quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Milagre de Nossa Senhora Aparecida para quem a chutou

Sueli Samça Camargo compartilhou a foto de Tiago Santos.
Lembra do Pastor que chutou N.Sra. APARECIDA? *
 Você se lembra do pastor Sérgio Von Helder?
Para refrescar a sua memória: 12 de outubro de 1995 , dia de Nossa
Senhora Aparecida, durante o programa "Palavra de Vida", transmitido
pela TV Record, o pastor Von Helder teve o que podemos chamar de acesso
de fúria, descontrole e total falta de respeito pela crença alheia e
começou a chutar a imagem da padroeira do Brasil, gerando uma das
maiores polêmicas religiosas da história recente do nosso país. **
O "bispo" da Igreja Universal do Reino de Deus acabou condenado por
"incitar a discriminação de preconceito religioso, por meio de palavras
e gestos", mas a maior pena ele nunca imaginava qual seria...

Um dia desses, na TV Canção Nova (canal 20 UHF RJ), durante a homilia o
Padre Edmilson relembrou o fato que nos parecia tão distante, mas que
ele trouxe à tona pelo final mais do que surpreendente.

Um tempo depois do episódio, o pastor Von Helder passou a sentir fortes
dores na perna esquerda, a mesma que ele havia chutado a imagem da santa.
Aos poucos as dores até então sem explicação foram aumentando até um
ponto que ele teve que procurar auxílio médico. Von Helder tentou vários
tipos de tratamentos no país, mas sem nenhum resultado... a dor
simplesmente não melhorava.

Recomendado pelos médicos, Sérgio foi procurar ajuda nos Estados Unidos,
numa clínica especializada. E lá passou um bom tempo internado. Segundo
o próprio Sérgio, o tratamento era o melhor possível e o atendimento
exemplar.
Mas havia uma enfermeira que sempre lhe dedicou uma atenção especial,
acompanhando-o durante todos os momentos difíceis e de muita dor,
principalmente durante as noites em que a dor insistia em não passar,
cuidando de sua perna e dando-lhe conforto e esperança. E assim o tempo
passou e aos poucos o tratamento foi dando resultado, até a cura
completa.
Sua alegria era tanta que, comovido, resolveu dar uma festa de
agradecimento e despedidas para toda equipe que havia cuidado dele. **
Durante a festa, Sérgio notou que a tal enfermeira, que havia sido tão
importante em sua recuperação, não estava lá. Então foi procurar o
diretor da clínica para saber do seu paradeiro. Perguntou a ele onde
estava a tal enfermeira, negra, simpática e atenciosa, que havia
confortado-o em todas as noites de dor e desesperança... Para o espanto
de Sérgio, o diretor falou
desconhecer tal enfermeira e que não havia nenhuma enfermeira negra
trabalhando naquela área do hospital. Sérgio ainda insistiu, perguntando
inclusive para outros médicos e enfermeiras se não poderia ser de alguma
outra área, mas ninguém fazia idéia de quem ela fosse..
Foi aí que o ex-pastor Sergio Von Helder caiu de joelho aos prantos, no
meio da festa, se dando conta do que tinha acontecido... Ninguém
entendeu nada na hora, mas não havia o que entender. Sérgio se deu conta
de que, neste tempo todo, a enfermeira que esteve ao seu lado em todos
os momentos de dor e dificuldade era Nossa Senhora Aparecida. Tomado de
vergonha e remorso, o Sérgio se converteu ao catolicismo e hoje conta a sua história para
quem quiser ouvir... um testemunho de fé tardia, mas nunca é tarde para
a bondade infinita de Deus e o carinho e amor maior de Maria, nossa Mãe,
que mesmo humilhada não abandonou seu filho na doença.

Pra quem quiser conferir o depoimento do ex-pastor, fique atento por
que a Canção Nova vai transmiti-lo em breve.

AMIGOS ESSA MENSAGEM É PARA QUE NUNCA A GENTE DUVIDE DO PODER DE NOSSA SENHORA.
** MANDE AOS SEUS AMIGOS(AS) .

"Felizes daqueles que crêem sem nunca terem visto"
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STF nega liminar contra Mais Médicos. Juiz acusa entidade de buscar reserva de mercado

STF nega liminar contra Mais Médicos. Juiz acusa entidade de buscar reserva de mercado

Matéria da Rede Brasil Atual
 
Marco Aurélio Mello deixa decisão para plenário da Corte. Magistrado de Minas diz que CRM deve refletir se é melhor que paciente seja assistido por estrangeiro ou padeça sem atendimento
por Redação RBA publicado 28/08/2013 14:45, última modificação 28/08/2013 20:06
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Marco Aurélio Mello deixa decisão para plenário da Corte. Magistrado de Minas diz que CRM deve refletir se é melhor que paciente seja assistido por estrangeiro ou padeça sem atendimento
Cadu Rolim/Fotoarena/Folhapress
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Desde que o Mais Médicos foi anunciado, em julho, despertou resistência de setores da categoria
São Paulo – Os adversários do programa federal Mais Médicos sofreram hoje (28) duas derrotas na tentativa de derrubar a iniciativa por meio de medida judicial. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou no começo da noite que rejeitou pedido de liminar apresentado pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). Mais cedo, a Justiça Federal em Minas Gerais havia recusado contestação apresentada pelo Conselho Regional de Medicina.
Ao negar a liminar, o ministro  entendeu que cabe ao plenário do Supremo decidir se as regras constitucionais de urgência foram cumpridas na Medida Provisória 621, de 2013, que criou o Mais Médicos. “Descabe, no entanto, nesse campo de relevância e urgência, implementar ato precário e efêmero, antecipando-se à visão do colegiado, não bastasse o envolvimento, na espécie, de valores a serem apreciados. Deve-se aguardar o julgamento definitivo da impetração”, afirmou Marco Aurélio.
O ministro também é o relator da ação direta de inconstitucionalidade (ADI) impetrada pela Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) para suspender o Programa Mais Médicos. Na ação, as duas entidades alegam que a contratação de profissionais formados em outros países sem que sejam aprovados no Exame Nacional de Revalidação de Diplomas (Revalida) é ilegal.
Antes, o juiz João Batista Ribeiro, titular da 5ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, negou liminar pedida pelo Conselho Regional de Medicina (CRM-MG) daquele estado contra o programa federal. Ao tomar a decisão, publicada hoje (28), o magistrado advertiu que a entidade busca promover reserva de mercado com a tentativa de se ver dispensada de conceder registro provisório aos profissionais com diploma estrangeiro que chegaram ao país desde a última semana.
“O órgão de fiscalização da classe ao decidir pela não admissão do registro temporário dos médicos intercambistas, ajuizando a presente demanda para desobrigá-lo de efetuar o referido registro provisório pretende instaurar uma verdadeira 'batalha'”, critica, “visando a preservação de uma reserva de mercado aos médicos formados em instituições de educação superior brasileira ou com diploma revalidado no país, em que as vítimas, lamentavelmente, são os doentes e usuários dos órgãos do sistema público de saúde.”
Na visão do CRM-MG, a Medida Provisória 621, de 2013, é inconstitucional porque não há urgência na questão, requisito para a edição de uma MP, e porque a dispensa de revalidação de diploma entraria em conflito com o artigo 196 da Carta Magna, que preconiza a saúde como “direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.
Mas, para o juiz, trata-se da primeira oportunidade na história do Brasil para que a população “carente e marginalizada”, moradora dos “rincões”, tenha a possibilidade de prolongar a expectativa de vida por meio do atendimento médico adequado.
Os 682 médicos com diplomas do exterior começaram na segunda-feira um curso com duração de três semanas que inclui treinamento técnico para entender o funcionamento do sistema de atenção básica brasileiro e avaliação da proficiência em português, outra argumentação do CRM que foi dispensada pelo juiz. “É de se indagar o que é pior: ser atendido pelo médico intercambista, cuja revalidação do diploma, em caráter excepcional foi dispensada, para atender à necessidade temporária de excepcional interesse público, ou continuar sem assistência alguma?”
Na semana passada, o presidente do conselho regional mineiro, João Batista Gomes Soares, afirmou que orientaria a categoria a não tratar pacientes vítimas de eventuais falhas dos médicos cubanos. “Se ouvir dizer que existe um médico cubano atuando em Nova Lima, por exemplo, mando uma equipe do CRM-MG fiscalizar. Chegando lá, será verificado se ele tem o diploma revalidado no Brasil e a carteirinha do CRM-MG. Se não tiver, vamos à delegacia de polícia e o denunciamos por exercício ilegal da profissão, da mesma forma que fazemos com um charlatão ou com curandeiro”, afirmou.
O CRM argumenta que o Mais Médicos fere a Constituição também na visão de que o exercício da profissão é livre. O contrato de três anos firmado com o Ministério da Saúde prevê que o médico possa atender apenas na localidade para a qual foi selecionado, com salário de R$ 10 mil ao mês, mais ajuda de custo que varia de um a três salários de acordo com a região do país.
Além disso, na visão da entidade, a dispensa de diploma coloca em risco a população, tese com a qual o juiz não concordou. Para ele, o livre exercício da profissão garantido pela Carta Magna não é um valor ilimitado, ou seja, pode haver uma limitação de acordo com as necessidades em jogo.
João Batista Ribeiro concorda com a tese do Ministério da Saúde de que a restrição geográfica é necessária para garantir que os médicos formados no exterior não passem a concorrer no mercado nacional, deixando de lado o objetivo fundamental pelo qual vieram ao país, ou seja, o oferecimento de saúde em lugares desassistidos. “Configurando o ato normativo impugnado, sem qualquer sombra de dúvida, política pública de saúde da maior relevância social de sorte que o bem da vida, que está sob perigo real e concreto, deve ter primazia sobre todos os demais interesses juridicamente tutelados”, argumenta.

Cubanos chegam e já diagnosticam a doença do Brasil

28/08/2013

Cubanos chegam e já diagnosticam a doença do Brasil

Saul Leblon para a Carta Maior


 

Eles desembarcaram há apenas quatro dias.

Ainda nem começaram a trabalhar. Mas alguma coisa de essencial já foi diagnosticada entre nós, apenas com a sua presença.

Uma foto estampada na Folha de S. Paulo desta 3ª feira sintetiza a radiografia que essa visita adicionou ao diagnóstico da doença brasileira.

Um médico negro avança altivo pelo corredor polonês que espreme a sua passagem na chegada a Fortaleza, 2ª feira.

O funil do constrangimento é formado por jovens de jaleco da mesma cor alva da pele.

Uivam, vaiam, ofendem o recém-chegado.

Recitam um texto inoculado diuturnamente em sua mente pelas cantanhêdes, os gasparis e assemelhados.

Centuriões de um conservadorismo rasteiro, mas incessante.

É força de justiça creditar a esse pelotão a paternidade da linhagem, capaz de cometer o que a foto cristalizou para a memória destes tempos.

“Escravo!” “Escravo!” “Escravo!”.

Ecoa a falange cevada no pastejo da semi-informação, do preconceito e das tardes em shopping center.

Foi programada para cumprir esse papel, entre outros, de consequências até mais letais para a democracia e a civilização entre nós.

Um desembarque que em outros países seria motivo de festas, homenagens e bandas de música.

Aqui é emoldurado pelo espetáculo deprimente de uma classe média desprovida de discernimento sobre o país em que vive, o mundo que a cerca e as urgências da sociedade que lhe custeou o estudo.

Para que agora sabotasse a assistência cubana aos seus segmentos mais vulneráveis, aos quais ela se recusa a atender.

Os alvos da fúria deixaram família, rotinas e camaradagem para morar e socorrer habitantes de localidades das quais nunca ouviram falar.

Mas que a maioria dos brasileiros também sequer desconfia que existam.

Com o agravante de que ali talvez jamais pousem seus pés. Coisa que os cubanos farão. Por três anos.

E que graças a eles, agora saberemos que existem.

Se o governo for safo – espera-se que seja – fará do Mais Médico uma ponte de conexão de nós com nós mesmos.

O futuro da democracia agradecerá.

Os pilares dessa ponte, de qualquer forma, são os que transitam agora altivos diante da recepção que indigna o Brasil aos olhos do mundo.

Perfis médicos ainda improváveis entre nós, apesar do Prouni e das cotas satanizadas pela mesma cepa mental adestrada em compor corredores e funis.

Nem sempre físicos, como agora.

Mas permanentemente intolerantes, na defesa da exclusão e do privilégio.

Formados em uma ilha do Caribe desguarnecida de recursos, por uma escola de medicina que contorna a tecnologia cara, apurando a excelência do exame clínico – aquele em que o médico demora uma hora ou mais com o paciente, rastreando o seu metabolismo – eles passarão a cuidar da gente brasileira pobre e anônima. (Leia a excelente entrevista de Najla Passos com a doutora Ceramides Carbonell sobre a formação de um médico em Cuba).

Campos Alegres de Lourdes, Mansidão, Carinhanha, beira do São Francisco, Cocos, Sítio do Quinto, Souto Soares... Quem conhece esse Brasil?

É para lá que eles vão. E para mais 3.500 outras localidades.

Um Brasil esquecido, em muitos casos, mantido na soleira da porta, do lado de fora do mercado e da cidadania.

Que sempre esteve aí. Mas que agora, pasmem, terá um sujeito interessado em ouvir o que sua agente tem a dizer, esforçando-se por entender pronúncias que até nós, os locais, muitas vezes teríamos dificuldade de discernir.

O ‘doutor de Cuba’ de fala estrangeira e jeito parecido com a gente vai examinar, apalpar dores, curar vermes, prescrever cuidados, encaminhar cirurgias, ouvir e confortar.

Com remédios, atenção e esperança.

Houve um tempo em que essas expedições a um Brasil distante do mar eram feitas por brasileiros, e de classe média.

Protagonistas de um relato épico, de nacionalismo não raro ingênuo. Mas que aproximava e treinava o olhar do país sobre ele mesmo.

Coisa que a hiper-conexão disponível agora poderia fazer até melhor.

Não fosse a determinação superior de afastar e dissimular, o que muitas vezes se alcança destacando o pitoresco.

Em detrimento do principal: as questões do nosso tempo, do nosso desenvolvimento, as escolhas que elas nos cobram. E os interesses que as bloqueiam.

Tivemos a Coluna Prestes, nos anos 20.

Os irmãos Villas Boas, apoiados por malucos como Darcy Ribeiro e entusiastas como Antonio Calado, fizeram isso nos anos 40/50 e início dos 60, quando foi criado o Parque Nacional do Xingu.

Trouxeram a boca do sertão para mais perto do olhar litorâneo e urbano.

Desbastavam distancias a facão.

Na raça, traziam horizontes, aproximavam rios, tribos, desafios e, de alguma forma, semeavam um espírito de pertencimento a algo maior que a linha do mar e a calçada de Copacabana.

A utopia geográfica, se por um lado borrava os conflitos de classe, ao mesmo tempo colidia com o país real que os esperava em cada socavão, de trincas sociais, fundiárias, étnicas e econômicas avessas à neblina da glamorização.

Paschoal Carlos Magno, a UNE e o CPC, o Centro Popular de Cultura, fariam o mesmo nos anos 60, antes do golpe militar.

As famosas ‘Caravanas do CPC’ rasgaram o mapa do sertão, a exemplo do que fizeram as Caravanas da Cidadania, de Lula, nos anos 80.

Desceriam o São Francisco nas gaiolas lendárias para garimpar e irradiar a cultura popular em lugares onde agora, possivelmente, um doutor cubano irá se instalar.

Caso de Carinhanha, um dos mais belos entardeceres do São Francisco.

Onde foi que a seta do tempo se quebrou?

Por que já não seduz a grande aventura de nossa própria construção terceirizada, por décadas, aos mercados autoregulados?

Uma leitora de Carta Maior, Odette Carvalho de Lima Seabra, resume em comentário enviado ao site o núcleo duro do problema.

“ A geração dos nossos jovens doutores”, escreve, “ jamais compreenderá de que se trata. Foram criados nos shopping centers. A escola secundária limitadíssima no seu alcance humanístico os fez também vítimas sem que o saibam que são. Uma revolução que durou vinte anos e cujo sentido era o de esvaziar de sentido a vida de todos nós deixou no seu rescaldo, esse bando de jovens, como são os nossos doutores, muito alienados. É tempo de aprender com os cubanos”,
conclui Odette.

Colocado nos seus devidos termos, o impasse readquire a clareza histórica de que se ressente a busca de soluções.

Entre indignado e estupefato, o conservadorismo nega aos visitantes cubanos outra referência de exercício da medicina que não a dos valores argentários.

Ética médica, solidariedade, internacionalismo e humanismo formam uma constelação incompreensível a quem divide o mundo entre consumidores e escravos.

À esquerda, no entanto, cabe também evitar simplificações.

Se quiser enxergar a real abrangência das tarefas em curso, é preciso admitir que não estamos diante de uma batalha entre anjos e demônios.

Os médicos do Caribe não nascem bonzinhos. Tampouco endemoninhados, os dos trópicos.

Eles são formados assim. Por instituições.

A escola, por certo, mas a mídia, sem dúvida, que a completa pelo resto da vida.

É vital que o governo, lideranças sociais e os intelectuais compreendam o fundamental em jogo.

Se quisermos colher frutos duradouros com o ‘Mais Médicos’, o passo seguinte do programa terá que ser a reforma universitária brasileira.

Que reaproxime universidade e a juventude das grandes tarefas coletivas do nosso tempo.

As diferenças entre a formação do cubano hostilizado na chegada a Fortaleza, e aqueles que o ofendiam não são apenas de ordem técnica.

Mas, sobretudo, de discernimento diante do mundo.

A ponto de um não achar estranho sair de seu país para ajudar um outro.

Nem considerar despropositado que parte de seu ganho se transforme em fundo público de reinvestimento.

O oposto das convicções dos que o agraciavam com o corolário de sua própria servidão.

Esse talvez seja o aspecto mais chocante da visita que acaba de chegar.

E, sobretudo, o mais instrutivo.

Ela escancara a doença social que corrói o nosso metabolismo. E adverte para as limitações que irradia.

Na sociedade que estamos construindo.

Na mentalidade que vai se sedimentando. No risco que ela incide sobre o todo.

Para que o ‘Mais Médicos’ um dia possa ser dispensável, o Brasil precisa se tornar ele próprio um grande ‘Mais Solidariedade’.

Como faz Cuba desde 1959, com todos os seus erros, acertos e percalços.
Postado por Saul Leblon às 05:15

Após denúncias de "médicos fantasmas", secretário de Saúde é exonerado

Após denúncias de "médicos fantasmas", secretário de Saúde é exonerado
 
 
Esse é o cotidiano dos médicos brasileiros contrários ao Programa Mais Médicos e que estão vaiando os médicos cubanos que estão chegando para  curar e cuidar da população brasileira


Do UOL, em São Paulo
 
As reportagens exibidas nesta semana pelo SBT Brasil que mostra médicos saindo do Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama (RJ), logo após baterem o ponto, provocou a exoneração do secretário de Saúde do município, José Gomes de Carvalho, nesta quarta-feira (28). Carvalho também fazia parte do esquema de "médicos fantasmas" e chegou a parar com o carro na calçada para assinar o ponto e ir embora.
Um médico que já trabalha no hospital há oito anos e não quis se identificar afirmou durante entrevista à emissora que o diretor do hospital também está envolvido no esquema. "Há médicos que recebem e repassam uma parte para o diretor, há médicos que recebem porque são apadrinhados políticos", afirmou.
Procurado pela reportagem do noticiário, o diretor do hospital, Carlos Alberto Peixoto Figueiredo Júnior, não quis comentar o assunto. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, ele tem cinco empregos, além do cargo de diretor, e trabalha 90 horas por semana.
A médica Valéria Cristina Ferreira também aparece na reportagem pensando em como sair do hospital e escapar do repórter após bater o ponto. "Eles estão nos dois portões. Sabem quem está vindo só para marcar o dedo. Ela tem dois empregos na unidade e é coordenadora da UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) de Araruama. De acordo com o SBT Brasil, ela foi afastada do cargo.
Outros "médicos fantasmas" citaram que algumas especialidades tinham esquema de sobreaviso e
confirmaram que o diretor sabia de tudo. Um deles foi Benevuto de Mesquita Soares, que apareceu na primeira reportagem exibida pelo canal. "Foi a forma que eu fui contratado. Seria estranho ficar aqui três neurocirurgiões, tres cirugiões e três anestesitas esperando os pacientes chegarem", declarou.
A Secretaria de Estado da Saúde do Rio de Janeiro, após a exibição da primeira parte da reportagem, na segunda-feira (26), já havia afirmado que foi aberta uma sindicância por parte da Subsecretaria e Corregedoria da Saúde para investigar o caso.
De acordo com a secretaria, os nomes dos médicos envolvidos na fraude serão enviados ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) para que a entidade investigue a conduta médica desses profissionais.
Caso seja comprovada a fraude, os médicos poderão ser demitidos e a Secretaria solicitará que a Procuradoria Geral do Estado entre com medidas judiciais cabíveis para que haja o ressarcimento desse dinheiro pago aos profissionais que não trabalharam.
De acordo com a reportagem do SBT, o hospital é utilizado por moradores de 11 cidades da Região dos Lagos, que têm juntas 770 mil habitantes.
Em junho, o SBT Brasil denunciou que médicos da maternidade pública Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo, agiam da mesma forma.

Problemas da saúde pública no Brasil - 16 vídeos

Abaixo o preconceito e a xenofobia

Sueli Samça Camargo compartilhou a foto de Leila Lopes.

RACISMO, DISCRIMINAÇÃO, XENOFOBIA, VERGONHA: MÉDICOS BRASILEIROS VAIAM MÉDICOS CUBANOS QUE CHEGAM PARA CUIDAR DA POPULAÇÃO BRASILEIRA CARENTE

Comparem essas duas fotos. A primeira foi tirada em Little Rock, Estados Unidos, 1957, e mostra a estudante Elizabeth Eckford chegando para o seu primeiro dia d...Ver mais

Os médicos brasileiros estão vaiando os médicos cubanos que chegam para tratar de nossa população - VERGONHA!!!!!!!!!



Comparem essas duas fotos. A primeira foi tirada em Little Rock, Estados Unidos, 1957, e mostra a estudante Elizabeth Eckford chegando para o seu primeiro dia de aula numa escola sem separação racial. Precisou de reforço policial para conseguir entrar.

A segunda foto foi tirada em Fortaleza, ontem, quando médicos brasileiros brancos e bem nascidos fizeram um corredor para vaiar seus colegas cubanos, muitos deles negros, que vieram ao país contratados para atuar em cidades pequenas do interior para os quais os brasileiros não querem ir.

Eu acho que as imagens falam por si.

 · 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

COIMBRA: BLÁBLÁRINA NÃO CONSTRÓI PARTIDO NENHUM

Publicado em 26/08/2013
Matéria do Conversa Afiada

COIMBRA: BLÁBLÁRINA NÃO
CONSTRÓI PARTIDO NENHUM

É o “personalismo pueril” que encanta quem quer detonar a Política – PHA
Conversa Afiada republica artigo de Marcos Coimbra, na Carta Capital:


A LEGENDA DE MARINA SILVA




A ex-senadora se oferece como opção para quem acredita no personalismo pueril e nos estereótipos antipartidos arraigados


Um dos traços mais problemáticos de nossa cultura política reside no fato de a vasta maioria da população tender, nas escolhas eleitorais, a dar mais valor aos candidatos do que aos partidos.

Nas pesquisas, quando se pergunta ao eleitor o que ele leva em consideração na hora de definir seu voto, mais de 80% costumam responder: “A pessoa do candidato”. Menos de 10% apontam o partido.

Por mais extraordinário, o mais grave não são os números. Pior é vê-los como naturais. No Brasil, ninguém estranha o discurso da primazia da dimensão pessoal. Todos acreditam ser normal pensar assim. Não é. Ao contrário, é sintoma de subdesenvolvimento político. Nas democracias maduras, acontece o inverso. Nelas, não faz sentido achar secundário o partido ao qual pertence um candidato.

Dá para imaginar um eleitor norte-americano não interessado em saber se um candidato, especialmente ao cargo de presidente, é democrata ou republicano? Que prefere fantasiar a respeito de sua “pessoa”?

Atribuir importância decisiva a essa dimensão pessoal é pueril, para dizer o mínimo, até por ser impossível conhecer “no íntimo” os candidatos. Ou alguém se considera capaz de “conhecer” um candidato ou candidata depois de vê-lo ou vê-la de vez em quando na televisão? Como se sua imagem televisiva, construída por meio de alta tecnologia e altíssimos custos, fosse sua “essência”.

Quando o assunto é provocado em pesquisas qualitativas, vemos o esforço do eleitor comum para insistir na tese. Inventa a capacidade de enxergar a “verdade interior” dos candidatos, olhando-os “nos olhos”. Que “sente” quando pode confiar em alguém. Que consegue discernir as “pessoas de bem”.

E assim escolhe. Para que se preocupar com os partidos, se imagina possuir uma espécie de comunicação transcendental com os postulantes?

Essa ficção ingênua e despropositada tem raízes em nossa experiência. Não se mexe impunemente com a estrutura partidária de um país tantas vezes quanto aquelas ocorridas aqui. Sempre há sequelas. O que os militares fizeram em 1966 ao extinguir partidos que mal tinham 20 anos de vida e ao impor um bipartidarismo artificial, repercutiu em todos os acontecimentos da vida política depois da volta das eleições diretas.

Por termos criado tantos partidos e estabelecido uma legislação tão instável a seu respeito, é compreensível que muitos eleitores fiquem confusos e procurem se refugiar no personalismo como critério. Por mais infantil que seja a argumentação.

Agora, depois das manifestações de junho e sua ojeriza aos partidos, o personalismo encontra ambiente ainda mais propício. Aumentou em muito a proporção daqueles que partilham da velha ilusão de que a melhor maneira de escolher candidatos é procurar sua “alma”.

Como se as campanhas fossem uma espécie de concurso de Miss Brasil, os candidatos e candidatas desfilam diante dos eleitores, que definem seu preferido ou preferida pelas virtudes exibidas: quem tem “os mais belos sentimentos”, quem é o “mais sincero ou sincera”, o “mais humano ou humana”, o portador da biografia mais bonita, o que “emociona mais”.

Dos candidatos em campo, a grande beneficiária desse estado de coisas é Marina Silva, ainda mais por adotar uma estratégia política que reforça os estereótipos antipartido presentes em nossa cultura. Ela se oferece como opção para aqueles que acreditam na puerilidade personalista.  

Com sua Rede Sustentabilidade, a ex-senadora não constrói partido algum. Basta ver: quase sete meses depois de fundá-la, nem sequer conseguiu a metade das assinaturas necessárias para solicitar o registro da legenda na Justiça Eleitoral. E apesar de contar com milhares de simpatizantes na juventude de classe média, tão fácil de ser mobilizada. Talvez lhe falte empenho para resolver uma questão tão burocrática quanto institucionalizar o seu partido.

Para os conhecedores da política, isso não seria muito grave, pois Marina poderia se candidatar por outra agremiação. Quem sabe o PV? No fundo, ela e seus seguidores parecem estar apenas a escrever um novo capítulo na história dos partidos personalistas no Brasil. Ademar de Barros não criou o PSP para fazer carreira? Fernando Collor não lançou o PRN para ser candidato? E Enéas Carneiro, com seu Prona?

É a vez do partido da Marina. Para quem não acredita nas legendas políticas, trata-se de um prato cheio.





E não deixe de ler: “Bláblárina que levar no grito“.

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Matéria do Jornal Brasil de Fato
Dois estudantes, que foram presos e agredidos por policiais militares quando participavam de uma manifestação em São Paulo, relatam a violência sofrida

26/08/2013

Jéssica Santos de Souza,
de São Paulo (SP)

A estudante Andreza, de 18 anos (tinha 17 quando foi presa), e o garçom Igor, de 22 anos, foram presos no dia 1º de agosto durante a manifestação “Onde está o Amarildo/Fora Alckmin”, na Avenida Paulista, em São Paulo (SP).
A cena da prisão da estudante estampou capas de jornais e foi exibida em muitos vídeos na internet. Algemada, Andreza foi arrastada por dois policiais militares por alguns metros em plena avenida. Igor acabou no mesmo camburão que ela, e sua prisão também envolveu truculência: levou o chamado mata leão, uma chave de braço de um policial militar.
Um dos advogados, que esteve na delegacia para onde os dois manifestantes foram levados, contou que eles assinaram Termos Circunstanciados - procedimento comum para acusados de crimes de menor potencial ofensivo (provavelmente desacato). Por Andreza ser menor no momento da prisão, ela vai responder com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, já Igor no Código Penal. O advogado acredita que eles não terão problemas na Justiça por conta da prisão.
Em entrevista ao Brasil de Fato, os dois manifestantes contaram um pouco sobre o momento da prisão, o tempo que ficaram em poder de quatro policiais da Força Tática, as horas na delegacia e o que os motiva a continuar nas ruas depois de tudo que passaram. Eles pediram sigilo em relação aos sobrenomes e não aceitaram tirar fotos.
Confira.
Brasil de Fato: Contem um pouco sobre vocês.
Andreza: Estudo e trabalho. Faço cursinho na Faculdade de Educação, lá na USP, e agora vou começar no emprego novo. Chama projeto Wikimapa. É sobre mapeamento de 'comunidades periféricas'. É lá do Rio de Janeiro e veio pra cá. Vou ajudar a mapear o [bairro do] Capão Redondo, onde moro.
Igor: Eu sou garçom, faço um freelance lá em Osasco, onde moro. Inclusive fiz hoje [dia do encontro] uma entrevista para auxiliar de cozinha. Estou estudando para o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], quero fazer faculdade de Oceanografia ou Gastronomia.

Vocês sempre frequentaram manifestações?
Andreza: Nossa, já faz mais de um ano. O primeiro ato que fui foi um evento “coxinha”, o “Dia do Basta”, foi o primeiro contato que tive. Aliás, teve repressão, aquele primeiro [protesto] que a polícia cercou o pessoal lá na Paulista, a galera foi para o vão do MASP e foi massacrada. Depois, quando o [então prefeito Gilberto] Kassab tentou proibir o sopão. Depois sempre fui colando [em manifestações] com esses temas.
Igor: Comecei a ir às manifestações depois daquele vídeo de violência policial [que mostra o fotojornalista Sérgio Silva sendo alvejado com bala de borracha no olho]. A gente [ele e os amigos] já discutia política e comecei a ir a todos os atos do MPL [Movimento Passe Livre], Cadê o Amarildo?, Black Blocs.

Vocês sempre cobrem os rostos nas manifestações?
Andreza: Em todos os atos, cubro o rosto. Manifestação é um ato político e pode acontecer de quererem criminalizar aquele ato político e quem tiver com o rosto descoberto vai ter que pagar por isso, apesar da causa ser legítima. E por segurança minha também, por conta dos P2 [policiais disfarçados] fotografando. Eles sempre marcam nosso rosto, podem depois me encontrar em uma esquina e querer me levar...
Igor: Não costumo cobrir o rosto, nesta estava de lenço porque havia vários policiais filmando e vários P2. Estava com aquela máscara de pintor e um capuz. Nas outras fui com máscara de pintor, caso tivesse bomba de gás.

Contem sobre a prisão na Paulista. Vocês se machucaram?
Andreza: A gente estava chegando à Paulista, perto da Praça do Ciclista e estourou uma confusão. As pessoas começaram a correr e eu avistei algumas no chão sendo imobilizadas. Fui perguntar o motivo de eles estarem sendo presos. Foi quando ouvi [o policial identificado como Palácio dizer]: “pega essa daí também!”. Aí me jogaram no chão, botaram o pé no meu rosto, puxaram meus cabelos, fui algemada e arrastada até a viatura. Não sei o que aconteceu para eles me arrastarem, já estava imobilizada. E é muito fácil me imobilizar, porque tenho 1,60m [de altura] e menos de 50 kg. Eu já estava dominada, não houve resistência ali e nem tinha como acontecer, porque acho que eram quatro policiais em cima de mim... Só não me machuquei mais sério ao ser arrastada porque estava com duas calças jeans por medo de bala de borracha. Fiquei com algumas marcas das algemas.
Igor: Estava passando na frente da drogaria e, de repente, vimos cinco policiais batendo em um menino e fomos para cima tentar soltá-lo. Na [avenida] Brigadeiro [Luís Antônio], quando pressionamos, a PM soltou. Houve uma muvuca e do nada veio um policial que me deu duas cacetadas na cabeça, vi até estrela! Outro policial de óculos me deu uma gravata e me jogou no chão. Ele dizia que eu era dele, como se tivesse caçando. Ele me sufocou, fiquei sem respirar. Se não fosse pelos repórteres que estavam tirando foto e filmando, eu teria desmaiado. Ele acabou soltando um pouco, levantei, me agarrei no gradil e ele me algemou.
Como foi a ida para a delegacia? Contem sobre as agressões que sofreram.
Andreza: A gente rodou um pouco e parou em uma DP. Eles tiraram o Igor, o encostaram na parede e começaram a espancá-lo. E começaram uma tortura psicológica comigo, falavam que eu não ia ser ninguém na vida, que não ia poder prestar concurso público e que não tinha capacidade para ser professora [ela falou para os policiais que estava estudando para lecionar]. Um deles disse que conhecia minha quebrada e que eu devia morar mal pra caramba. Tiraram sarro também pelo fato de eu ter nascido na Bahia, e que não devia estar aqui [em São Paulo]. Eu não conseguia ver muito, porque eles [PMs] não deixavam, mas escutava gemidos do Igor e eles falando que ele era vagabundo.
Comecei a passar mal por conta dos problemas respiratórios que tenho e pedi a água que tinha na bolsa, o Palácio falou que não ia dar a água, enquanto outro policial tentou me ajudar e foi advertido. Comecei a me debater e as pessoas que passavam ficaram assustadas, ai ele acabou pegando a água e me deu.
Igor: Acho que descemos a [rua]Augusta. Fomos para essa primeira delegacia. Paramos na frente, ela tem um muro de concreto. Um dos PMs falou para eu abrir as pernas, dando chutes na minha perna e no meu saco. Eles [dois PMs da Força Tática] me perguntaram onde morava, diziam que eu era vagabundo. Disseram que eu tinha jogado pedra neles. Perguntaram se eu fosse assaltado quem chamaria. Me deram socos na barriga, duas cotoveladas no pescoço. E na pior parte um deles pegou minha traqueia e me deixou sem respirar. Na segunda vez que ele fez, quase vomitei. O PM de óculos também deu um soco na minha barriga. Ele cortou minha mochila e chegou a encostar a faquinha [que usou para cortá-la] em mim. Tinha pessoas passando na rua, ai ele pegou um pedaço de cano e pedras como se estivessem comigo.

E como foi na delegacia?
Andreza: O delegado me tratou bem, perguntou como estava. Fui revistada por uma mulher, tive que tirar a roupa e fazer agachamento. Tiraram meus cadarços para entrar na cela. Fiquei algumas horas lá e ouvia algumas pessoas chegando. Quando cheguei tomaram meu celular. Só quando o advogado chegou é que meu celular reapareceu e procurei o número do meu pai. Fui depor com meu pai e o advogado.
Igor: A Polícia Civil fez a revista, tirou cadarço. Em nenhum momento eles disseram o porquê tinha sido preso, e me jogaram na cela. Só quando o advogado chegou que ele perguntou se tinha celular e se queria ligar pra alguém. Falei com o delegado na companhia do advogado. Dei o depoimento e falei tudo o que aconteceu, falei que as pedras e o cano não eram meus e que fui agredido e torturado pelos policiais. Ai voltei pra cela e fiquei mais um tempo. Fiquei esperando os outros meninos para ir ao IML [Instituto Médico Legal]. No IML, o médico perguntou como estava, mas não tirou fotos das marcas no meu pescoço.

Vocês já tinham tido contato com policiais antes desta manifestação onde vocês moram?
Andreza: O bairro onde moro, o Jardim Rosana – que fica próximo ao Capão, mas a gente fala que é Capão –, foi onde ocorreu a primeira chacina do ano. Os policiais foram e assassinaram sete pessoas. Tenho esse contato com a violência policial, então, pra mim não foi um susto o que aconteceu, porque sei que a polícia é violenta. Ela tem esse tipo de prática.
Meu irmão uma vez foi parado e revistado pela Rota indo comprar pão. Ele tem quinze anos e os policiais ficaram perguntando se ele ia mesmo comprar pão. A bala na manifestação é de borracha, já na periferia é de verdade.
Igor: Onde moro nunca tive problema, nunca fui revistado. O Palácio, inclusive, falou que conhecia onde eu morava, que tinha biqueira e se me encontrasse na rua sem farda ia me encher de porrada.

Muitas pessoas passaram a falar que essas manifestações recentes são vinculadas exclusivamente às pessoas de classe média. Você que cresceu na periferia, o que tem visto?
Andreza: Até estranho quando leio algum artigo dizendo que são jovens de classe média. Se tiver, nunca tive contato. O que tenho mais contato é com estudantes que estão ralando dentro da universidade e com “gente periférica”. Com alguns amigos que tenho contato que militam também... Pra ser sincera, nunca tive muito contato com essas pessoas que a mídia fala que estão indo pra esses atos. Estamos lutando pelas coisas que usamos, como o ônibus, e contra a violência policial, que é uma realidade.

Como vocês se sentem encontrando com policiais depois de tudo que aconteceu? Vão continuar indo para os protestos?
Andreza: Estava voltando do cursinho e entrei em um circular, dois policiais entraram logo em seguida. Ai olhei para o rosto de um e escrevi um SMS [mensagem de celular] para uma amiga falando que parecia o Palácio. Fiquei muito incomodada e passei a viagem toda com os olhos fechados. Agora sinto medo. Antes sentia raiva do fato deles serem pagos para proteger, mas não ser esse o tratamento que dão para determinadas classes. No carro, na volta da delegacia, falei para o meu pai que, apesar de tudo, ia continuar indo para a rua. E ele me respondeu para tomar cuidado.
Igor: Fiquei com ódio, continuo indo nos protestos. Não vou ficar no meio da muvuca. Estou com medo. Dá raiva, não confio mais. Meu avô era PM, minha tia é da GCM [Guarda Civil Metropolitana]. Eu sabia que existia [violência policial], mas nunca tinha sentido na pele. Até pensei em mudar de país, tenho uma amiga que mora fora. Mas da cara dele [policial que o agrediu] não esqueço.
Foto: Arquivo pessoal