em Minas Gerais: “Ei Galvão, vai tomar no cú” . Diante da crescente pressão pela regulação da mídia, a Presidenta Dilma simplesmente disse para usar o controle remoto. Durante as manifestações eu usei. E não vi nada diferente entre os sinais emitidos por todas as emissoras, que aliás são concessões públicas. Todas, inexoravelmente, com sotaques mais ou menos virulentos, trabalham para desgastar o projeto político que mudou a cara do Brasil. Repetem a exaustão as mentiras, como ensinou Goebels, que elas acabam virando verdades no senso comum, inclusive para muita gente da esquerda. Lembra por que aconteceram todos estes atos Brasil afora? A polícia do Alckmin baixou o cacete num povo que brigava pra baratear as passagens em São Paulo. Mas pela ação desregrada da mídia, a solidariedade aos que apanharam em São Paulo, viraram atos contra tudo e contra todos, em especial contra o Governo. E quando passaram a ser, como o são agora, atos que de fato propõe medidas racionais, como a Reforma Política, a mesma mídia passa a atacar as bandeiras dos movimentos e atos de rua, contratando juristas de meia pataca para opinarem sobre tudo e sobre todos, mas principalmente contra a Reforma Política, que esta sim, se bem discutida com o povo, poderá ensejar uma nova forma de fazer político, sem a pressão do financiamento privado das campanhas, reduzindo em muito as possibilidades de compadrio e corrupção dos políticos. A Presidenta propôs o Plebiscito para contrapor a genérica palavra de ordem “contra a corrupção”. Mas para que vingue o plebiscito, deveria mandar ao congresso também a Lei de regulação dos meios de comunicação. Definitivamente, não é trocando de canal no controle remoto, que faremos as mudanças que este país precisa. E se falei do Controle Remoto, não poderia deixar de falar dos sinais, sobre os quais escrevi um texto aqui no Blog outro diaE aí PT…Viste os Sinais?  A Dilma viu os sinais, verificou o perigoso ataque a democracia que estava acontecendo nas ruas e propôs a Constituinte Exclusiva. O PT, do qual se esperava que suas próceres figuras públicas saíssem a campo logo depois da fala da Presidenta para defender aquilo que é bandeira do PT desde 0 3º Congresso Nacional do Partido em 2005, não saíram. E entra em cena o PMDB, propondo a Dilma o recuo para a posição de Plebiscito. Para o PMDB, até que não é ruim. Se mostrou comprometido com uma democracia parcial, que parece no entanto não ser a opinião de todo o PMDB. Ruim é o PT e a turma não terem entendido de novo os sinais. Os sinais devem estar chegando bem distorcidos aos olhos dos que se acostumaram a olhar o mundo pelas telas da mídia, que mesmo repetidas em suas ondas, podem ter colorações diferentes se trocadas pelo controle remoto.
Mas agora, esta aí o Plebiscito. Então, se os sinais estão claros para todos, hora de garantir que O Voto em Lista, o Financiamento Público de Campanha e a Convocação de uma Constituinte Exclusiva possam estar contempladas na cédula do plebiscito, e que a direção do PT emita os sinais claros para que a militância na rua não tenha sua cara quebrada por que alguns dirigentes estavam perdendo tempo, trocando de sinal pelo controle remoto. Vamos a luta, em defesa da democracia e do Brasil, que hoje é exemplo de desenvolvimento com distribuição de renda, referência para o mundo todo.

1 Resposta para “A PEC37, A Constituinte, o Plebiscito, o Controle Remoto e os sinais”

  1. Emilio Cidjunho 30, 2013 às 9:43 am
    Realmente o grande erro da Dilma foi não ter peitado o monopólio da mídia, logo no início do mandato. Agora tem que remediar…

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    Luiz Müller