terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O incrível interrogatório sem perguntas de Cerveró - Fernando Brito para Tijolaço

O incrível interrogatório sem perguntas de Cerveró

suicid
Cerveró  – Então eu fui indicado para a diretoria da BR Distribuidora por reconhecimento do Presidente pela ajuda que prestei para resolver aquele problema do empréstimo da Schahin –
Procurador – Sim, o como é que o senhor soube do reconhecimento do presidente Lula a isso?
Cerveró – …. (silêncio)
Procurador – Ele disse isso ao senhor, pessoalmente ou por telefone?
Cerveró – Não, senhor…
Procurador – E como é que o senhor soube disso?
Cerveró – …. (silêncio)
Teria sido assim o interrogatório do senhor Nestor Cerveró  que lhe rendeu redução da pena?
Deve ter sido, porque a “ligação” de Lula à sua nomeação e a razão dela ter sido a “gratidão” presidencial pela operação ocupa exatas duas linhas e meia no depoimento premiado de Cerveró, que, há coisa de uma hora, foi liberado pelo “vazador” para ser publicado. Sim, porque duvido que um repórter experiente como o do Estadão fosse “deixar para depois” de ser furado pela Folha que havia uma menção a Lula, justo na primeira página do documento.
Mas vamos ao que diz o papelucho, cuja guarda estava a cargo dos procuradores Fábio Mangrinelli Coimbra e Rodrigo Telles de Souza.
QUE, como reconhecimento da ajuda do declarante nessa situação (a quitação do empréstimo), o Presidente da República LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA decidiu. indicar o declarante. para uma diretoria da BR DISTRIBUIDORA, a Diretoria Financeira e de .Serviços.
Só. Nada mais, oficialmente, foi dito ou lhe foi perguntado, porque não está no depoimento, nem que seja para dizer “que, indagado, não soube explicar que…etc…”
Inacreditável. Aliás, na página seis, Cerveró diz que  Delcídio ” também era considerado responsável pela indicação do. declarante para a diretoria da BR DISTRIBUIDORA”. Era considerado ou era? Foi Delcídio que falou a Cerveró  da suposta gratidão de Lula?
A única operação concreta a que Nestor Cerveró se refere é um suposto empréstimo do Banco do Brasil ao usineiro João Lyra, em 2010, por influência de Fernando Collor e que teria irritado Renan Calheiros. Há, porém, um “probleminha”: informa oficialmente o Banco do Brasil que o empréstimo foi recusado e não saiu…
Qualquer delegado novato de DP no pé do morro aqui no Rio interroga melhor. Até porque sabe que um depoimento destes, sem materialidade e sem concatenação é lixo no tribunal.
Mas, no tribunal  em questão, parece “não vir ao caso” e o depoimento é totalmente adequado ao que se busca, de fato: acusar Lula assim na base do “ouvi dizer”.
Não precisa nem dizer de quem ouviu dizer.
PS. Detalhe intrigante: Detalhe, a delação não é o mesma que estava nas mãos de André Esteves e Delcídio do Amaral por uma simples razão: ambos foram presos  no dia 25 de novembro e o depoimento foi prestado dia 7 de dezembro. É uma nova versão, certamente  revista e talvez ampliada. Assim se conduz uma montagem.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Altamiro Borges: Será que os deputados federais fisgados pela Rede concordam com as declarações da chefona da sigla? - Viomundo

Altamiro Borges: Será que os deputados federais fisgados pela Rede concordam com as declarações da chefona da sigla?

publicado em 10 de janeiro de 2016 às 13:37
marina e aécio
Marina Silva volta aos braços de Aécio
A egocêntrica Marina Silva não aguentou ficar muito tempo distante dos holofotes da mídia. Nos últimos meses, no processo de legalização do seu partido, ela até controlou os seus ímpetos. A Rede conseguiu garantir o seu registro e fisgar cinco deputados federais. Diante da conspiração orquestrada pelo correntista suíço Eduardo Cunha e os líderes do PSDB, DEM, PPS e SD, a nova sigla procurou se diferenciar, rejeitando a proposta golpista do impeachment de Dilma. Agora, porém, ela sofre uma nova recaída e retorna aos braços do cambaleante Aécio Neves, a quem apoiou no segundo turno das eleições presidenciais. Com isso, lógico, Marina Silva garante generosos espaços na imprensa tucana.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, nesta quinta-feira (7), ele defendeu exatamente a mesma proposta do rancoroso tucano – que até hoje não engoliu o derrota nas urnas. Para ela, a presidenta reeleita “não tem mais liderança política no país nem maioria no Congresso… O melhor caminho para o Brasil é o processo que está no TSE, porque teria a cassação da chapa com a comprovação de que o dinheiro da corrupção foi usado para a campanha do vice e da presidente”. A arrivista, que até hoje não se dignou a explicar a origem dos recursos do jatinho que transportava o encabeçador da sua chapa, o falecido Eduardo Campos (PSB), adora posar de pura, ingênua e paladina da ética.
Na sua deprimente recaída, Marina Silva usou até o mesmo argumento do cambaleante Aécio Neves: “Impeachment não é golpe”. Só faltou expressar seu apoio ao fundamentalista Eduardo Cunha – o que não causaria maiores surpresas. Na campanha eleitoral de 2014, a ex-verde se aliou a inúmeros trastes da direita religiosa. Será que os deputados federais que foram fisgados pela Rede concordam com as declarações de Marina Silva, a chefona da sigla? Será que a nova legenda irá se unir aos golpistas do PSDB, DEM, PPS e SD na ofensiva pelo impeachment de Dilma? Com a palavra, os convertidos de Marina Silva!
 Leia também:
Acompanhe o VIOMUNDO também no Facebook e no Twitter

A euforia da direita latino-americana e seus limites - Emir Sader para Rede Brasil Atual

EMIR SADER

A euforia da direita latino-americana e seus limites

Medidas sinalizadas por Argentina e Venezuela não são sinônimo de sucesso automático. Repetem um passado neoliberal que fracassou e sofrem resistência de movimentos sociais e amplas camadas populares
por Emir Sader, para a RBA publicado 10/01/2016 11:32
HISPANTV/REPRODUÇÃO
Argentina
Democracia e Lei de Meios, mãos dadas. Manifestação no centro de Buenos Aires reage a sinais de retrocesso de Macri. Na Venezuela, oposição deu salto de 400 mil de votos, mas abstenção de 2 milhões pode esconder reserva pró-chavismo
A direita latino-americana, depois da década e meia de sucessivas frustrações, parece acreditar que possa voltar a ser protagonistas da história contemporânea do continente. Nos meios financeiros e na mídia internacional, predomina uma verdadeira euforia.
O ímpeto com que atuam na Argentina e na Venezuela pode dar a impressão de que sabem para onde querem ir, que têm a chave do futuro das nossas sociedades, que se renovaram a ponto de poder se tornar de novo forca hegemônica na região. Criticam os governos progressistas, como se se tratasse de um ciclo esgotado, ao que eles se propõem a suceder e a superar.
Mas será mesmo assim? O que se pode depreender dos primeiros movimentos do governo de Mauricio Macri na Argentina e dos da oposição vitoriosa nas eleições parlamentares na Venezuela?
Ainda que se proponha a imprimir um novo impulso à economia, todos os sintomas são da retomada do liberalismo econômico, apesar do seu fracasso espetacular no passado recente desses países e nos que ainda mantém o modelo – como Mexico, Peru e outros. As medidas postas em prática na Argentina e as que anunciam na Venezuela representam a velha fórmula da retirada do Estado de sua capacidade de regulação da economia, da liberação de ação das forças do mercado, da reinserção internacional de subordinação ao FMI e à política norte-americana na região. Aprofundamento da recessão e aguda crise social são os corolários obrigatórios dessas políticas.
Nada a ver com a superação do ciclo progressista, mesmo quando se declaram formalmente que manteriam as políticas sociais desses governos, reconhecendo seu sucesso e o apoio popular a elas. Ao reafirmar os supostos duros das políticas neoliberais, cortando recursos e afetando diretamente os núcleos que conduzem os objetivos sociais, demonstram a contradição entre estes e sua política econômica. Contradição clara na Argentina, onde rapidamente se multiplica o desemprego, dizendo combater a suposta forma artificial de criar empregos pelos governos que chamam de “populistas”.
Como chegaram ao governo na Argentina pela via eleitoral, não podem contar com a repressão aberta aos movimentos populares, que deu margem de manobra às ditaduras para impor sua “paz social”. Macri se enfrenta, desde os primeiros dias, com mobilizações populares maciças e indignadas pela brutalidade com que tenta desmontar os direitos conquistados ao longo dos últimos 12 anos. Não há lua de mel para o novo governo argentino. Ao contrário, as primeiras duras negociações salariais indicam que a vida não será risonha como sua campanha eleitoral.
O que acontecerá quando o governo se der conta de que a economia não voltará a crescer com as medidas que toma? Que, ao contrário, se aprofunda a recessão, com aumento do desemprego e da crise social? O que acontecerá quando sentir as consequências de que não dispõe da maioria para continuar atropelando a institucionalidade política do país, mediante decretos? O que acontecerá quando tomar consciência de que não pode estabelecer acordos internacionais que se contraponham ao Mercosul, salvo que tente a aventura de abandonar essa aliança regional de que tanto depende a economia argentina e se distancie cada vez mais do Brasil?
Na Venezuela, a euforia da direita por sua maioria parlamentar com a projeção da mudança de governo em seis meses, vai ter de se chocar com a dura realidade concreta. Em primeiro lugar, uma coisa é um triunfo em eleições parlamentares, em que tiveram 400 mil votos a mais que na eleição anterior – o voto castigo provavelmente de chavistas descontentes –, contando com grande abstenção de 2 milhões que não exerceram o voto castigo, mas que poder servir de reserva de apoio do governo. Esses amplos setores, diante de um referendo revogatório que a oposição consiga convocar, não se somarão automaticamente ao fim do governo chavista, sabendo de todas as consequências negativas para os setores populares.
Em segundo lugar, as novas iniciativas de governo para reativar a economia, a ser enviadas à Assembleia Nacional, colocarão para a oposição o desafio de compartilhar medidas contra a crise ou de se manter na impopularidade da política de quanto pior, melhor. Sabendo que os problemas econômicos são os que mais afetam à população e que o setor moderado da oposição quer ajudar a superar a crise, enquanto o setor radical só pensa em mudar o governo, as dificuldades e o desgaste para a oposição podem ser decisivos diante de uma população necessitada de soluções imediatas para seus problemas.
Por outro lado, as medidas com que o governo se blindou dificultam muito as primeiras medidas anunciadas pela oposição, seja a anistia para os presos, seja qualquer outra que busque a substituição do governo em seis meses, que se chocarão com uma institucionalidade adversa – tanto no Executivo como no Judiciário. A euforia inicial vai se esgotar rapidamente. Restaria a convocação de um referendo – sobre a permanência ou não de Nicolás Maduro –, mas a oposição teria de ter mais votos do que os que teve Maduro para se eleger presidente.
Diante da alternativas de terminar de vez com os governos chavistas e entregar o poder à oposição ou seguir lutando pela superação da crise no marco desses governos, a oposição não contará facilmente com uma maioria. O decisivo será a luta de massas nos próximos meses, com a reação popular diante das iniciativas do governo para superar a crise e as respostas da oposição. As mobilizações populares, que já começaram, favorecem amplamente o governo, que conta com uma militância ativa, enquanto a oposição conta com um grande apoio silencioso e com o descontentamento de setores populares que sempre tinham apoiado chavismo.
O determinante, entretanto, será a postura política da esquerda, em ambos os países, de propor alternativas concretas, de travar a luta de ideias e ser capaz de mobilizar ao mais amplos setores populares na resistência contra a direita. E de dirigir de forma unificada a continuidade das lutas contra o neoliberalismo e as tentativas de restauração conservadora nas nossas sociedades.

domingo, 10 de janeiro de 2016

As flores do recesso fedem a fascismo - Fernando Brito para Tijolaço

As flores do recesso fedem a fascismo

camisasnegras
A expressão “flores do recesso”, cunhada pelo velho pessedista Thales Ramalho para designar o que, mais tarde, Cesar Maia chamaria de “factóides” – os balões de ensaio estapafúrdios, destinados a chamar a atenção e cobrir os “buracos” de noticiário durante o recesso do Legislativo  e, agora, do Judiciário, transformado em “novo” espaço da luta política -, neste janeiro de 2016, fedem como nunca.
Oito entre dez manchetes escandalosas – reparem no texto a ausência de datas – são meros requentamentos de situações já sabidas ou, pior ainda, as notícias de que uma segunda leva de bandidos, condenados em casos do passado, agora querem aproveitar o “saldão de ano novo” das delações premiadas, dizendo o que não teriam dito há oito ou nove anos, quando chamados a depor ou tentaram negociar com a Justiça e não obtiveram sucesso.
Vejam os dois personagens das manchetes deste domingo: Marcos Valério e Pedro Correa.
Eles e seus advogados sentiram que o Ministério Público, em especial o do Paraná, está “topando qualquer negócio”.
Até porque dispensam-se provas do que disserem, basta que digam e já irá para os jornais, independente da qualidade e da materialidade das informações.
O Dr. Moro e sua turma já colecionam mais de 50 delações premiadas, o que é inimaginável em qualquer processo racional de transação penal. ogo teremos mais “confessados” que acusados.
Não é segredo para ninguém que o processo político brasileiro é financiado por empresas. Se não fosse, não haveria razão para a decisão recente do STF proibindo as doações empresariais, aliás contra a vontade dos conservadores e da mídia.
Mas as doações que, por óbvio, são pedidas tornaram-se um estranho crime: as dadas aos partidos governistas são corrupção; as feitas aos partidos de oposição não são, perigam ser “cívicas”.
Impera um total cinismo nas denúncias e cinismo pior ainda em dizer que se “confia na Justiça”.
O que se assiste é um brutal desmonte das condições de funcionamento do país, com fanáticos que preferem que esta nação se desmonte a continuar sem ter todo o controle político sobre ela.
Não é preciso coisa alguma de concreto para que suas matilhas, que espumam ódio,  acusem e avancem.
E a reação a isso? Triste ver que, quando há, é quase cúmplice, com gente de palavras macias espalhando devaneios com “conselhos” muito amigáveis sobre como Dilma Rousseff,  que , sendo “comportadinha”, pode terminar seu mandato e entregar o governo à direita, mansamente, porque será tratada de forma cavalheiresca.
Há gente que cai nessa ou, pasmem, gente nos círculos “cult” do petismo que acredita, mesmo, que essa é a “solução” possível e que, daqui a seis ou dez anos, cumprido o desgaste da direita no poder, o povo dirá ao PT: “play it again, Sam”.
A capitulação, no tipo de luta política sem regra e se ética que se trava aqui, é a a auto-condenação à morte.
Há uma máquina fascista em marcha no Brasil e é só olhar a história para ver que ela é sempre precedida da milícia enlouquecida que opera com a tolerância dos seus patronos “civilizados” (mas não muito).
E ela não está na política convencional, está na mídia e sua associação “para judicial”, que aponta seu dedo e execra pessoas a granel, inclusive para cortar, como é o caso de Jaques Wagner e Aldo Rabelo, os canais sadios de diálogo da esquerda com as Forças Armadas, às quais procuram atrair para uma aventura golpista.
As camisas negras do Dr. Sérgio Moro podem não ser intencionais, mas são uma sinistra metáfora.

O diabo e a garrafa. Os riscos da ascensão da antipolítica - Mauro Santayana para Rede Brasil Atual

MAURO SANTAYANA

O diabo e a garrafa. Os riscos da ascensão da antipolítica

Se não se convocar a razão e o bom senso para reagir ao que está acontecendo, e se estabelecer um patamar mínimo de normalidade político-institucional, restará o confronto, o arbítrio e o caos
por Mauro Santayana, para a RBA publicado 10/01/2016 17:55
manifestação
A defesa do mandato conferido pelas urnas e da institucionalidade é a proteção da democracia contra o imponderável
Em pleno processo de impeachment, e de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das ações envolvendo a chapa vitoriosa nas últimas eleições, a situação da República tem sido marcada pela espetacularização de um permanente “pega para capar” jurídico-policial, a ascensão da “antipolítica”, o aprofundamento da radicalização e a fascistização do país.
Políticos e empresários têm sido presos – muitos por ilações frágeis ou exagerado rigor cautelar –, enquanto outros homens públicos e bandidos e delatores premiados apanhados com milhões de dólares na Suíça circulam livremente ou estão em prisão domiciliar.
Milhares de brasileiros acreditam piamente que o Brasil é um país quebrado e destruído, quando temos as sextas maiores reservas internacionais do mundo e somos o terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos.
Que um perigoso “bolivarianismo” pretende implementar uma ditadura de esquerda na América Latina, quando, seguindo os ritos democráticos normais, e sob amplo acompanhamento de observadores internacionais, a oposição liberal acaba de ganhar, pelo voto, as eleições na Venezuela e na Argentina.
Que o Brasil é um país comunista quando pagamos juros altíssimos, e somos, historicamente, dominados, na economia e na política, por um dos mais poderosos sistemas financeiros do mundo, pelo agronegócio e o latifúndio, por bancos e empresas multinacionais.
Discutindo na mesa de pôquer da sala de jogos do Titanic, envolvidos por suas disputas, e por uma rápida sucessão de fatos e acontecimentos, que têm cada vez mais dificuldade em digerir e acompanhar, os homens públicos brasileiros ainda não entenderam que a criminalização da política, criada por eles mesmos, como parte de uma encarniçada e deletéria disputa pelo poder, há muito extrapolou o meio político tradicional, espalhando-se, como o diabo que escapa da garrafa, como uma peste pela sociedade brasileira, na forma de uma profunda ojeriza, preconceito e desqualificação do sistema político, e daqueles que disputam e detêm o voto popular.
Se não se convocar a razão e o bom senso, para reagir ao que está acontecendo, e se estabelecer um patamar mínimo de normalidade político-institucional, tudo o que restará será o confronto, o arbítrio e o caos.
Está muito enganado quem acha que o mero impedimento de Dilma Rousseff resolverá a questão.
No final da década de 20, os judeus conservadores comemoravam, da varanda de suas mansões, na Alemanha, o espancamento, nas ruas, de esquerdistas e socialistas, pelos guardas de grupos paramilitares nazistas como as SS e as SA, e se regozijavam, em seu íntimo, por eles os estarem livrando da ameaça bolchevista.
Depois também viram, passivamente – achando que estariam resguardados por suas fortunas –, passar sob suas janelas, as filas de operários e pequenos comerciantes judeus a caminho dos campos de concentração.
Poucas vezes, na história, o efeito bumerangue costuma poupar aqueles que, como aprendizes de feiticeiro, se atrevem a cutucar o que está dentro da caixa de Pandora.
Depois de Dilma e do PT, seria a vez de Temer, e depois de Temer viriam os outros – todos os partidos e lideranças que tenham alguma possibilidade de alcançar o poder, por via normal.
Parafraseando Milton Nascimento, na política brasileira “nada será como antes amanhã”.
O Brasil que se seguirá à batalha sem quartel e sem piedade, levada a cabo pela oposição nos últimos anos e meses tendo como fim a destruição e total aniquilamento do PT – cujas principais vítimas não serão esse partido, mas o Estado de Direito, o presidencialismo de coalizão, a governabilidade e a própria Democracia – não terá a cara do Brasil do PSDB de Serra, de Aécio, ou de FHC, mas, sim, a de Moro e a de Bolsonaro.
A do messianismo, da vaidade, da onipotência e do imponderável, e a do oportunismo e do fascismo – e aqui não nos referimos ao velho fascio italiano – em seu estado mais puro, ensandecido e visceral.

Frase
Poucas vezes, na história, o efeito bumerangue costuma poupar aqueles que, como aprendizes de feiticeiro, se atrevem a cutucar o que está dentro da caixa de Pandora

Legenda foto
Ato em defesa da democracia, na Avenida Paulista, São Paulo (16/12/2015)

sábado, 9 de janeiro de 2016

Vale tudo na delação?Dinheiro para Wagner em 2006 por obra iniciada quase em 2012? - Tijolaço

Vale tudo na delação?Dinheiro para Wagner em 2006 por obra iniciada quase em 2012?

valetudo
Não tenho procuração nem de Jaques Wagner nem de José Sérgio Gabrielli para defendê-los.
Aliás, sequer conheço qualquer um dos dois.
Mas há algo estranhíssimo neste documento de delação de Nestor Cerveró – vazado ilegalmente – apreendido de posse – ilegal – de Delcídio Amaral e, de novo, vazado para o Estadão.
Segundo o texto, Gabrielli teria  decidido transferir para Salvador – uma das importantes sedes da Petrobras, desde sua fundação – uma parte do setor financeiro da empresa. ““Para tanto, foi construído um grande prédio em Salvador, onde atualmente é o setor financeiro da Petrobrás.”, diz o documento. Aí, teria escrito Cerveró, foi construído um prédio e, desta obra, parte dos recursos teria ido irrigar a campanha de Jaques Wagner ao governo baiano em 2006, mas que “não se lembra” por intermédio de que empreiteira teria construído o edifício.
Bem, não sei se Wagner recebeu dinheiro de tal ou qual empreiteira e não tenho como afirmar que tenha sido legal ou ilegal qualquer doação.
Mas, ao que parece, dou capaz de ir procurar informações para saber se isso coincide ou não com os fatos.
Aí encontro na página oficial da Petrobras a cobertura do lançamento da pedra fundamental de seu edifício na capital baiana, é fato. O mesmo em outras publicações baianas.
Só que em 19 de dezembro de 2011. Quer dizer: a obra começou  mais de cinco anos depois da eleição de Wagner ao governo pela primeira vez ao Governo da Bahia e mais de um após sua reeleição.
Por mais que eu tente, não consigo atinar como foram feitos pagamentos – que seriam desviados para a campanha – com mais de cinco anos de antecedência!
Em qualquer lugar do mundo, obra é paga à medida de sua realização e atestada a execução. Pode haver fraude no preço ou na medição (que é como se chama o “confere” que se faz para pagar uma fatura de “X” reais). Nem sequer digo que não haja, porque não conheço propina paga antes de receber-se e com cinco anos de antecedência.
Em sua defesa, Gabrielli mostra – comprovando com reportagem de jornal – que  a  mudança do setor financeiro se deu em 2008, para prédio já ocupado pela empresa, que recebeu reforma a partir de 2007. Cerveró se refere especificamente à construção de “um grande prédio”, o que não é o caso de uma mera reforma em um já existente. E cita como testemunhas duas pessoas que já morreram, convenientemente.
Agora, é de doer que seja aceito como “delação”  para fins de reduzir a pena de um ladrão a história do “não me lembro qual foi a empreiteira, mas todo mundo sabia”.
Ouviu na “Rádio Corredor”?
Passamos ao vale-tudo para atingir a honra das pessoas, faz tempo.
A história não tem densidade para render uma matéria, que dirá para render um processo, como o que há ali.
Muito menos para valer perdão ou redução de penas para quem desviou milhões e menos ainda para atingir outras pessoas na base do “ouvi falar” e  do “todo mundo sabia”.
É preciso que haja um mínimo  de verificação antes de se acusar alguém tão gravemente.

  •  
  •  

POSTS RELACIONADOS...

RECEITA ORTODOXA Liberais são hipócritas quando se dizem assustados com a crise, afirma economista - Rede Brasil Atual

RECEITA ORTODOXA

Liberais são hipócritas quando se dizem assustados com a crise, afirma economista

Professor da Unicamp Eduardo Fagnani afirma que a crise econômica no Brasil resulta do fracasso da estratégia liberal
por Redação RBA publicado 07/01/2016 17:48, última modificação 08/01/2016 18:44
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
MC-Levy-Barbosa-20151221-5.jpg
Ex-ministro Joaquim Levy: receituário liberal, com foco no corte de investimentos públicos, agravou a crise
São Paulo – Em entrevista à repórter Marilu Cabañas daRádio Brasil Atual, o economista Eduardo Fagnani, professor do Instituto de Economia da Unicamp e integrante da Plataforma Política Social, considera hipocrisia sem tamanho a atitude de economistas liberais de se assustarem com a atual crise econômica no país. “O que foi feito nada mais é do que aquilo que eles sempre receitaram; acham amarga uma comida cuja receita eles elaboraram”, afirma.
Fagnani é um dos autores do documento “Por um Brasil Justo e Democrático”, lançado no ano passado e elaborado por economistas, advogados, urbanistas, outros profissionais e intelectuais de diversas universidades. Para o professor da Unicamp, a crise econômica no Brasil é o fracasso da estratégia liberal.
O professor lembra que economistas ligados ao pensamento progressista defenderam o programa econômico da candidata Dilma Rousseff, por ser um contraponto ao projeto elaborado pelos economistas liberais, ligados aos candidatos Aécio Neves e Marina Silva. De cunho claramente recessivo e com o único objetivo de colocar a inflação no centro da meta a qualquer preço, os programas dos candidatos de oposição seguiam a lógica liberal: a renda cai, a demanda diminui e os preços são derrubados, mesmo que isso gere desemprego. Mas com a recessão as receitas do governo despencam, o que agrava o desequilíbrio fiscal.
O economista lembra que a tese liberal voltou em 2015, já que a oposição defendeu a "revisão do pacto social da redemocratização", porque entende que as despesas das políticas sociais asseguradas pela Constituição de 1988 cresceram muito, e isso, para eles, explica o problema fiscal. Desprezam o fato de que as políticas de austeridade afundaram a Europa, que vive uma crise há dez anos que ampliou a desigualdade, a pobreza e o destruiu o mercado de trabalho.
Segundo ele, o dado mais inusitado é que após a vitória eleitoral, essas ideias foram acatadas pelo governo Dilma. “Em 2014, foi lançado um manifesto de diversos economistas, que diziam que era um erro de estratégia, que a recessão seria aprofundada, haveria consequências enormes à sociedade. E nós da Plataforma Política Social começamos algumas revistas eletrônicas, uma com o título A virada neoliberal de Dilma, e infelizmente muitos acertaram as previsões.”
Em 2014, o Brasil não vivia uma crise com a gravidade que a oposição fazia crer, ressalta o economista. Ele acrescenta que a situação não era confortável, era o fim do ciclo de crescimento, em parte sustentado pelo mercado interno e o cenário internacional era desfavorável com os desdobramentos da crise de 2008. O comércio internacional, que crescia 8% ao ano na década passada, passou a 2% ao ano.
“Além disso, foram cometidos erros domésticos, como a política de desonerações e o aumento da taxa de juros a partir do início de 2013, mas nem assim era possível você afirmar que o Brasil vivia uma crise terminal, como passou a ser dito. Qual foi o grande indicador que dizia que o Brasil estava em uma crise fiscal enorme? É que em 2014 tivemos um déficit primário de 0,6%, esse foi o indicador que deflagrou o terrorismo econômico.”
De 2009 a 2013, o Brasil foi um dos únicos países do mundo que conseguiu um superávit primário, mas para o professor da Unicamp, prevaleceu a narrativa da crise terminal, e o governo Dilma não desenvolveu uma estratégia de comunicação para contrapor as críticas.
“O governo abriu a mão da hegemonia do debate, a narrativa liberal foi vitoriosa e contou com a ampla divulgação dos meios de comunicação; e, como sabemos, os meios de comunicação erradicaram a pluralidade das ideias econômicas, isso é gravíssimo. O que nos deixa preocupados é a unanimidade rasteira, sem consistência, ideológica. E o mais grave é que não leva em conta a complexidade e a gravidade externa desde 2008. Atualmente, estamos vivendo o aumento da taxa de juros americana.”
“O pacote mercadológico é de que a economia mundial está bem, e o problema brasileiro, em 2014, era fruto exclusivo do excesso da intervenção do Estado. A crise fiscal é fruto de políticas 'populistas', que visam a enfrentar a desigualdade social. É isso que foi vendido. Era possível fazer um ajuste mais gradual, e que não perdesse a perspectiva do longo prazo: qual o problema de o Brasil ter um déficit primário de 1% durante três anos? Se fosse problema, o Japão já tinha sumido do mapa, pois já possui déficits primários de 8% há dez anos.”
Em 2015, o quadro muda, surge uma grave crise que tem nome e sobrenome, diz Eduardo. “Essa crise é fruto da implantação do receituário ortodoxo liberal, que tem sido defendido por economistas liberais. O ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy é formado em Chicago, representa essa corrente de pensamento, e ele fez o que os economistas diziam que deveria ser feito. O que é mais paradoxal é que hoje quando você lê os jornais, os economistas liberais ficam assustados com a crise econômica, mas esquecem que o que foi feito é o que sempre receitaram. Eles acham amarga uma comida cuja receita é deles. É uma hipocrisia.”
O professor prevê que em 2016 não será fácil alterar a expectativa negativa plantada na econômica brasileira pela oposição. Para ele, fator promissor é que o debate amadureceu, e os movimentos sociais incorporaram a discussão, defenderam mudanças na política econômica, e a pressão social chegou ao governo. A saída de Levy e entrada de Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda é promissora.
“Acho um fato positivo a reativação do Conselho de Desenvolvimento Social, vi com bons olhos os anúncios dos jornais de que o ministro Nelson Barbosa irá apresentar o projeto que ele tem para reativar a econômica e irá discutir isso no conselho. Acredito que abre uma perspectiva para que 2016 seja melhor que 2015, e interrompa o processo de deterioração, para começar um processo de retomada em 2017. É difícil reverter, mas abre uma perspectiva favorável.”
Ouça: