quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Cidade Linda começa 'varrendo' moradores de rua na zona leste - Rede Brasil Atual

GESTÃO DORIA

Cidade Linda começa 'varrendo' moradores de rua na zona leste

Pastoral denuncia que até medicamentos foram apreendidos durante remoção no parque da Mooca
por Redação RBA publicado 04/01/2017 14:32, última modificação 04/01/2017 14:36
REPRODUÇÃO/TVT
pop rua
'Levaram todos os pertences da gente. Coberta, manta, alimentação, blusas, tudo'
São Paulo – Horas depois de o novo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), posar para as câmeras vestido de gari, no lançamento do programa Cidade Linda, cerca de 70 moradores de rua foram expulsos do Parque da Mooca, na zona leste da capital, e tiveram todos os seus pertences apreendidos.
Um morador de rua que não quis se identificar explica como foi a operação, na última segunda-feira (2): "Levaram todos os pertences da gente. Coberta, manta, alimentação, blusas, tudo. A gente só está com a roupa do corpo. Se não fosse o padre ajudar, estaríamos dormindo no chão".
Coordenador da Pastoral da População de Rua, o padre Júlio Lancellotti questiona se as pessoas nessa situação continuarão a ser varridas junto com a sujeira. "rapa tira a roupa, tira documentos, os remédios, tira tudo. Toda vez que fizerem, nós vamos denunciar", afirmou em entrevista à repórter Vanessa Nakasato, para o Seu Jornal, da TVT.
Indignado com a ação, o padre cobrou explicações da secretária municipal de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra. "O pessoal passou dos limites". Ele propõe uma reunião de emergência com as autoridades municipais para tratar da questão.

Ambulantes na mira

Também faz parte do programa Cidade Linda remover das ruas os ambulantes sem o chamado Termo de Permissão de Uso (TPU) para comércio ambulante. Segundo o Dieese, em 2015, existiam cerca de 150 mil ambulantes na capital paulista. Com a crise econômica, o Sindicato dos Microempreendedores e Economia Informal do Estado de São Paulo estima que este número subiu para 200 mil. Desse total, menos de 5% conta com autorização para trabalhar.
De acordo com o presidente do sindicato dos ambulantes, Jurassir Sampaio, desde 2002, durante a gestão Marta Suplicy, não são emitidas novas licenças. Entre 2005 e 2012, mais de 3.500 licenças foram cassadas.
"Ele (o prefeito João Doria) vai ter que negociar com, no mínimo, 200 mil pessoas. Aonde vai arrumar emprego para esse pessoal? Com ele, ou sem ele, o pessoal vai tentar a vida, para a sua sobrevivência", afirma Jurassir.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Denunciada violência policial em protesto contra PEC da morte: “Manifestantes que pedem a volta do regime militar têm livre circulação, inclusive armados”

Denunciada violência policial em protesto contra PEC da morte: “Manifestantes que pedem a volta do regime militar têm livre circulação, inclusive armados”

16 de dezembro de 2016 às 18h17

  
Manifestação Brasília e rollemberg Parlamentares, entidades e movimentos sociais protocolam denúncia contra arbitrariedades policiais em manifestação no DF
Entidades, organizações da sociedade civil e parlamentares protocolaram junto ao governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e à secretária de Segurança Pública e Paz Social, Márcia de Alencar Araújo, uma denúncia da ação policial abusiva e arbitrária no contexto da manifestação ocorrida em Brasília no último dia 13, contra a aprovação da PEC 55 pelo Senado Federal.
A denúncia relata preocupação com as sistemáticas violações ao exercício da cidadania e do direito à manifestação, garantidos pelo artigo 5º da Constituição Federal, questionando a razão de um forte aparato repressivo impedindo o exercício do direito de ir e vir.
“O inexplicável isolamento do espaço público, com fechamento de vias, é uma primeira ofensa à Constituição da República”, diz o texto. Os signatários da denúncia estranham, também, a diferença de tratamento de manifestantes, uma vez que para aqueles que foram à Esplanada pedir o impeachment da então presidenta Dilma Rousseff e a volta do regime militar tiveram livre acesso e circulação nos arredores do Congresso Nacional, inclusive armados.
Outro ponto levantado foi o uso abusivo da força e violência policial. Vídeos e reportagens veiculadas pela imprensa mostram arbitrariedades e uso de spray de pimenta contra pessoas que sequer participavam da manifestação, o que denota ausência de risco para a atuação policial que justificasse tais medidas.
O desfecho da ação policial, que culminou na prisão de 72 manifestantes, foi eivado de ilegalidades, aponta a denúncia. Os manifestantes foram detidos sem que suas condutas individuais fossem individualizadas, o que é uma prática ilegal. Além disso, a Polícia Civil vetou o acesso a advogados, direito constitucional que somente teve sua garantia após a chegada de deputados federais à delegacia.
Por fim, a tentativa de enquadramento dos 72 presos na Lei de Segurança Nacional, com a alegação de que cometeram “depredação por inconformismo político”, é um indício da tática de criminalização de movimentos sociais.
Elaborada durante o regime militar e, incompatível, portanto, com o regime democrático, a Lei de Segurança Nacional teve sua revogação solicitada pelo relatório final da Comissão Nacional da Verdade, instituída pela Presidência da República, segundo o documento.
Após a intervenção e pressão de parlamentares, advogadas e advogados populares, inclusive o membro da equipe jurídica da CDHM, Leonardo Santana, a Polícia Civil optou por enquadrar as 72 pessoas por dano, fora da Lei de Segurança Nacional e que prevê a assinatura de termo circunstanciado, garantindo que todos fossem libertados, o que ocorreu por volta de 5h da quarta-feira (14.12).
“Considerando a obrigação do Estado de investigar e, se for o caso, julgar e punir violações de Direitos Humanos (…) os requerentes vem dar ciência formal dos fatos e requerer que sejam empreendidos todos os esforços e adotadas todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis a fim de investigar os fatos e, se for o caso, julgar e punir os responsáveis”, completa a denúncia.
Signatários
Assinam a denúncia os seguintes movimentos sociais e entidades da sociedade civil abaixo relacionadas:
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
Conselho Indigenista Missionário (Cimi)
Artigo 19, Articulação, Justiça e Direitos Humanos – JUSDH
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Terra de Direitos
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Coletivo Margarida Alves de Assessoria Parlamentar
Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT/DF)
Justiça Global, Comitê Brasileiro de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos
Plataforma de Direitos Humanos – DHESCA Brasil, Grupo Tortura Nunca Mais – Bahia
Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, Centro de Direitos Humanos de Sapopemba
Rede Social de Direitos Humanos, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Central dos Movimentos Populares (CMP)
Marcha Mundial das Mulheres, Levante Popular da Juventude
Frente Brasil Popular do Distrito Federal
Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais – AATR
Rede Nacional de Advogados Populares – RENAP
Centro Dom Hélder Câmara de Estudos e Ação Social – CENDECH
Rede Nacional de Negras e Negros LGBT – Rede Afro LGBT
Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social
Assinam também:
Michel Platini Gomes Fernandes, presidente do Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos
Fabio Felix da Silveira, presidente do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente – CDCA/DF
Alexandre Varela, membro do Conselho Distrital de Segurança Pública (Condisp)
Patrick Mariano Gomes, advogado que protocolou a denúncia
Os deputados federais:
Padre João (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados
Afonso Florence (PT-RS)
Chico Alencar (PSOL-RJ)
Edmilson Rodrigues (PSOL-PA)
Glauber Braga (PSOL-RJ)
Ivan Valente (PSOL-SP)
Jandira Feghali (PCdoB-RJ)
Jean Wyllys (PSOL-RJ)
João Daniel (PT-SE)
Luiza Erundina (PSOL-SP)
Marcon (PT-RS)
Nilto Tatto (PT-SP)
Patrus Ananias (PT-MG)
Paulo Pimenta (PT-RS)
Valmir Assunção (PT-BA)
Wadih Damous (PT-RJ)
Os senadores:
Humberto Costa (PT-PE)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Paulo Paim (PT-RS)
Paulo Rocha (PT-PA)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

JN: Temer, Padilha e Moreira estão no bolso da Odebrecht