sábado, 5 de março de 2016

Bandeira de Mello: golpe vai reativar a militância de esquerda - Miguel do Rosário para O Cafezinho

Bandeira de Mello: golpe vai reativar a militância de esquerda

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ESTADO DE EXCEÇÃO
Operação contra Lula é confissão de medo da elite brasileira, diz Bandeira de Mello
Para um dos juristas mais respeitáveis do país, operação executada nesta sexta-feira (4) a mando da Lava Jato é "absurda" juridicamente: "As pessoas têm a ilusão de achar que o Direito pode tudo. Não pode"
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 04/03/2016 21:04, última modificação 04/03/2016 21:41
São Paulo – Como todos os cidadãos que, independentemente das cores partidárias, têm apreço pela democracia, pelo Estado democrático de direito e pelas garantias individuais inscritas na Constituição de 1988, o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello acordou hoje (4) com uma notícia chocante para muitos. O cerco, pela Polícia Federal, à casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em cumprimento de ação deflagrada na operação Lava Jato. “Eu fiquei muito aborrecido como cidadão”, diz, em entrevista exclusiva à RBA.
Numa análise mais fria, Bandeira de Mello acredita que tudo a que o país está assistindo, e que chegou hoje ao clímax da espetacularização midiática, do ponto de vista jurídico não é respaldado por nenhuma lei. “A condução coercitiva do Lula, juridicamente, não passa de um absurdo. Porque quem não se recusa a depor, quem não resiste a colaborar com a autoridade, não pode receber nenhuma condução coercitiva.”
Politicamente, Bandeira de Mello não hesita em dizer, com um tom que poderia vir das páginas da melhor literatura, que a atitude contra o ex-presidente da República “é um ato que equivale a uma confissão de medo, de pavor”, da elite brasileira. Para o constitucionalista, o medo é de que, apesar de tudo, Lula seja candidato e ganhe a eleição em 2018.
Ele diz que se sente à vontade para abordar o tema e defender Lula. “Eu nem sou um eleitor habitual do PT. O meu candidato a deputado não é do PT.”
Lembrando a filósofa Marilena Chaui, Bandeira de Mello aponta a classe média como o principal aliado da imprensa tradicional do país, que tem “um certo peso”. “Mas esse peso se restringe à chamada classe média, sobretudo a classe média alta, que é uma gente, eu diria, lamentável. A classe média alta é invejosa”, diz. “Não se satisfaz em estar bem. Ela quer que os outros estejam mal para se sentir superior.”
“Já pensou o sujeito que faz universidade, consegue título de mestre, de livre-docente, de titular, e vê que para o mundo ele vale muito menos do que um operário? É humilhante, não é? Eles se sentem humilhados com a presença do Lula”, acrescenta.
O advogado também comenta a operação Lava Jato e o juiz que a comanda em Curitiba. “Falta para esse juiz, Sérgio Moro, o elementar para um magistrado, que é o equilíbrio”, avalia. "Quando o país voltar à normalidade, esse juiz é capaz de sofrer, viu? Porque ele pode ser punido pelos seus desmandos."
Em sua opinião, está faltando uma postura mais afirmativa do governo Dilma Rousseff em relação a tudo o que está acontecendo no país. “Mas acho que vai começar a aparecer (uma postura do governo). Porque o ministro da Justiça dela (José Eduardo Cardozo) não coibiu, a meu ver, os abusos que já vinham se sucedendo”, diz Bandeira de Mello. “Apesar do muito respeito e amizade que eu tenha – porque eu tenho – pelo professor Zé Eduardo.”
Como o sr. avalia o momento grave a que o país chegou?
Eu acho que estamos sinalizando o fim da democracia. A condução coercitiva do Lula, juridicamente, não passa de um absurdo. Porque quem não se recusa a depor, quem não resiste a colaborar com a autoridade não pode receber nenhuma condução coercitiva. Um homem com endereço certo e sabido, um homem de prestígio mundial. Condução coercitiva é para quem não quer colaborar, e não para quem se dispôs a colaborar. Logo, trata-se de um ato puramente político, um gesto para tentar humilhar e desmoralizar o ex-presidente. Para resumir numa palavra, quando você toma uma sova no campo e tenta ganhar no tapetão, é sinal que você está desesperado. Eles têm medo do Lula. A condução coercitiva dele é um ato que equivale a uma confissão de medo, de pavor. Eles têm medo que o Lula venha a ser candidato e ganhe a eleição. É isso.
Falta para esse juiz, Sérgio Moro, o elementar para um magistrado, que é o equilíbrio, isso ele não tem. Ele parece um desses vingadores de televisão que a gente vê. Eu ouvi dizer que a família dele é a fundadora do PSDB no Paraná. Dizem, não sei se é verdade. Mas se for, dá para entender a conduta dele. Tudo o que ele faz, parece, é alguma coisa sem serenidade, sem equilíbrio, com um partidarismo muito grande. Quando o país voltar à normalidade, esse juiz é capaz de sofrer, viu? Porque ele pode ser punido pelos seus desmandos. Hoje temos um juiz muito desmandado como ele, um Ministério Público do Paraná que não merece a menor consideração, e mesmo a Polícia Federal. É uma lástima.
O sr., que sempre apontou para os perigos de certas medidas legais, como vê o Estado de direito e os direitos individuais neste momento?
Tudo está indo embora. Mas eu diria que o começo de tudo foi o julgamento do chamado mensalão. José Dirceu foi condenado sem que existisse uma única prova contra ele. Muitas vezes repeti que quem disse isso foram duas pessoas absolutamente insuspeitas. Aquele tributarista da direita, Ives Gandra, e o ex-governador de São Paulo e ex-presidente de um partido da direita, um constitucionalista respeitado, Cláudio Lembo, cuja dignidade nunca ninguém pôs em dúvida. Quem mais precisaria dizer para que isso ficasse evidente? Aquele foi o começo do fim, na minha opinião, do Estado de direito.
Essa operação chega a um limite de espetacularização midiática que joga fora o Direito por uma questão política. Até onde vai o país nessa direção?
Olhe, eu acho que isso vai ter um efeito positivo, ao contrário do que eles queriam. Porque o Lula ficou indignado, como não poderia deixar de ficar. E vai começar a reativar a militância que ele tinha. O próprio PT, que estava como que dormindo, vai acordar. Isso significa que nós vamos ter uma intensificação dos movimentos democráticos no país. É isso que significa. O que vai resultar disso é impossível saber. “O Lula ficou desmoralizado.” Quem vai dizer isso? São os jornais? Mas o que vale a opinião dos jornais do ponto de vista, digamos, eleitoral? Nada. A imprensa, o chamado PIG, o partido da imprensa golpista, que abrange todos os grandes meios de comunicação do Brasil, vai tomar isto como uma grande vitória. E é claro que não vão apresentar as pesquisas de opinião, quando vierem as eleições, com honestidade.
O outro lado não tem razão para ser veraz, nenhuma razão. O interesse deles é desmoralizar, e é isso que vêm tentando fazer. Eu nem digo que eles não consigam. Eu acho até que num país subdesenvolvido, onde a única fonte de informação são os jornais e as revistas, eles têm um certo peso. Mas esse peso se restringe à chamada classe média, sobretudo a classe média alta, que é uma gente, eu diria, lamentável, com respeito aos pontos de vista de outros. A classe média alta é invejosa, não suporta ver quem está embaixo subir, não se satisfaz em estar bem. Ela quer que os outros estejam mal para se sentir superior. A grande imprensa fala pra esse tipo de gente. Basta ver uma coluna que existe na Folha de S.Paulo, “Opinião do Leitor”, qualquer coisa assim. Você lê aquelas coisas e fica espantado, e fica pensando que está vivendo em um dos países mais atrasados do mundo. Não, é a classe média alta que é assim.
Como recebeu a notícia da operação?
Eu fiquei muito aborrecido como cidadão, muito humilhado como cidadão, com muito temor. Mas acho que isso tudo vai passar, viu?
Então o sr. não está pessimista como algumas pessoas que acham que estamos à beira de uma conflagração social?
Eu acho que uma conflagração social não vai chegar a ocorrer. Porque eles anunciam uma maioria que não existe. Porque essa gente que eles invocam é a classe média, e a verdadeira maioria está no povão. Na hora em que o PT recomeçar, digamos, o seu progresso, o que vai acontecer? Os meios conservadores vão ter que se mancar, pra usar um termo popular. Porque é o operariado que sustenta a riqueza e o andamento do país. Uma hora o operariado vai resolver fazer uma greve geral – que não está para acontecer logo, mas que pode acontecer se a provocação dos coxinhas continuar.
O sr. não acha que estaria faltando uma atitude mais afirmativa do governo Dilma em relação ao que está acontecendo?
Está, mas acho que vai começar a aparecer. Porque o (ex) ministro da Justiça dela (José Eduardo Cardozo) não coibiu, a meu ver, os abusos que já vinham se sucedendo. Então, a coisa foi num crescendo e chegou a esse extremo. O que dói para essa gente é que um homem simples como Lula é recebido por reis e rainhas, homenageado por eles, por primeiros ministros, chefes de estado, presidentes. Como os outros não o são, eles ficam aborrecidos. Já pensou o sujeito que faz universidade, consegue título de mestre, de livre-docente, de titular, e vê que para o mundo ele vale muito menos do que um operário? É humilhante, não é? Eles se sentem humilhados com a presença do Lula. O Lula é uma humilhação viva para as pessoas que se acham grande coisa.
A mudança do ministro da Justiça pode mudar esse estado de coisas?
Eu acho que pode mudar, porque como o ministro da Justiça parece que não coibia nada, então a vinda de um novo sempre desperta uma certa atenção, um certo temor por parte dos desmandados. Apesar do muito respeito e amizade que eu tenha – porque eu tenho – pelo professor Zé Eduardo, eu acho que ele foi um pouco leniente com a Polícia Federal. Ele alega que não queria interferir. Sim, é uma atitude muito bonita, mas eu acho que eles passaram da conta, que eles precisavam de alguns apertões. Lembra como a Polícia Federal fazia e desfazia até chegar um indivíduo chamado Nelson Jobim? Ele enquadrou essa gente. Talvez essa gente precisasse ser enquadrada. Eu acho isso.
Mas eu tenho esperança de que nas próximas eleições o Lula ganhe, e ganhe bem, com muita vantagem, ao contrário do que as pessoas pensam. De maneira que, ele vindo, eu acredito que todos esses desmandados vão ter uma lição. Inclusive a imprensa.
Não que eu seja contra a liberdade de imprensa, eu sou inteiramente a favor. Mas para isso é preciso instituir a liberdade de imprensa. Quando só existem quatro ou cinco famílias que dominam os meios de comunicação, como eu posso falar em liberdade de imprensa? Seria como se no Brasil existissem quatro ou cinco pessoas que tivessem propriedade. Aí você diz: “Eu sou a favor do direito à propriedade. Eu defendo esses quatro ou cinco”. Bom, então você não está defendendo o direito à propriedade, está defendendo quatro ou cinco proprietários. É isso que se passa, ao meu ver, com a chamada liberdade de imprensa no Brasil.
O que poderia ser feito para se começar de fato a investigar o PSDB da maneira como se espera?
Acho que não seria muito complicado, não. É só aplicar a lei uniformemente para todos, e não seletivamente contra o PT ou quem é ligado ao PT, ao Lula etc. E, olhe, eu estou falando à vontade, porque eu nem sou um eleitor habitual do PT. O meu candidato a deputado não é do PT. Estou falando porque é uma análise fria dos acontecimentos. Se você não tiver nenhum fanatismo, você vê as coisas do jeito que eu estou lhe dizendo. Porque é verdade. E é comprovável. Como você leva numa condução coercitiva uma pessoa quer não se recusou a depor?
Quem poderia aplicar a lei, já que aparentemente ninguém aplica?
Eu espero que isso aconteça quando Lula voltar à presidência. Eu acho que tudo se resolve em termos políticos, e não em termos jurídicos. As pessoas têm a ilusão de achar que o Direito pode tudo. O Direito não pode. O Direito é apenas uma superestrutura. Ele reflete o que existe na sociedade. Se a sociedade estiver agachada, de cabeça baixa, o Direito vai ser semelhantemente agachado e de cabeça baixa. Quando a política mudar, aí muda tudo.
Colaborou: Carmem Machado

Vox Populi: Moro e Globo tomam uma surra Lula é inocente ! - Paulo Henrique Amorim para Conversa Afiada

Vox Populi: Moro e Globo tomam uma surra

Lula é inocente !
publicado 05/03/2016
bessinha moro rasga
Conversa Afiada publica informações de pesquisa Vox Populi:
Resultado com 15 mil questionários válidos:

1) Qual o seu sentimento em relação ao fato de que o ex-presidente Lula foi incluído na investigação da Lava Jato? 
Gostei, eu aprovo - 41%
Não gostei, não aprovo - 56%
Não sei responder - 3%

2) Qual a avaliação que você faz do trabalho do juiz Moro nesse processo da Lava Jato? 
Aprovo, ele está fazendo um excelente trabalho - 34%
Aprovo, mas ele tem exagerado em algumas medidas - 22%
Desaprovo - 43%
Não sei responder - 1%

3) Com qual das frases você se identifica mais? 
Não vejo problema algum na forma como foi feita a condução do Lula para depor na Polícia Federal - 34%
ou
Achei um exagero a forma como o ex-presidente Lula foi levado a depor pelos agentes da Polícia Federal - 65%
Não sei responder - 1%

4)Você acredita na inocência do ex-presidente Lula? 
Sim, acredito nele - 57%
Nao, ele é culpado - 34%
Não sei responder - 8%

5) Depois que o ex-presidente depôs na Policia Federal ele concedeu uma entrevista coletiva na sede do PT em São Paulo que foi transmitida pela televisão. Você assistiu à entrevista dele? 
Sim, assisti tudo - 63%
Sim, assisti partes da entrevista - 25%
Não, mas fiquei sabendo - 11%
Não, estou sabendo disso agora - 1%

sexta-feira, 4 de março de 2016

Delegado da PF espinafra Moro Condução coercitiva? Qua qua qua! - Armando Rodrigues Coelho Neto para GGN/Conversa Afiada

Delegado da PF espinafra Moro

Condução coercitiva? Qua qua qua!
publicado 04/03/2016
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No GGN:

Os 45 tons de cinza do juiz Sérgio Moro, por Armando Rodrigues Coelho Neto

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Está em curso uma guerra ao PT vendida ao grande público como combate à corrupção. Mentira. Na prática existe a preparação da sociedade, sobretudo os setores menos esclarecidos, para aceitaram qualquer medida truculenta ou raivosa contra o direito, contra o ex-presidente Lula. Serve de exemplo a operação de hoje.

Em mais de 30 anos de Polícia Federal, nunca vi uma condução coercitiva sem ser precedida, no mínimo, por duas intimações não atendidas. Querem a cabeça do Lula para ser exibida em praça pública ou seguir a escrita de produzir capa para a revista Veja no final de semana, melhorar a audiência do decadente Jornal Nacional e ou outras razões inconfessáveis.

Um linchamento moral está em curso e medo de urna não se explica. Operadores do Direito, alguns dos quais muito falantes e requisitados para programas de televisão, têm estado silentes quanto à arbitrariedades. Não sei como se comportarão na de hoje. Tudo em nome do “bem maior” revelado ou implícito: “Fora PT”.

Em nome desse “bem maior”, as camadas mais pobres vem sendo preparadas pela dita “grande mídia” para aceitar a prisão do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Hoje teve “test drive”. Insatisfeitos com a verdade formal, a pretexto de buscar a verdade real, o que seria razoável, partiu-se pro vale tudo.

Vale tríplex, barquinho de lata, pedalinhos, qualquer coisa que possa alimentar à caça ao Lula. Pouco importa que o tríplex tenha vínculos similares com a mansão dos Marinhos. Pouco importa que a custa disso outras personagens queiram aparecer. 

A situação é tão esdruxula, que recentemente um site jurídico advertiu ironicamente os advogados: cuidado! Uma batida de trânsito em frente do prédio da Petrobrás, no Rio de Janeiro, pode ter a decisão deslocada para a cidade de Curitiba. Pela camaleônica labilidade, o foro exclusivo já se permite a terceirização, de maneira que, do mesmo modo que nunca ficou muito clara a figura de Sérgio Moro como juiz natural de tudo. Do mesmo modo, não soa cristalina a intervenção do Ministério Público de São Paulo, que a propósito não parece sequer fazer o seu dever de casa.

A rigor, não se pode dizer que a sociedade esteja sendo informada, mas sim insuflada a compactuar com a guerra ao Partido dos Trabalhadores, até em programas de culinária. Vale depoimento de MMA derrotado ou roqueiro decadente. Vale insuflar com notícias não claras, dirigidas, seletivas.

Alguns observadores mais ousados já haviam chamado a atenção para excessos, como a coação nos depoimentos. Conforme a conveniência da investigação da PF, supervisionada pelo Ministério Público e chancelada pela Justiça Federal primária, prisões cautelares ou preventivas são realizadas com ou sem vazamento. Ambas, segundo rumores, acabam tendo uma consequência comum: prende-se, dá uma canseira e os presos começariam a receber visitas de “aconselhadores” para que aceitem fazer “delação premiada”. Vale vazar uma acusação sem prova, desde que sirva de manchete para a mídia porca de plantão.

Aos mais novos posso lembrar “pau-de-arara”, “maricotas”, “cadeira de dragão”, métodos pródigos em confissões viciadas. Hoje, o pau-de-arara é light e invisível, de onde brotam controvertidos atos de contrição.

Não se trata de ser contra a Lava Jato. Nem de desqualificar meus colegas de trabalho. Não lhes posso atribuir a vergonhosa arbitrariedade de hoje, pois devem estar cumprindo ordem, ainda que revestida de certa tirania.

O espectro restrito das ações, a obsessão por um só partido, uma só época, o vazamento seletivo, as exceções, as postagens de delegados federais nas redes sociais tudo isso macula um trabalho, que se sério fosse, se ocuparia da corrução.

A aparente falta de isenção faz a Lava Jato tem um quê de jogar para a plateia. Consta que seu condutor-mor faz palestras, nas quais pede que o povo vá para as ruas protestar. Consta ter recebido prêmios de instituições que estariam sob supostas investigações, e até participado de lançamento de candidaturas.

Na esteira dessa anomalia e estado de exceção, “Medalhões da Advocacia”  estão levando chocolate de um juiz de primeira instâncias, enquanto as instâncias revisoras estão acuadas pela mídia visivelmente partidarizada.

Enquanto isso, milhares de inquéritos sobre crimes de monta claudicam nas delegacias de crimes financeiros da Polícia Federal, em todo o Pais. Quem são os acusados? Qual o valor das fraudes? Qual o exato tamanho do roubo? Ninguém sabe. Certamente fraudes imensas que correm em sigilo sem cobertura da imprensa, sem que se saiba quantas intimações deixaram de ser atendidas e ou se foram ou não conduzidos coercitivamente.

Quantos processos fiscais aguardam indefinidamente decisão para serem convertidos em processo ou não ninguém sabe. Fraudes bravas e impunes que mofam nos escaninhos da Receita Federal sujeitas a recursos e mais recursos.

Não. Depois de hoje, mais que nunca ficou claro. Não há combate à corrupção e sim guerra ao PT. Vejo o estado aparelhado ao contrário, enquanto as instituições envolvidas na Operação Lava Jato estão perdendo a oportunidade de fazer uma efetiva limpeza no País. Certamente entrará para história. Não como uma operação que livrou o pais da corrupção, mas de haver atuado como força auxiliar de um golpe de estado ensaiado desde o fechamento das urnas nas últimas eleições presidenciais.

A Operação Lava Jato, com seu pau-de-arara invisível, caçam Lula como não caçam Chicos, Cunhas, Marinhos, HSBC, envolvidos na Operação Zelotes e outros. Hoje, exatamente hoje, ficou bem claro que a roupa preta do juiz Sérgio Moro desbotou de vez e já exibe, descaradamente, os seus 45 tons de cinza.

Armando Rodrigues Coelho Neto - Delegado de Polícia Federal aposentado e jornalista, ex-representante da Interpol em São Paulo

Instituto Lula denuncia a truculência dos golpistas - Miguel do Rosário para O Cafezinho

Instituto Lula denuncia a truculência dos golpistas

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Um espetáculo midiático de violência, apenas isso.
Abaixo, texto divulgado pelo Instituto Lula.
***
Lava Jato desrespeita o Supremo e compromete sua credibilidade
São Paulo, 4 de março de 2016
A violência praticada hoje (4/3) contra o ex-presidente Lula e sua família, contra o Instituto Lula, a ex-deputada Clara Ant e outros cidadãos ligados ao ex-presidente, é uma agressão ao estado de direito que atinge toda sociedade brasileira. A ação da chamada Força Tarefa da Lava Jato é arbitrária, ilegal, e injustificável, além de constituir grave afronta ao Supremo Tribunal Federal.
1) Nada justifica um mandato de condução coercitiva contra um ex-presidente que colabora com a Justiça, espontaneamente ou sempre que convidado. Nos últimos meses, Lula prestou informações e depoimentos em quatro inquéritos, inclusive no âmbito da Operação Lava Jato. Dezenas de testemunhas foram ouvidas sobre estes fatos alegados pela Força tarefa, em depoimentos previamente marcados. Por que o ex-presidente Lula foi submetido ao constrangimento da condução coercitiva?
2) Nada Justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do Instituto Lula e da empresa LILS Palestras. A Lava Jato já recebeu da Receita Federal, oficialmente, todas as informações referentes a estas contas, que foram objeto de minuciosa autuação fiscal no ano passado.
3) Nada justifica a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente Lula, pois este sigilo já foi quebrado, compartilhado com o Ministério Público Federal e vazado ilegalmente para a imprensa, este sim um crime que não mereceu a devida atenção do Ministério Público.
4) Nada justifica a invasão do Instituto Lula e da empresa LILS, a pretexto de obter informações sobre palestras do ex-presidente Lula, contratadas por 40 empresas do Brasil e de outros países, entre as quais a INFOGLOBO, que edita as publicações da Família Marinho. Todas as informações referentes a estas palestras foram prestadas à Procuradoria da República do Distrito Federal e compartilhadas com a Lava Jato. Também neste caso, o Ministério Público nada fez em relação ao vazamento ilegal de informações sigilosas para a imprensa.
5) Nada justifica levar o ex-presidente Lula a depor sobre um apartamento no Guarujá que não é nunca foi dele e sobre um sítio de amigos em Atibaia, onde ele passa seus dias de descanso. Além de esclarecer a situação do apartamento em nota pública – na qual chegou a expor sua declaração de bens – e em informações prestadas por escrito ao Ministério Público de São Paulo, o ex-presidente prestou esclarecimentos sobre o sítio de Atibaia em ação perante o Supremo Tribunal Federal, que também é de conhecimento público.
6) A defesa do ex-presidente Lula peticionou ao STF para que decida o conflito de atribuições entre o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal (Força Tarefa), para apontar a quem cabe investigar os fatos, que são os mesmos. Solicitou também medida liminar suspendendo os procedimentos paralelos até que se decida a competência conforme a lei. Ao precipitar-se em ações invasivas e coercitivas nesta manhã, antes de uma decisão sobre estes pedidos, a chamada Força Tarefa cometeu grave afronta à mais alta Corte do País, afronta que se estende a todas as instituições republicanas.
7) O único resultado da violência desencadeada hoje pela Força Tarefa é submeter o ex-presidente a um constrangimento público. Não é a credibilidade de Lula, mas da Operação Lava Jato que fica comprometida, quando seus dirigentes voltam-se para um alvo político sob os mais frágeis pretextos.
O Instituto Lula reafirma que Lula jamais ocultou patrimônio ou recebeu vantagem indevida, antes, durante ou depois de governar o País. Jamais se envolveu direta ou indiretamente em qualquer ilegalidade, sejam as investigadas no âmbito da Lava Jato, sejam quaisquer outras.
A violência praticada nesta manhã – injusta, injustificável, arbitrária e ilegal – será repudiada por todos os democratas, por todos os que têm fé nas instituições e do estado de direito, no Brasil e ao redor do mundo, pois Lula é uma personalidade internacional que dignifica o País, símbolo da paz, do combate à fome e da inclusão social.
É uma violência contra a cidadania e contra o povo brasileiro, que reconhece em Lula o líder que uniu o Brasil e promoveu a maior ascensão social de nossa história.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Boito:A crise e a ofensiva da direita para retomar a agenda neoliberal - Armando Boito para Portal Vermelho

19 de fevereiro de 2016 - 19h11 

Boito:A crise e a ofensiva da direita para retomar a agenda neoliberal

De acordo com o cientista político Armando Boito, a crise política brasileira se origina da ofensiva do campo neoliberal ortodoxo contra os governos neodesenvolvimentistas do PT. A investida da direita, que serve ao capital internacional, busca reimplantar o programa que vigorou na década de 90. Tal processo político, avalia ele, reflete um conflito distributivo – de apropriação da riqueza -, que opõe classes e frações de classes no Brasil.


  
Professor titular de Ciência Política da Unicamp, Boito participou nesta quinta (18) do debate “A natureza da crise política brasileira”, promovido pela Fundação Maurício Grabois, em São Paulo. Segundo ele, o atual momento político deriva do agravamento de contradições. A principal delas se daria entre a Frente Política Neodesenvolvimentista, que sustentou os governos petistas de 2003 a 2014, e a Frente Neoliberal Ortodoxa, que dirigiu o país e teve hegemonia na década de 90 e atualmente organiza a oposição burguesa às gestões do PT.

“A crise se originou fundamentalmente dessa ofensiva restauradora, que quer reimplantar o programa neoliberal”, disse. Para ele, tal investida, contudo, foi agravada pelo fato de também dentro do própria Frente Neodesenvolvimentista existirem contradições.

“Em 2011 e 2012, quem estava na ofensiva era o governo Dilma, com medidas neodesenvolvimentistas, uma seguida da outra. Mas, a partir de 2013, o campo neoliberal ortodoxo tomou a iniciativa, sitiou o Ministério da Fazenda e sua nova matriz de política econômica. Retomou a agitação do programa neoliberal. E, quando reiniciou essa ofensiva, encontrou a Frente Neodesenvolvimentista já esgarçada, com sua unidade comprometida”, analisa.

A Frente Neodesenvolvimentista

O que Boito chama de neodesenvolvimentismo é a política aplicada pelo PT, que procurou estimular o crescimento econômico por intermédio da intervenção do Estado na Economia, a partir de ações de financiamento, ampliação do investimento público e protecionismo à produção local, por exemplo.

“Mas o prefixo ‘neo’ não é apenas porque veio depois do desenvolvimentismo. É que esse novo desenvolvimentismo, que foi configurado nas políticas econômica, externa e social dos governos do PT, diferentemente do velho desenvolvimentismo, é uma política de estímulo ao desenvolvimento por intermédio do Estado e limitada pelo modelo capitalista neoliberal que, ao meu modo de ver, não foi superado na economia e no capitalismo brasileiro. Esse modelo impõe limites à política de crescimento econômico. E, muitas vezes, quando os governos do PT esbarravam nesses limites, tendiam a recuar”, detalha.

Segundo o cientista político, esta frente neodesenvolvimentista é dirigida por uma burguesia interna. “Preservou-se aqui uma fração de classe com base de acumulação própria, com interesses distintos dos interesses do capital imperialista. Não é uma burguesia anti-imperialista, mas que disputa com o capital estrangeiro posições na economia brasileira. E inclusive na economia da América Latina. Essa é a principal base social dessa política”, diz.

O professor afirma que, no Brasil, essa burguesia interna não precisou criar um partido político. Ela “assediou” o PT, conseguindo que o partido passasse a aplicar uma política que atendesse a seus interesses.

Desta forma, apesar de o PT não ter rompido a ordem que vigorava anteriormente, adotou medidas que moderaram os efeitos negativos do modelo capitalista neoliberal sobre o crescimento, explica Boito.

“Não superaram a política de abertura comercial, mas criaram uma política de produção de conteúdo local, instauraram nichos de protecionismos. Mantiveram a política de juro elevado, que inibe o investimento produtivo, mas procuraram moderar os efeitos negativos dessa política. Decuplicaram o orçamento do BNDES, passaram a emprestar a juros negativos para grandes empresas nacionais. Não renegociaram a dívida pública, então grande parte do orçamento é esterilizado, o que inibe a capacidade de investimento do estado. Mas eles procuraram retomar os investimentos públicos, de qualquer forma, e retomaram”, enumera.

Para ele, o simples atendimento aos interesses dessa burguesia interna – que resulta em uma política de crescimento econômico - já tem um impacto popular, que permite a esses governos ter certa base de apoio. “FHC entregou o governo em 2003 com 13,5% de desemprego. No fim do primeiro mandato de Dilma, o desemprego era 4, 6%. A diferença é bárbara. Mas, além disso, esses governos adotaram medidas de política social que contemplaram interesses de assalariados urbanos, de uma classe média e operária, dos camponeses e de um grande contingente de trabalhadores da massa marginal”, acrescenta.

Com tanta heterogeneidade, era mesmo de se esperar que houvesse contradições dentro desta frente. Mas, de acordo com Boito, nos momentos críticos, como na crise do mensalão, por exemplo, essas forças muito distintas se juntavam.

“Em 2005, os movimentos populares defenderam o mandato de Lula e as grandes entidades empresariais se fizeram fotografar na porta do Planalto com o presidente, o apoiando. A imprensa da Fiesp publicou matéria atrás de matéria criticando a oposição que estava conturbando o ambiente econômico do país. Em 2010, Dilma recebeu o apoio ativo e explícito do setor sucroalcooleiro, das centrais sindicais, do MST. Passada a eleição, os conflitos afloram. Mas, se nos momentos em que está em risco o governo eles se juntam, temos aí uma frente”, conclui.

A Frente Neoliberal Ortodoxa

De acordo com Boito, do outro lado, está a Frente Neoliberal Ortodoxa, pautada pela política econômica, social e externa que vigorou durante os governos do PSDB. Na agenda dos tucanos estava a desregulamentação financeira, abertura comercial, privatização e uma política externa de submissão aos Estados Unidos, cita.

“Sua base social era a fração da burguesia acoplada, subordinada ao capital internacional. E que quer restaurar o programa neoliberal ortodoxo da década de 90. Todas as medidas que moderam os efeitos negativos do modelo capitalista neoliberal sobre o crescimento são criticadas por essa frente”, aponta.

O professor afirma que a ligação da oposição aos governos do PT com o capital estrangeiro fica clara na análise da plataforma neoliberal. Em um momento em que projetos de tucanos tramitam no Congresso, propondo mudar as regras do Pré-Sal e abrir o capital e a gestão das estatais brasileiras, Boito questiona: “A quem interessa as medidas propostas pelo Serra e as críticas feitas por FHC? Quem vai ganhar com o fim da política de conteúdo local? Quem vai ganhar com o fim do financiamento do BNDES para empresas nacionais? Tudo que eles propõem favorece o capital estrangeiro e o setor da burguesia subordinado a esse capital”.

Segundo o professor da Unicamp, a fração da burguesia, que é a força dirigente do campo neoliberal, tem ainda como aliada a alta classe média, que não possui os mesmos interesses da fração da burguesia. “O problema dessa alta classe média não é a política econômica, mas a política social dos governos do PT”, diagnostica.

“Ela entende que paga os gastos do Bolsa Família, do Minha Casa, Minha Vida, e entende que essa política social promove, de maneira indevida, a população pobre. O alvo é a política social, tanto pelo aspecto econômico, quanto ideológico, simbólico, porque entendem que o pobre está comparecendo a lugares que, imaginam eles, deveriam ser frequentados apenas pelos ricos. E foi a alta classe média que se mobilizou em todas essas grandes manifestações [contrárias ao governo Dilma]. Era só coxinha, sim”, analisa.

A crise

Boito afirma então que, devido a essa ofensiva restauradora da direta, setores populares que integravam a base social da frente neodesenvolvimentista, foram neutralizados e até ganhos pela agitação política promovida pela grande burguesia internacional e pela alta classe média.

“Você tem aí uma uma gradação. O setor mais ativo é a alta classe média. Mas eles estão conseguindo expandir. Isso é a situação de crise. Porque significa que aquela linha, que sempre dividiu o campo neoliberal do neodesenvolvimentista, se deslocou, de modo a ampliar a base social do campo neoliberal ortodoxo”, reconhece.

Conforme suas avaliação, mesmo forças e organizações que continuam no campo neodesenvolvimentista, “tiveram seu ânimo de luta abatido, devido à ofensiva da direita, que é multifacetada – nos planos partidário, parlamentar, midiático e nas instituições do Estado, como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário”. Para Boito, a presidenta Dilma Rousseff respondeu a essa investida da direita com um recuo, o que criou uma situação difícil para o movimento popular.

No bojo dessa crise da política neodesenvolvimentista, o cientista político ressalta que há também uma instabilidade da democracia. “Não digo que haja uma crise da democracia, porque não há uma força social nacionalmente representativa propondo uma ditadura. O que estão propondo é um golpe branco. Mas há uma situação de instabilidade, que mostra como essa grande burguesia integrada ao capital internacional e a alta classe média prezam muito pouco pelos valores democráticos”, observa.

Boito ressalta que essas forças querem, a todo custo, anular o resultado das urnas. “Somos obrigados a refletir sobre esse desprezo pela democracia. Há uma velha discussão na esquerda brasileira sobre a fragilidade da democracia nos países dependentes e a gente está de novo assistindo a isso”, adverte.

O Contexto

Durante o debate da Fundação Maurício Grabois, o secretário nacional de Movimentos Sociais do PCdoB, André Tokarski, e o estudante de História e assessor da Vice-Presidência do PCdoB, Mateus Fiorentini, destacaram o contexto em que a crise política brasileira está inserida.

Tokarski situou o momento no marco de uma ofensiva conservadora na América Latina, que atinge países como a Argentina e a Venezuela. Já Fiorentini, citou a crise estrutural do capitalismo, mencionando que o Brasil passa a internalizar os impactos das turbulências da economia internacional.

Por Joana Rozowykwiat, do Portal Vermelho

PIB em queda: Com ação da direita, “não tem economia que aguente” - Guilherme Delgado para Portal Vermelho

3 de março de 2016 - 18h38 

PIB em queda: Com ação da direita, “não tem economia que aguente”

O IBGE divulgou que o PIB brasileiro teve retração de 3,8% em 2015, pior resultado desde o recuo de 4,3% em 1990. Para o economista Guilherme Delgado, não há como dissociar a atual situação da economia brasileira da crise política interna.

Por Joana Rozowykwiat


  
Segundo Delgado, desde o ano passado, há uma campanha – com colaboração da mídia e de parte do Ministério Público e da Polícia Federal – que tenta derrubar o governo e inviabilizar uma candidatura do PT em 2018. “Enquanto isso, a economia vai pro brejo”, disse.

Em entrevista aoPortal Vermelho, nesta quinta (3), Delgado, que é doutor em Economia pela Unicamp, foi taxativo: “Para melhorar as perspectivas da economia, precisamos resolver essa questão política”.

De acordo com ele, pelo menos 70% da crise econômica são decorrentes dos problemas na política. “Porque o grau de incerteza que se criou no ano passado, por causa do processo de impeachment, da Operação Lava Jato, das delações premiadas e dos vazamentos seletivos, tudo isso criou um clima interno muito sério, que, combinado com o clima externo de desaceleração das commodities, enfraquecimento da economia mundial, repercute aqui de forma magnificada”, avaliou.

Delgado tinha a expectativa de que, no princípio de 2016, o clima de instabilidade política melhorasse, mas isso não se concretizou. “Esse clima poderia estar desanuviado pelo fato de o impeachment ter sido praticamente inviabilizado pelas regras que o Supremo estabeleceu e pela reação política. No entanto, esse ambiente de fermentação política e instabilização continua, com forte colaboração do sistema midiático e de parte do Ministério Público e da Polícia Federal envolvida na Operação Lava Jato”, lamentou.

Estas declarações foram dadas no momento em que o noticiário está tomado por matérias sobre a suposta delação premiada do senador Delcídio Amaral, que teria feito acusações sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff. O economista opinou que há uma tentativa orquestrada de criar “factoides” contra Lula e Dilma, à medida que “não há fatos”.

Delgado frisou que não é “petista nem lulista”, mas disse não estar “cego nem insensível” a um quadro que classificou como sendo “de orquestração ultradireitista”. Para ele, o cenário não é bom para a democracia. “Isso, na realidade, é um golpe branco”, defendeu.

“No fundo, o sistema político fica governado por essas operações. Eu chamaria de uma espécie de conspiração, nem tão silenciosa, para derrubada do governo vigente e a inviabilização da alternativa, que seria o candidato do PT em 2018. Esse contexto de crise política é o nó da questão. Não adianta eu ficar falando só de economia, como se fosse um sistema autônomo e autárquico, num quadro institucional dessa natureza”, apontou.

Em relação à suposta delação premiada de Delcídio, ele afirmou: “Qual é o fato dessas denúncias, que têm criminalidade apontada? Eu sou um pesquisador, você tem que trabalhar com fatos. Eu não vejo nessas denúncias fatos. Mas vai criando um clima de instabilidade permanente”, colocou. Segundo ele, nesse ambiente, “não tem economia que aguente”.

Refém da pauta do atraso

O maior problema, analisou o economista, é que, neste cenário, o governo fica acuado, não consegue atuar para combater a crise e ainda é obrigado a ceder. “Isso torna o governo refém. E ele termina apontando para uma pauta oposta àquela que deveria realizar, com base em seu programa eleitoral. Cria-se uma situação de ingovernabilidade. A pauta está sempre refém do inimigo, que tem a borduna maior que a cabeça da vítima”, disparou.

Delgado cita, como exemplos dessa agenda imposta, a reforma da previdência, que pode retirar direitos da população sob o argumento de realizar o ajuste fiscal; e as mudanças na legislação relacionada à Petrobras, que altera as regras para exploração do pré-sal.

“Depois ainda vem a pauta da independência absoluta do Banco Central e outras coisas desse tipo, que não têm a menor possibilidade de resolver a crise e só agravam o caldo de cultura de instabilidade social. Isso é parte da fermentação da crise”, destacou.

Para ele, a situação política não atrapalha apenas as ações do governo no combate à recessão, como também deteriora o ambiente geral da economia. “Economia depende de decisões de produção correntes e decisões de investimento. E as decisões de produção correntes, num sistema privado totalmente encolhido e num sistema público totalmente em crise de governabilidade, ficam paradas”, detalhou.

O economista ressaltou que, enquanto isso, as expectativas de produção, investimento e consumo ficam baixíssimas. E o próprio setor externo, “passada a euforia da maxidesvalorização cambial”, deve se acomodar em um patamar de certa “mediocridade”, avaliou.

Para ele, no fundo, estão questões relacionadas à economia política. “Existem forças poderosas no sistema financeiro, no sistema internacional, operando um processo de transição da economia política do nacional desenvolvimentismo em evidente crise para um retorno ao neoliberalismo, com golpe no estado de direito social”, denunciou.

O economista – que coordenou a área previdenciária do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e integrou o Conselho Nacional de Previdência Social –  citou a reforma da previdência, a defesa da autonomia do Banco Central e da desconstitucionalização das vinculações de recursos da saúde e educação como parte desse processo, que é “um golpe na Constituição de 88”. 


Do Portal Vermelho

Delcídio enforca PiG na IstoÉ Não disse nem falou com suposta repórter - Paulo Henrique Amorim para Conversa afiada

Delcídio enforca PiG na IstoÉ

Não disse nem falou com suposta repórter
publicado 03/03/2016
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"Não conhecemos a origem, tampouco reconhecemos a autenticidade dos documentos"
Conversa Afiada reprodua nota de esclarecimento do senador Delcídio Amaral (PT-MS):
Em respeito ao povo brasileiro e ao interesse público, o Senado Delcídio Amaral e a sua defesa vêm se manifestar sobre a matéria publicada na Revista IstoÉ na data de hoje. À partida, nem o Senador Delcídio, nem a sua defesa confirmam o conteúdo da matéria assinada pela jornalista Débora Bergamasco. Não conhecemos a origem, tampouco reconhecemos a autenticidade dos documentos que vão acostados ao texto. Esclarecemos que em momento algum, nem antes, nem depois da matéria, fomos contatados pela referida jornalista para nos manifestarmos sobre fidedignidade dos fatos relatados. Por fim, o Senador Delcídio Amaral reitera o seu respeito e o seu comprometimento com o Senado da República.

SENADOR DELCÍDIO AMARAL

ANTONIO AUGUSTO FIGUEIREDO BASTO

terça-feira, 1 de março de 2016

Breves considerações sobre a nota oficial da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal - Carlos Eduardo para O Cafezinho

Breves considerações sobre a nota oficial da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal

01/03/2016 - Brasília - DF, Brasil -Assinatura de termo de cooperação tecnica com o MJ. 
Assinatura de termo de cooperação tecnica com o MJ. Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ
Foto: Gil Ferreira/Agência CNJ
por Alfredo Herkenhoff, no Facebook
"Os Delegados da Polícia Federal receberam com extrema preocupação a notícia da iminente saída do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos da Polícia Federal.
Os Delegados Federais reiteram que defenderão a independência funcional para a livre condução da investigação criminal e adotarão todas as medidas para preservar a pouca, mas importante, autonomia que a instituição Polícia Federal conquistou.
Nesse cenário de grandes incertezas, se torna urgente a inserção da autonomia funcional e financeira da PF no texto constitucional.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal permanece compromissada em fortalecer a Polícia Federal como uma polícia de Estado, técnica e autônoma, livre de pressões externas ou de orientações político-partidárias.
Contamos com o apoio do povo brasileiro para defender a Polícia Federal".
De cara um português pra lá de ruinzinho já no primeiro parágrafo. Olhe esse encadeamento: "em razões de pressões políticas para que controle os trabalhos... ". Considerando que delegados são formados por faculdades de Direito, o texto dá a sensação de que foi feito de afogadilho. Cardozo não alegou estar sofrendo pressão política. Mas claro que está. Sempre esteve. E pressões políticas costumam ser legítimas.
Citando frases e reflexões de grandes pensadores sem citá-los. Toda polícia, seja civil, militar ou federal, tem de ter controle. Soldados são controlados pelos seus superiores e estes, por seus ou nossos governantes. O Ministro do Exército é controlado pela Presidência da República. A guerra é assunto sério demais para ser deixada em mãos dos generais.
Autonomia para investigar, sim, mas se faz investigações seletivas, se vaza trechos seletivos de depoimentos colhidos ainda sob a égide do sigilo, se grampeia acusados e seus advogados, e se não investiga corretamente os seus próprios desmandos, uma polícia assim dá a cidadãos a possibilidade de suspeitarem de que existe uma operação política e operação partidária na própria operação de investigação criminal autodenominada Lava Jato.
Não é nova a máxima de que Forças Armadas sem controle político só existem em ditaduras. Polícia sem controle político só existe em sociedades sob risco de rupturas institucionais graves. E o controle político tem de ser exercido pelo governante no topo do Poder Executivo com mandato conferido pelas urnas.
O primeiro parágrafo tem uma clara afirmação de que se trata de uma nota política contrária à saída da pasta da Justiça de um ministro petista tido, por parte da crônica jornalística dos nossos dias, como leniente diante das características partidaristas da Lava Jato, e tido por parte da chamada grande imprensa como um bom ministro que jamais cerceou a atuação de qualquer delegado.
O concreto é que cabe à Presidência nomear ministros. E cabe a ministros da Justiça controlar não a autonomia de funcionários encarregados de investigações de crime, mas controlar quando a autonomia se transforma num braço político de segmentos da oposição.
Desconhecendo o estatuto da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, não dá para saber se o texto da nota não fere alguma coisa em seus preceitos. Nem dá para saber se reflete ou representa corretamente todo o corpo ou a maioria da Polícia Federal.
A nota diz que a categoria se quer livre de pressões externas ou de orientações político-partidárias. Nunca a PF no Brasil teve tanta autonomia. E nunca, depois da redemocratização, um segmento dessa mesma categoria teve uma atuação tão abertamente orientada por simpatizantes da oposição encarnada no PSDB.
Blindados pela grande mídia, segmentos da magistratura, da PF, e do MP estão pisando no ordenamento jurídico. O domínio do fato está virando uma epidemia. A lei da delação premiada pressupõe que um acusado aceita livremente, espontaneamente, voluntariamente, um acordo para redução de pena em troca de sua ajuda para elucidar crimes. Aqui a tortura das prisões preventivas é mais um escárnio ao nosso Direito a ser devidamente exibido e estudado nos textos que nossos netos lerão se resolverem e puderem cursar uma universidade.
Os delegados, com um bom lobby, podem conseguir deste Congresso a inclusão de mais autonomia na Constituição. Mas, por ora, melhor que trabalhem e aceitem as orientações legais de seus superiores. Que parem de fazer investigação só de um lado do espectro político-partidário.
A nota termina com um estranho desejo: "Contar com o apoio do povo". Que povo, que apoio? Essa expressão "apoio do povo" é típica de político em campanha. E seu uso na nota dos delegados fortalece as suspeitas de que há mais desmandos na Lava Jato do que faz crer um par de microfones em grampos mal esclarecidos.
O Brasil anda num retrocesso tal que tem muita gente no povo achando que criminalista é o mesmo que crime, que advocacia criminal é coisa ruim ou boa só para os criminosos. Está difícil ser um advogado criminal. Ele fica mal na fita. Está difícil fazer julgamento justo no Brasil. A democracia está ameaçada pelo moralismo de uma campanha partidarizada contra a nossa corrupção endêmica.
Prefiro um ladrão solto do que segmentos do Poder Judiciário coletando provas ilegalmente. Quando uma Justiça absolve seus próprios atos ilegais ela não faz justiça. Faz política de afronta à Constituição.

Ministério Público vem orquestrando avanço do Estado penal - Carlos Eduardo para O Cafezinho

Ministério Público vem orquestrando avanço do Estado penal

O procurador da República Deltan Dallagnol, que integra o núcleo da Operação Lava Jato,  participa de lançamento, no Rio, do projeto 10 Medidas Contra a Corrupção, do MPF  (Vladimir Platonow/Repórter da Agência Brasil)
Foto: Vladimir Platonow/Agência Brasil
por Leonardo Isaac Yarochewsky, no Consultor Jurídico
O Ministério Público Federal comemorou no último dia 25, com toda pompa e circunstância, inclusive com direito à presença de artista global, o fato de ter conseguido as assinaturas necessárias (mais de 1,5 milhões) para encaminhar projeto de lei de iniciativa popular em favor das “10 medidas contra a corrupção”.
Durante cerca de sete meses de campanha por todo o país, alguns membros do MPF — procuradores que atuam na "lava jato" — fizeram palestras, até mesmo em igrejas, defendendo as referidas medidas. Nem sempre com ética e responsabilidade, mas sempre em nome da sanha punitivista, os procuradores da República com suas vocações acusatórias convenceram pessoas de diversas classes sociais, instruídas ou não, a assinar a proposta. Até mesmo o nome de “Deus” foi usado em vão para obtenção das assinaturas necessárias.
Entre as dez medidas, os procuradores propõem: tornar crime o enriquecimento ilícito de agentes públicos, responsabilizar os partidos pelo crime de caixa dois, transformar a corrupção envolvendo altos valores em crime hediondo com penas altas e acelerar as ações contra a conduta desonesta no setor público, a chamada improbidade administrativa.
Em artigo publicado no jornal Zero Hora (28/2)[1] sobre o “pacote do MP” que propõe, entre outros absurdos, que os agentes públicos se submetam a testes que apontem se eles são ou não propensos a cometerem crimes, Lenio Streck afirma, com toda propriedade, que se trata de uma “eugenia cívica”. De acordo com Lenio, “o pacote retroage mais de mil anos ao restringir a possibilidade de pedido liminar em habeas corpus”.
Em outro viés autoritário, a maioria esmagadora dos membros do Ministério Público (Federal e Estadual) comemora a decisão do Supremo Tribunal Federal que relativizou o princípio da presunção de inocência. O procurador-geral da República Rodrigo Janot declarou que a referida decisão “trata-se de um passo decisivo contra a impunidade”. Em carta dirigida aos seus pares, o chefe do Ministério Público exaltou a decisão autoritária, afrontosa aos direitos humanos e que destroçou a Constituição da República.
Nilo Batista, com atuação em vários processos em defesa de acusados e presos políticos durante o regime ditatorial de exceção, já asseverou que “o direito penal é a porta de entrada do fascismo”.
De igual modo, Christiano Falk Fragoso[2] observa que o processo penal é um campo fértil para as diversas formas de manifestações de autoritarismo.
É no direito penal e no processo penal — como formas de manifestações e instrumentos de poder — que o autoritarismo e fascismo brotam e se desenvolvem. Através do direito penal e do processo penal se busca controlar a sociedade e neutralizar os indesejáveis — eleitos como inimigos — sejam na concepção de Carl Schmitt ou na de Gunther Jakobs.
Aliado à Polícia Federal (PF), com o aval de alguns magistrados e o apoio da mídia repressora, o Ministério Público vem orquestrando e conduzindo o avanço do Estado penal que ocupa cada vez mais espaço no seio da sociedade.
A influência perniciosa e vil dos meios de comunicação que usam e abusam do poder — decorrente principalmente do monopólio — é empregada pelo braço repressor do Estado (PF e MP) para, através do discurso do medo, da violência, da corrupção etc. conquistar não só o apoio da sociedade, mas para obter uma “carta branca”, com a qual tudo é permitido e os fins justificam os meios, para combater o crime.
Interessante observar a análise feita por Massimo Pavarini sobre como a “Operação Mãos Limpas” — exemplo para alguns aqui no Brasil — que relegitimou o sistema penal na Itália. Segundo Pavarini, “na Itália, durante muito tempo e diferentemente do que se registrou em outras realidades nacionais, os sentimentos coletivos de insegurança puderam se manifestar como demanda política por mudança através de uma participação democrática mais intensa. O que equivale a dizer que a comunicação social, através do vocabulário da política, favoreceu uma construção social de mal-estar e de conflito fora das categorias morais de culpa e pena”. [3]
Em razão de novos critérios de criminalização primária e secundária a população carcerária aumentou 50% ao ano. A seletividade repressiva dirigiu-se, especialmente, para duas figuras de marginalidade — drogaditos e imigrantes de cor.
Mais adiante, Pavarini assevera que um exemplo que pode explicar a mudança de paradigma da construção social do inimigo interno é “oferecido hoje na Itália pela campanha denominada jornalisticamente como ‘Mãos Limpas’, de repressão judicial à corrupção política”. [4]
O paradigma político social da corrupção dá lugar, segundo Pavarini, ao paradigma moralista. “Os magistrados que conduzem as investigações sobre corrupção política são novos ídolos populares, os grandes ‘moralizadores’ porque são grandes ‘justiceiros’”.[5] Qualquer semelhança com a realidade brasileira não é mera coincidência.
Ao se referir sobre uma sociedade autoritária, a filósofa Marilena Chaui observa que a sociedade brasileira conheceu a cidadania através de uma figura inédita: “o senhor-cidadão, e que conserva a cidadania como privilégio de classe, fazendo-a ser uma concessão regulada e periódica da classe dominante às demais classes sociais, podendo ser-lhes retirada quando os dominantes assim o decidem (como durante as ditaduras)”. [6]
Para Marilena Chaui, a sociedade brasileira é, também, autoritária, porque as leis sempre foram armas utilizadas para manutenção de privilégios e “instrumento para a repressão e a opressão, jamais definindo direitos e deveres”. [7]
Dúvida não há, e os dados comprovam, que os mais vulneráveis (jovens, negros e pobres) são os que mais sofrem com a repressão penal. Contudo, hodiernamente, os agentes do Estado punitivista buscam a criminalização do “colarinho branco”, da “criminalidade dourada” e da política (pelo menos em relação há alguns) para mostrar que o direito penal é igual para todos. O direito penal jamais será igual para todos em uma sociedade de classe e capitalista, porque nem todos são iguais.
O cerceamento de direitos e garantias, a relativização dos princípios fundamentais e o incremento da criminalização, em nome do combate a corrupção ou a qualquer espécie de criminalidade, só tem o condão de transformar o Estado democrático de direito em um Estado autoritário e fascista, no qual a polícia Federal passa a ter o papel de uma polícia política nos moldes dos estados nazifascistas e o Ministério Público um aparelho do estado repressor.
***
2 FRAGOSO, Christiano Falk. Autoritarismo e sistema penal. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2015.
3 PAVARINI, Massimo. O instrutivo caso italiano. In: Discursos Sediciosos – crime, direito e sociedade, ano 1, nº 2. Rio de Janeiro: Instituto Carioca de Criminologia/Relume Dumará, 1996.
4 PAVARINI, ob. cit.
5 PAVARINI, ob. cit.
6 CHAUI, Marilena. Manifestações ideológicas do autoritarismo brasileiro. Organizador André Rocha. Belo Horizonte: Autêntica Editora; São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2013.
7 Idem.