DILMA COMANDA A MASSA: “VOCÊS ACHAM QUE HOUVE UM GOLPE NO BRASIL?”
"Siiiim", respondeu o teatro lotado, em Lisboa, que parou para ouvi-la nesta tarde; Dilma subiu ao palco com um cravo na mão, símbolo da revolução portuguesa, e fez um discurso emocionado em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores, que estão sob ataque desde que Michel Temer, que a traiu, subiu ao poder, graças a uma conspiração que envolveu políticos corruptos, citados na lista de Janot, grupos de comunicação e setores do Poder Judiciário, assim como empresários, que hoje veem seus negócios ruírem num Brasil destroçado; com status de popstar, Dilma foi ovacionada; "só a volta à democracia pode salvar o Brasil", afirmou; acompanhe ao vivo
– Vocês acham que houve um golpe no Brasil? – perguntou a presidente eleita e deposta pelo golpe de 2016, Dilma Rousseff.
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– Siiiim – respondeu o teatro lotado, em Lisboa.
Convidada pela Fundação José Saramago a falar sobre democracia e neoliberalismo, Dilma – a presidente legítima do Brasil – foi tratada como popstar em Lisboa.
Já na chegada ao teatro, ela foi ovacionada pela plateia, aos gritos de "Dilma, guerreira, do povo brasileiro".
– Só a volta à Democracia pode salvar o Brasil – disse Dilma, que subiu ao palco do Teatro Trindade, um dos mais tradicionais de Lisboa, segurando um cravo vermelho, símbolo da revolução que derrubou a ditadura e devolveu a democracia a Portugal em 1974.
Ela também falou sobre os vários retrocessos do governo Temer, que, nesta quarta-feira 15, foi alvo de protestos gigantescos em várias capitais do Brasil.
– Essa emenda à Constituição aprovada no Brasil é algo que nenhum país do mundo aprovou. A população pode não sentir agora, mas vai afetar profundamente a saúde e a educação – disse Dilma, ao falar sobre a PEC que congelou gastos públicos por vinte anos.
Ela também disse que a reforma da Previdência tem como objetivo oculto matar o setor de seguridade pública, transferindo recursos para o setor financeiro privado.
– Vai enfraquecer a previdência pública. As pessoas vão pensar: Se eu não posso me aposentar integralmente, por que é que eu vou pagar a previdência? Isso diminui a previdência pública e com isso deslocam-se bilhões de dólares pra iniciativa privada.
A presidente Dilma também falou sobre mais um desastroso da era Temer: o primeiro aumento da desigualdade em 22 anos (leia mais aqui).
– Quando você aumenta a desigualdade, em qualquer país do mundo, isso significa que o governo não está atendendo as necessidades do povo. E com isso o povo se distância da política, que é substituída por símbolos e salvadores da pátria – pontuou Dilma, alertando para o risco da escalada fascista no Brasil.
- Tem golpe maior do que aplicar um programa que não foi aprovado nas urnas?, questionou ainda, lembrando da votação na Câmara dos Deputados que aprovou a abertura do processo de impeachment em abril do ano passado: "Vota no impeachment pelo marido e ele é preso no dia seguinte?"
Dilma reforçou o discurso de que existe um interesse no Brasil de tirar o ex-presidente Lula da próxima eleição. "Podem mudar a lei, dizendo que um presidente que já se elegeu duas vezes não pode concorrer para uma terceira", previu.
Enquanto Dilma brilha na Europa, o governo Temer chafurda na lama (leia aqui), com vários ministros atolados até o pescoço em esquemas de corrupção, assim como outros protagonistas do golpe, como os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP).
Reforma da Previdência: 'está caindo a ficha da população'
Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP), acredita que a recepção popular aos atos de hoje mostra que as pessoas estão mais conscientes dos efeitos da PEC 287
por Redação RBApublicado 15/03/2017 16h22
RODRIGO GOMES/RBA
Antes do início da concentração para o ato, a Avenida Paulista já tinha uma pista interditada por manifestantes
São Paulo – Depois de um dia de intensa mobilização, com paralisações de motoristas de ônibus, metroviários, bancários e servidores públicos de várias áreas em todo o país, milhares de manifestantes já estão reunidos na Avenida Paulista para protestar contra a reforma da Previdência. Os manifestantes querem a rejeição total da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, que determina alterações no sistema previdenciário brasileiro. Por volta das 15h30, a pista no sentido Consolação já estava fechada.
Uma das primeiras lideranças a chegar na manifestação, Raimundo Bonfim, coordenador geral da Central de Movimentos Populares (CMP), vê com otimismo a forte presença popular nos protestos. "Está caindo a ficha da população. No momento do impeachment a coisa era mais politizada, mais difícil de debater e de dialogar com a população. Nesse momento, é uma questão concreta, a população está fazendo as contas. Não é uma coisa que depende de filiação partidária, o prejuízo vai ser de todos os trabalhadores pobres", avalia.
Bonfim destaca ainda o fato de os metroviários terem sido aplaudidos pela população na manhã desta segunda-feira, ao explicarem os motivos da paralisação para usuários que não puderam utilizar o transporte. E isso, segundo ele, ocorreu mesmo com parte da mídia não divulgando as motivações dos atos, falando somente do "transtorno" que os movimentos estariam causando, omitindo se tratar de uma mobilização para barrar a reforma da Previdência. “Isso demonstra que a população está consciente do que está acontecendo”, aponta.
Movimentos sociais e centrais sindicais consideram que a reforma acaba com a possibilidade da maior parte da população conseguir se aposentar, abrindo espaço para os bancos oferecerem planos de previdência privada. Os trabalhadores também ressaltaram que o argumento do governo Temer sobre o déficit na Previdência é falacioso, já que desconsidera que o orçamento da Seguridade Social contempla previdência, assistência social e saúde, e não apenas o pagamento dos benefícios previdenciários. Outro ponto destacado pelos opositores da reforma é que há muitas desonerações aplicadas pelo governo federal que reduzem o montante arrecadado pela Previdência, além de dívidas da ordem de R$ 487 bilhões.
Algumas categorias paralisaram as atividades durante todo o dia, como bancários, metroviários e professores. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) estima que um milhão de docentes pararam suas atividades em todo o país.
Outros profissionais cruzaram os braços somente por uma período, como os motoristas e cobradores de ônibus da capital paulista, que pararam da meia-noite até as 8h. Os ônibus municipais e intermunicipais de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano, Mogi das Cruzes e Santa Izabel também não operaram pela manhã.
A equipe do Instituto Lula foi à Paraíba nesta terça-feira (14) para fechar a programação da visita de Lula e Dilma Rousseff ao município de Monteiro, no próximo domingo (19). Os ex-presidentes vão conferir a chegada das águas da transposição do Rio São Francisco ao Estado. Na comitiva, além de políticos, há a expectativa da ida do cantor e compositor Chico Buarque. “Vamos fechar a programação amanhã com a equipe do Instituto Lula. Está confirmada a vinda de vários senadores, deputados federais e estaduais e de prefeitos e vereadores da região. Além, disso estamos esperando a confirmação da presença de Chico Buarque”, contou o secretário geral do PT da Paraíba, Jackson Macedo, que espera reunir um público de mais de 50 mil pessoas.
A direita tenta desviar a atenção das suas responsabilidades pela morte da Dona Marisa, para não encará-las de frente. Do silencio cúmplice e covarde de Moro às acusações a Lula de jogar na cara dos facínoras as responsabilidades e reivindicar o direito de lutar para que peçam desculpas à sua companheira, tudo revela a falta de coragem da direita de assumir as consequências dos seus atos.
Dona Marisa foi mais uma vítima do regime de exceção – essa nova modalidade de golpe de Estado – que assola o país. Não fosse esse regime, não haveria a reiteração das acusações sem fundamento a Lula – que se estenderam a ela -, não haveria a invasão violenta da casa deles, a tentativa de prisão do Lula, as revelações públicas de telefonemas privados deles, as acusações a seus filhos, as acusações sobre apartamentos e sítios que, se fossem de políticos de direita, nem teriam sido mencionados.
Em suma, Lula e Marisa são vítimas do regime de exceção que assaltou o Estado por meio de um golpe parlamentar-midiático-jurídico e agora tenta asfixiá-los. Ele, tentando tira-lo, no tapetão, de uma eleição em que o povo o colocará de novo na presidência do Brasil e desfará as arbitrariedades que tem sido feitas com o país, com a democracia e com o seu povo. Ela, por colocar sobre ela toda a pressão de acusações sem provas, da compra de um apartamento, dos pedalinhos num sítio, de uma conversa telefônica privada.
Lula e Marisa estão acompanhados, como vítimas de um governo de traição ao pais, do Estado brasileiro, vítima da desconstrução feita pelo governo golpista, com a Petrobras e o pré-sal em primeiro lugar; dos trabalhadores brasileiros, que veem seus direitos atacados, por propostas de terceirização, de precarização das relações de trabalho, valendo-se do brutal nível de desemprego que impõem; do povo brasileiro, que perde os direitos conquistados nos governos do PT; da soberania nacional, avassalada por uma política externa de subordinação aos interesses das grandes potências.
O regime de exceção se vale do golpe militar, do terrorismo promovido pela mídia monopolista privada e por um STF acovardado e cumplice, para instaura no país uma forma de governo baseada na suspensão dos direitos básicos da cidadania. Se uma presidenta reeleita pelo voto popular pode ser destituída sem crimes de responsabilidade, diante do silencio cumplice do STF; se Dona Marisa pode ter sua privacidade invadida, sem nenhuma ordem judicial, sem provas nas acusações que lhe são feitas; se o Lula pode ser feito réu em tantos processos, sem nenhuma prova concreta; se se tira do povo o direito de decidir quem deve presidir o pais e se ameaça com tirar da disputa eleitoral o melhor presidente que o Brasil já teve e favorito do povo para voltar a dirigi-lo; se se cometem tantas arbitrariedades em nome de uma suposta excepcionalidade, é porque a democracia foi suspensa, substituída por um regime de exceção.
Foi a partir do golpe que o Brasil passou a viver uma situação excepcional, com a ruptura do processo democrático, com a perseguição sem provas, com a ameaça de aprovação pelo Congresso de um conjunto de leis que dariam poder absoluto a um conjunto de juízes que pretendem usurpar os direitos que o povo conquistou na democracia e se erigir como "salvadores" de uma democracia da qual eles são o grande perigo.
A luta pela reconquista da democracia é a grande batalha do Brasil hoje. Para isso é preciso construir novo grande acordo nacional com todos os que se comprometem com a recuperação das eleições diretas para presidente e com o fim do arbítrio judicial e policial. Com a extinção de todos os processos arbitrariamente constituídos, pelo poder concentrados de juízes que pretender se sobrepor ao país e à democracia. Com a restauração da prioridade do crescimento econômico com distribuição de renda. Com o resgate do patrimônio público que está hoje sendo ameaçado por privatizações ilegais e antinacionais. Com o retorno de uma política externa digna e soberana, voltando a priorizar os processos de integração regional e de intercâmbios Sul-Sul, com o aprofundamento da integração do Brasil aos Brics e à construção de um mundo de paz, de cooperação entre os governos e de multipolaridade.
Dona Marisa foi vítima desse regime de exceção. Sua morte foi política, sua doença foi resultado das perseguições cruéis e arbitrarias de que foi vítima. Lutar, como disse o Lula, para que se faça justiça a ela, é lutar para que se termine com o regime político antidemocrático, para que o perdão a ela seja pedido por um governo legitimamente eleito pelo povo.
ASSANGE: TEMER TROCOU SEGREDOS DO BRASIL POR APOIO DOS ESTADOS UNIDOS
Em entrevista exclusiva ao escritor Fernando Morais, editor do Nocaute, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou que Michel Temer forneceu informações estratégicas sobre o Brasil à embaixada norte-americana, em troca de apoio dos Estados Unidos ao golpe parlamentar de 2016; "Michel Temer teve reuniões privadas na embaixada dos Estados Unidos e forneceu informações políticas às quais muitos não tinham acesso. Não digo que ele tenha sido um espião pago. Falo de outra coisa: de trocar informação por apoio político", afirma; administração de Barack Obama, que tem John Kerry como secretário de Estado, apoiou três golpes recentes na América Latina: os de Honduras, Paraguai e Brasil
247 – Em entrevista exclusiva ao escritor Fernando Morais, editor do Nocaute, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, afirmou que Michel Temer forneceu informações estratégicas sobre o Brasil à embaixada norte-americana, em troca de apoio dos Estados Unidos ao golpe parlamentar de 2016.
"Michel Temer teve reuniões privadas na embaixada dos Estados Unidos e forneceu informações políticas às quais muitos não tinham acesso. Não digo que ele tenha sido um espião pago. Falo de outra coisa: de trocar informação por apoio político", afirma.
A administração de Barack Obama, que tem John Kerry como secretário de Estado, apoiou três golpes recentes na América Latina: os de Honduras, Paraguai e Brasil. Isso explica por que Temer e seu chanceler José Serra torceram tanto por Hillary Clinton na disputa eleitoral norte-americana em 2016.
A íntegra da entrevista com Assange será publicada nesta semana pelo Nocaute.
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