sexta-feira, 22 de abril de 2016

O mundo inteiro denuncia o golpe brasileiro - Jeferson Miola para Brasil 247

O mundo inteiro denuncia o golpe brasileiro

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A democracia brasileira está ameaçada de um golpe de Estado. O impeachment da Presidente Dilma Rousseff, segundo a imprensa internacional, foi aprovado por “uma assembléia de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha fazendo a destituição de uma Presidente sem qualquer base jurídica nem constitucional”.
O impeachment está numa etapa avançada: o Senado Federal deverá decidir, dentro de poucas semanas, se continua ou se arquiva o processo aprovado na “assembléia de bandidos”. Caso o Senado prossiga o processo, a Presidente Dilma, que foi eleita para governar o Brasil até 31 de dezembro de 2018, será afastada por até 180 dias até a decisão final. Na prática, porém, praticamente equivale à sua destituição.
Se isso acontecer, em lugar da Presidente eleita com os votos de 54.501.118 brasileiros/as, assume o cargo Michel Temer, um vice-presidente ilegítimo e conspirador, um político sem nenhum voto popular que chefiou a concepção, a preparação e a execução do golpe.
Hoje, concatenando-se os acontecimentos dos últimos 16 meses, é possível reconhecer o papel ativo de Temer na trama golpista. Como presidente do PMDB, ele sempre estimulou a dubiedade do Partido, dividindo-o no apoio ao governo.
Temer traiu a confiança da Presidente Dilma no governo. Ao invés de fazer de verdade a articulação política, sabotou e enfraqueceu o governo, minou a estrutura e os postos-chave com conspiradores e, terminado o serviço que lhe interessava, jogou tudo às favas e saiu dizendo que “o Brasil precisa de alguém [ou seja, ele mesmo] que tenha a capacidade de reunificar a todos” [em 4 de agosto de 2015].
Temer nunca enfrentou o “bandido chamado Eduardo Cunha”, como se esperaria de alguém comprometido com a defesa dos interesses do governo e do país ameaçados pelas pautas-bomba do presidente da Câmara. Ao contrário disso, hoje as evidências permitem concluir que ele e Cunha são sócios da empreitada golpista desde o início.
O espetáculo deplorável da “assembléia de bandidos” de 17 de abril de 2016 impactou o mundo, e cristalizou a percepção de que o impeachment aprovado por 367 “bandidos” é uma violência contra a Constituição e o Estado Democrático de Direito.
Como o Brasil ofereceu este espetáculo deplorável ao mundo? Essa pergunta só pode ser respondida se anotado o papel determinante e fundamental da Rede Globo – secundada por outras empresas da mídia – e de setores do Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal.
O mundo inteiro está convencido de que há um golpe em curso no Brasil. Nessa guerra pela verdade, como não contam com uma Rede Globo mundial, os golpistas estão perdendo.
E estão perdendo de goleada: The Economist, Guardian, El país, Le monde, Financial Times, Reuters dizem que é golpe; Wall Street Journal, Washington Post, El País, Le Parisien, Irish Times, New York Times, Pravda, Granma também dizem que é golpe; La Nación, Ladiaria, El observador, Clarín dizem o mesmo; Al Jazeera, Fox News Latina, CNN etc etc dizem o mesmo: é um golpe de Estado.
Apesar da percepção do mundo inteiro de que está em andamento um golpe de Estado, só no Brasil tem um punhado de gente que insiste no contrário: Temer, Cunha, Bolsonaro, Aécio, FHC, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Dias Toffoli, FIESP, Globo e os sócios golpistas.
O sofisma mais recente dos golpistas para sustentar a aparência de “normalidade institucional” é que Temer está substituindo normalmente a Presidente Dilma, que retornará ao cargo depois do retorno da viagem a Nova York para a reunião da ONU sobre clima.
Os golpistas aproveitam esta substituição eventual como fachada para a propaganda e o discurso mentiroso da “normalidade institucional”. O epílogo do golpe, todavia, se dará com o seqüestro da cadeira da Dilma ao fim do julgamento de exceção no Senado – que, tudo indica, a Casa será uma sucursal golpista, um puxadinho da “assembléia de bandidos”.
O impeachment jurídico-midiático-parlamentar é o golpe de novo tipo do século 21, é um golpe diferente daquele clássico que a Globo e a UDN de então – hoje PMDB, PSDB, DEM, PPS, PTB, PP – desferiram em 1964, com a deposição e exílio do Presidente Jango.
No golpe de Estado do século 21 quem executa não são os militares, mas um condomínio integrado pela mídia, judiciário, ministério público e sacramentado por uma “assembléia de bandidos”. Nesta nova modalidade golpista, o rito é parte essencial das aparências – mas o mundo inteiro não acredita nesta farsa.

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quinta-feira, 21 de abril de 2016

Setor financeiro é mais responsável do que Dilma pela recessão, diz Dowbor - Rede Brasil Atual

CRISE ECONÔMICA

Setor financeiro é mais responsável do que Dilma pela recessão, diz Dowbor

Explosão do endividamento das famílias, juros sobre investimentos e alta da taxa Selic tornam inviáveis o dinamismo da economia, segundo o professor da PUC-SP
por Helder Lima, da RBA publicado 19/04/2016 16:01, última modificação 19/04/2016 17:29
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Dowbor: “O problema não está nas contas do governo, mas nos intermediários financeiros"
São Paulo – Quem acha que a culpa da crise econômica é apenas da presidenta Dilma Rousseff e que um eventual governo de Michel Temer vai resolver a situação de estagnação da economia está longe de enxergar os reais motivos dos problemas que o país tem enfrentado. “O que ocorre é que três fatores estão travando a demanda dos consumidores, os investimentos das empresas e também os investimentos públicos”, afirma o professor de Economia da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP) Ladislau Dowbor.
Segundo ele, os três fatores são o endividamento das famílias, os juros sobre o dinheiro de investimentos para pequenas e médias empresas e a alta da taxa Selic, que atrai recursos que em outro contexto poderiam estar no setor produtivo. Esses três fatores estão relacionados ao processo de financeirização, “que cada vez mais concentra recursos para o setor financeiro, e atualmente são responsáveis por travar a economia”.
O endividamento das famílias, segundo dados do Banco Central (BC), é bem sintomático do travamento da demanda. Quando a série histórica começou a ser apurada, em março de 2005, a relação entre dívida e renda era de 19,3%, subindo para 44,6% em janeiro de 2016, o último dado apurado. A evolução ao longo desses dez anos mostra que a expansão do mercado imobiliário, com base na dívida para conquistar a casa própria, provoca uma alta no endividamento, que agora retira capacidade das famílias para consumir produtos de menor valor agregado e maior giro.
“O problema não está nas contas do governo, mas nos intermediários financeiros. Você tem um estoque de dívida de R$ 3,1 trilhões que é de pessoas físicas e jurídicas, não é do governo”, afirma Dowbor. “A taxa de juros média dessas dívidas é de 28%, o que sobre os R$ 3,1 trilhões representa R$ 800 bilhões. Pessoas físicas e jurídicas pagam esse montante só em juros sobre a dívida”, afirma, destacando que o total de dívidas representa 56,3% do PIB do país, atualmente de R$ 5,5 trilhões. “Na Europa e Estados Unidos, as taxas pagas são entre 2,5% e 3%”, lembra.
O segundo fator da paralisia da economia, que é o investimento empresarial, atualmente paga “entre 30% e 40% de juros nos bancos comerciais e isso também inviabiliza o investimento, porque sai mais caro depois”, afirma o economista, destacando que essa situação de crédito não afeta tanto os próprios bancos e as grandes empresas, que acabam captando recursos no exterior, com juros mais baixos.
Quanto ao terceiro fator, a taxa Selic, Dowbor diz que “quando o empresário tem a alternativa de 14,25% (remuneração com títulos do Tesouro) ele vai investir para quê? Melhor ficar com títulos”. A Selic alta trava o investimento público, “porque você tem um estoque da dívida pública que supera R$ 3 trilhões", observa. "E a taxa Selic é uma remuneração fabulosa às custas de impostos, que proporciona uma transferência de recursos para o setor financeiro da ordem de R$ 500 bilhões por ano.” Esse montante é perto de 8% do PIB do país, um dinheiro que deixa de entrar no setor produtivo. “Esse dinheiro é dos nossos impostos, que o Estado recolhe para dar aos bancos e rentistas.” Enquanto isso, os títulos do Tesouro nos Estados Unidos remuneram à ordem de 0,5% ao ano.

Governo Temer

Ao analisar a crise econômica e política atual, Dowbor lembra que ao reduzir a Selic para 7,25% em 2012 e 2013, a presidenta Dilma fez com que os bancos públicos reduzissem também suas taxas, diminuindo o estrangulamento do orçamento de consumidores e empresas. “Quem ficou indignado com isso foram os rentistas, que não investem e compram papéis. Isso gerou revolta e o governo recuou para retomar o travamento”, afirma.
Agora, diante da perspectiva de um governo do vice-presidente Michel Temer, que tem cotado como possível ministro da Fazenda o tucano liberal Armínio Fraga, o que vem “são medidas que consistem em reduzir o tamanho do governo e aumentar os impostos para ter mais dinheiro para os rentistas”, afirma o professor. “Isso vai aprofundar o endividamento e a transformação de recursos em renda”, diz Dowbor, ao mesmo tempo destacando que não concorda com o caráter golpista do impeachment.
O economista vê no horizonte atual um aprofundamento da crise no país, processo que ocorreu na Europa a partir de 2008 com a adoção de receituário de austeridade fiscal: “Os governos passam mais dinheiro para o sistema financeiro e reduzem o acesso público à educação”.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Emanuel Cancella: Citar família era a senha para os golpistas receberem a mala de propina? - Viomundo

Emanuel Cancella: Citar família era a senha para os golpistas receberem a mala de propina?

18 de abril de 2016 às 22h40
  
 compra-de-votossegunda-feira, 18 de abril de 2016
A senha da mala dos golpistas era citar a família?
Chamou atenção dos brasileiros, no processo de impeachment da presidente Dilma, o fato de os deputados, que votaram pela sua admissibilidade, fazerem referência à família, pai, mãe, filho e esposa. Pouquíssimos falaram na motivação de seu voto, mas todos falaram da família.
Todos sabemos que a maioria dos votantes tem, como motivação, além de seus argumentos mais pífios, a retaliação contra o PT, Dilma e Lula. Até o New York Times reconhece a inocência de Dilma, então é impossível que um parlamentar brasileiro não saiba disso.
Por isso é estranho que os parlamentares possam ter envolvido a família num voto que ele(a) sabe que pode ter todos os embasamentos, menos a verdade, e, por mais cretina que seja essa pessoa, não iria envolver sua família numa coisa espúria dessa. Até porque a maioria acredita em Deus e muitos são religiosos!
Por isso, movido pela minha intuição conspiratória, acredito que a senha para receber a mala, que dizem que rolou, era citar a família.  Dentro da minha tese, o que reforça minha desconfiança, foi um parlamentar, que não me lembro o nome, após votar, retornou bem depois ao microfone para homenagear a família. Como foi o único a voltar ao microfone fica fácil a lembrança.
Outra coisa, a deputada Raquel Muniz (PSB), proferiu seu voto pelo impedimento e elogiou seu marido, o prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Adriano Borges Muniz (PSB), e hoje, 18, seu marido foi preso pela PF. Creio que uma deputada que estaria votando para combater a corrupção e por um novo país não iria citar um marido envolvido em falcatruas, a menos que isso fosse fundamental, por exemplo, como uma senha de acesso à mala.
Segundo o renomado economista José Carlos de Assis aconteceu uma reunião, convocada pela Fiesp, no sentido de comprar o voto dos parlamentares a favor da saída da Dilma, no seguinte montante: Fiesp, 300 milhões; FIRJAN, 100 milhões e Federação das Indústrias do Paraná e Rio Grande do Sul de 50 milhões cada.
Fica aí minha contribuição aos órgãos investigatórios, Justiça, MPF e PF, até para deixar claro que não houve pagamento de propina, e que o voto dos parlamentares não teve outra motivação senão o bem do país!
Rio de Janeiro, 18  de abril de 2016
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Aliados alertam sobre falso clima de 'já ganhou' por parte da oposição - Rede Brasil Atual

IMPEACHMENT

Aliados alertam sobre falso clima de 'já ganhou' por parte da oposição

Estratégia oposicionista de dizer que tem quase 400 votos pró-impeachment é rebatida. Base aliada consegue 186 assinaturas de apoio a Dilma – 14 a mais que o necessário para barrar afastamento
por Hylda Cavalcanti, da RBA publicado 14/04/2016 18:16, última modificação 14/04/2016 19:20
LULA MARQUES/ AGÊNCIA PT
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Florence: 'Temos trabalhado com a verdade, sem coação nem cerceamento da democracia e assim continuaremos'
Brasília – Depois de o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) falar ontem sobre a manipulação de números relativos ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff, hoje (14) foi a vez do líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), fazer o alerta sobre o que chamou de “golpe midiático”, orquestrado pela oposição, para criar um clima de 'já ganhou'. Segundo ele, o intuito é dar a entender que existem 342 votos certos para aprovar o impeachment no domingo (17). “Isso não é verdade. Se eles tivessem estes 342 votos, teriam divulgado a lista com todos os nomes dos deputados que vão votar pelo impeachment”, enfatizou.
A preocupação também é destacada por vários integrantes da base, como Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e Sílvio Costa (PTdoB-PE), que se dizem apreensivos com o fato de uma informação falsa ser divulgada como verdade. Florence afirmou que a suposta criação de um “clima de vitória antecipado”, tem, de acordo com ele, o apoio de determinados setores da mídia para influenciar os votos dos parlamentares, criando um efeito dominó nos posicionamentos por parte dos que ainda se dizem indecisos.
“É uma estratégia para reverter votos sobre a qual precisamos alertar e tomar cuidado. Não vamos cair nessa. Enquanto a oposição tem agido dessa forma, nós temos trabalhado com a verdade, sem coação nem cerceamento da democracia e assim continuaremos”, disse o líder.
“É um jogo pesado e muito óbvio no qual não vamos cair. O grupo golpista, percebendo que conseguimos convencer a população das ameaças aos dispositivos constitucionais, encontrou agora essa nova forma de golpe, dando a entender que há uma grande maioria na Casa favorável ao impeachment. A contagem dos votos vai mostrar qual será o placar de domingo”, afirmou Sílvio Costa.

186 assinaturas

Esta tarde, além do lançamento da chamada Frente Parlamentar Mista em Defesa da Democracia, que contou com 186 assinaturas de parlamentares em apoio ao governo – 14 a mais do que o número de votos necessários para barrar o impeachment – os deputados que foram constituintes em 1988 também divulgaram manifesto pela ordem democrática.
Benedita da Silva (PT-RJ), Paulo Paim (PT-RS) e os ex-deputados constituintes Paulo Ramos (hoje deputado estadual pelo Psol-RJ), Vivaldo Barbosa, Nelton Friedrich e Haroldo Saboia se uniram a outros parlamentares para divulgar o documento.
“Sabemos muito bem o que é uma ditadura neste país. A Constituição norteia as instituições e dá ao povo brasileiro a garantia de uma democracia plena. É em nome dessa democracia que estamos convocando todos para fazer essa defesa”, destacou Benedita.
De acordo com a deputada, é preciso reconhecer que, apesar de todas as dificuldades que o Brasil vem passando, o país conseguiu dar passos significativos. “Não podemos retroceder. Queremos segurança com democracia, e a democracia é não rasgar a Constituição”, acrescentou.
De toda forma, a votação é tida como difícil e nenhum analista político ou parlamentar com postura mais séria que converse em reservado com os jornalistas, aposta na vitória de um dos lados. O entendimento geral que tem sido observado entre os deputados e senadores é que tudo pode mudar em relação às posições de cada um até o último momento, por conta das negociações que seguem tanto do governo como da oposição com as várias bancadas.

Lava Jato, operação política e violadora de direitos, quebra a indústria nacional -- Rede Brasil Atual

PASSO PARA TRÁS

Lava Jato, operação política e violadora de direitos, quebra a indústria nacional

Para especialistas, pedido de impeachment é uma maneira de a oposição conseguir cortar direitos sociais e trabalhistas e de entregar a exploração do pré-sal para empresas estrangeiras
por Sarah Fernandes, da RBA publicado 14/04/2016 17:28
EDU GUIMARÃES/SMABC
Debate
"Está implícito: se você for oposição não vai ser tão afetado na Lava Jato", disse Nassif
São Paulo – Conduzida com princípios partidários e com violações de direitos individuais, a Operação Lava Jato bloqueia a indústria nacional e reduz o emprego, de acordo com a avaliação do jurista Gilberto Bercovici e o jornalista Luis Nassif, que participaram de debate sobre os impactos econômicos da crise política, hoje (14), na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo.
Os especialistas defenderam que o principal problema econômico do Brasil passa hoje por uma disputa política e que para a economia voltar a crescer é necessário superar a articulação pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que será votado domingo, na Câmara dos Deputados. O impedimento foi, para eles, uma ação articulada da oposição, baseada em brechas da lei, que tem como objetivo cortar direitos trabalhistas e sociais e entregar o pré-sal para o capital estrangeiro.
“Ninguém é contra combater a corrupção, mas não se pode violar direitos e garantias individuais, nem se pode punir empresas no lugar de punir pessoas”, afirmou Bercovici, professor de Direito Econômico da Universidade de São Paulo (USP). “Na questão penal não se discute: quem fez mal tem que ser punido. Nas empresas, deve-se retirar esses maus gestores e permitir que elas continuem atuando, por acordo de leniência, adotando boas práticas de controle interno e externo e ressarcindo a União. Mas elas devem voltar a atuar, inclusive com o poder público.”
Considerando a queda de 20% no nível de emprego na construção civil a partir de setembro de 2014, após uma curva ascendente desde 1998, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques,lamentou a paralisia nas obras públicas por conta da Operação Lava Jato.
“Só tem uma explicação: paralisia nas obras, nos projetos de infraestrutura e a impossibilidade de as 29 empresas envolvidas na Lava Jato assumirem obras públicas. Elas estão paralisadas, sem conseguir financiamento dos bancos e sem participar de licitações. E quem sofre com isso? Muitos dos empresários já foram soltos após acordos de delação, mas o trabalhador está pagando na veia, porque está há mais de um ano procurando emprego em empreiteiras e não consegue”, afirmou Marques.
Para o dirigente, o processo não poderia ser conduzido sem uma legislação específica que impedisse o comprometimento das atividades econômicas. “Existe uma operação em andamento que não tem legislação completa para combater a corrupção sem que isso vire uma bola de neve contra os trabalhadores. O combate à corrupção é muito importante e tem que continuar, mas não pode custar o emprego do trabalhador.”
Sobre a opção de trazer empresas estrangeiras para ocupar o lugar das nacionais, defendida por alguns economistas, Bercovici acredita que não seja viável em curto prazo, já que elas levariam anos até começarem a funcionar efetivamente. “Estamos destruindo todo um setor da engenharia nacional que levamos anos para construir por um motivo justo, que é o combate à corrupção, mas de uma maneira que prejudica o trabalhador e o emprego”, disse. “Temos que superar a questão do impeachment para o governo rearticular a política econômica do país.”
Ao concordar com os argumentos do jurista, Nassif disse que há uma intenção politica e econômica evidentes. "Para conseguir poder, a Lava Jato não se intimidou em desacelerar um setor econômico inteiro. E a imprensa deu esse poder para ela. Hoje, não existe mais jornalismo: a Lava Jato vaza informações, a imprensa reproduz não vai atrás de outras informações e não faz nenhuma investigação por conta própria”, criticou. “Existe uma parceria política de forma enviesada. Um dos pontos implícitos da operação é que se você for oposição não vai ser afetado tanto como se for governo.”
Além da construção civil, o setor petrolífero também pode sofrer maior recessão, sobretudo se o pedido de impeachment for acatado. Para os especialistas, a ação tem como objetivo desmontar a Constituição de 1988, destruir direitos sociais e trabalhistas e entregar a exploração do pré-sal para empresas estrangeiras. “Esse cenário cria uma vulnerabilidade para o setor, principalmente frente aos Estados Unidos. Isso destrói um projeto de nação baseado no capital nacional, que será entregue para estrangeiros”, disse Nassif.
“Como a oposição não consegue ganhar nas eleições, eles estão, de forma articulada e baseados em brechas na lei, tentando o impeachment”, concordou Bercovici.

sábado, 9 de abril de 2016

Mino: por que Moro não quer saber da Mossack? - Paulo Henrique Amorim para Conversa Afiada

Mino: por que Moro não quer saber da Mossack?

A Lava Jato presta-se a fornecer munição a uma tentativa de Golpe
publicado 09/04/2016
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Conversa Afiada reproduz editorial de Mino Carta, de CartaCapital:

A crise é mental

O bestialógico galopa enquanto um criminoso decide o destino do Brasil. Mas há um problema mundial...

 
O escândalo chamado Panama Papers cabe com encaixe perfeito entre os resultados da sujeição do mundo ao deus mercado que o papa Francisco mais propriamente definiria como demônio do dinheiro.

Antes de cogitarmos de uma reforma política brasileira, de resto, por ora tão improvável quanto duvidosa, seria altamente recomendável uma reforma do globo terráqueo. De sorte a reverter o processo destinado a enriquecer cada vez mais uns poucos para empobrecer e imbecilizar os demais. Aludo a bilhões de seres ditos humanos.

Um jurista italiano em recente visita ao Brasil, ex-integrante da força-tarefa da Operazione Mani Pulite, Gherardo Colombo, convidado com o transparente propósito de constatar convenientes similitudes entre aquela ação justiceira e a Lava Jato, cuidou de desencantar os anfitriões, de sorte a não merecer maior repercussão na mídia nativa, a do pensamento único a favor do golpe.

A tese central de Colombo, exposta no debate promovido para favorecer Sergio Moro e os promotores curitibanos, é a seguinte: em situações de corrupção desenfreada, a magistratura terá de agir para prender e incriminar quem quer que seja, mas não extirpará o mal se este for da cultura do país. O pecado só será remido pela educação dos graúdos e dos miúdos. Dura lição, que não se coaduna com as pretensões da Lava Jato.

A corrupção é global, como, por exemplo, os Panama Papers comprovam. Nem por isso Moro e sua operação deixam de ser representativos de um país a seu modo único. A Lava Jato presta-se a fornecer munição a uma tentativa de golpe, vale-se de uma polícia disposta a desservir ao Estado para favorecer a manobra em sintonia com a mídia compactamente envolvida no processo.

Atenta contra a lei impavidamente e tanto esquece a origem da corrupção e seus mais atilados praticantes, bem como liquida em um piscar de olhos a possibilidade de qualquer envolvimento da Mossack.

Desponta a urgência de interrogar os botões: por que será que Moro e cia. enterraram o assunto? Respondem: talvez o peso de nomes graúdos detentores das offshore à margem do canal, nomes retumbantes, tenha aconselhado o súbito recuo, mesmo depois da prisão de cinco suspeitos da Mossack, logo postos em liberdade.

Uma pergunta chama outra: e por quais cargas-d’água as atividades do empresário Fernando Henrique Cardoso e do seu endiabrado herdeiro Paulo Henrique não mereceram eco da mídia nativa? Ora, ora, respondem os botões, FHC é ainda mais invulnerável do que Aquiles, o herói grego de calcanhar indefeso. Nem mesmo Páris, de excelente pontaria, conseguiria abater o ex-presidente sem pontos fracos.

A incerteza do momento precipita mais perguntas. Por que ressurge a proposta da renúncia da presidenta Dilma, formulada tempos atrás pelo acima citado FHC? A Folha de S.Paulo ressuscita a ideia como portadora da bandeira a abrir o desfile olímpico. Marcha imponente, a convocar muitos dos titulares da casa-grande, seus aspirantes e fâmulos.

E por que Dilma haveria de renunciar? Nada empurra a tanto o vencedor de uma eleição, menos ainda a lei. Há quem diga: antecipemos as eleições, outubro próximo seria uma boa data. A presidenta reage com louvável ironia: pois então, renunciemos todos em bloco, governo, governadores e congressistas.

A quem aproveita a proposta? Panorama confuso, de névoa do Mar do Norte, na madrugada invernal. Em meio à cerração, aparecem desentendimentos na tripulação do barco golpista. Não vale a pena perder tempo em relação ao patético comportamento de Marina Silva, crente ferrenha das pesquisas, incapaz de perceber que a coisa pega somente nas cercanias do pleito.

Permito-me outros exemplos: eleições em outubro não comovem, por motivos diversos, Michel Temer e Aécio Neves. Encantam, porém, por razões insondáveis, Paulo Skaf, aquele que estimula imensa saudade de Antonio Ermírio de Moraes e Olavo Setubal, dois empresários que praticaram a política com outros méritos e válidos atributos. Tampouco está claro se Skaf é empresário.

Algo é certo, soletram os botões: a proposta da renúncia nasce de uma forte dúvida a respeito do desfecho da manobra golpista do impeachment. A tigrada deu para temer, de uns dias para cá, que o complô soçobre no fracasso final.

Retomada a normalidade democrática, e diante de uma crise iniciada no exterior que não tende a arrefecer, a possibilidade de antecipar eleições gerais poderia ser levada em conta, ao cabo de um amplo debate e de uma adequada emenda constitucional, operada pelos poderes previstos em lei.

Antecipação de um ano, para outubro de 2017, quem sabe. Não é por acaso, de todo modo, que a Folha assuma o papel de portador da proposta da renúncia, inequivocamente golpista nas circunstâncias. Diz um caro amigo que o jornalão da família Frias é o mais hipócrita da categoria.

Abriga textos que contradizem a linha do jornal, sem contar a pretensão do ombudsman faccioso, para alardear uma isenção desmentida na totalidade dos demais espaços. O Estadão é um vetusto fazendeiro que não consegue enxergar além da cancela das suas terras. O Globo é homem de negócios suspeitos, sem escrúpulos, entregue ao demônio do dinheiro.

Os jornalões, os revistões e os programões abrigam o bestialógico mais grandioso da história do País. No confronto, o Febeapá da Stanislaw Ponte Preta empalidece. O que se lê e se ouve, imediatamente repetido por uma fatia conspícua da sociedade, é algo que não tem similar mundo afora. Trata-se de um besteirol clangoroso que exibe o estágio cultural primitivo de uma nação carente de saúde mental.

Não falta quem escape ao desastre, mas o conjunto da obra é apavorante. Fôssemos diferentes, nos riríamos dos equívocos, dos mal-entendidos, das acusações pueris, e das pretensões descabidas, das ambições idem, dos exibicionismos provincianos, da pompa ridícula, da ostentação grosseira, da vulgaridade geral. O fenômeno apresenta, contudo, uma imponência tão avassaladora a ponto de provocar por parte de quem dispõe de bons olhos, vergonha e desalento.

Perguntam agora meus envergonhados botões: quem haverá, neste Brasil em apuros, capaz de entender que o impeachment não resolve a crise, pelo contrário, a complicaria? E quem se dá conta de que os Panama Papers desvendam o ninho do ovo da serpente da crise que, sem isentar o País, transcende a economia?

Há outra discrepância, ainda mais espantosa, a denunciar ausência de saúde mental, bem como política: enquanto se discute se Dilma cometeu um crime inexistente, decide os destinos do Brasil um notório criminoso chamado Eduardo Cunha.