quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Estado de Direito e o estado de direita - Mauro Santayana para Blog do Miro

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Estado de Direito e o estado de direita

Por Mauro Santayana, em seu blog:

É curiosa a situação que vive hoje o Brasil.

Estamos em plena vigência de um Estado de Direito?

Ou de um “estado” de direita, que está nos levando, na prática, a um estado de exceção?

Afinal, no Estado de Direito, você tem o direito de ir e vir, de freqüentar um bar ou um restaurante, ou desembarcar sem ser incomodado em um aeroporto, independente de sua opinião.

No estado de direita, você pode ser reconhecido, insultado e eventualmente agredido, por um bando de imbecis, na saída do estabelecimento ou do avião.

No Estado de Direito, você pode cumprimentar com educação o seu vizinho no elevador, desejando-lhe um Feliz Ano Novo.

No estado de direita, você tem grande chance de ouvir como resposta: “tomara que em 2016 essa vaca saia da Presidência da República, ou alguma coisa aconteça com essa cadela, em nome do Senhor.”

No Estado de Direito, você pode mandar “limpar” o seu computador com antivírus quando quiser.

No estado de direita, você pode ficar preso indefinidamente por isso, até que eventualmente confesse ou invente alguma coisa que atraía o interesse do inquisidor.

No Estado de Direito, você tem direito a ampla defesa, e o trabalho dos advogados não é cerceado.

No estado de direita, quebra-se o sigilo de advogados na relação com seus clientes.

No Estado de Direito, a Lei é feita e alterada por quem foi votado para fazer isto pela população.

No “estado” de direita, instituições do setor público se lançam a promover uma campanha claramente política – já imaginaram a Presidência da República colhendo assinaturas na rua para aumentar os seus próprios poderes? – voltada para a aprovação de um conjunto de leis que diminui – em um país em que 40% dos presos está encarcerado sem julgamento - ainda mais as prerrogativas de defesa dos cidadãos.

No Estado de Direito, você é protegido da prisão pela presunção de inocência.

No estado de direita, inexistem, na prática, os pressupostos da prisão legal e você pode ser detido com base no “disse me disse” de terceiros; em frágeis ilações; do que “poderá” ou “poderia”, teoricamente, fazer, caso continuasse em liberdade; ou subjetivas interpretações de qualquer coisa que diga ao telefone ou escreva em um pedaço de papel - tendo tudo isso amplamente vazado, sem restrição para a “imprensa”, como forma de manipulação da opinião pública e de chantagem e de pressão.

No Estado de Direito, você pode expressar, em público, sua opinião.

No estado de direita, você tem que se preocupar se alguém está ouvindo, para não ter que matar um energúmeno em legítima defesa, ou “sair na mão”.

No Estado de Direito, os advogados se organizam, e são a vanguarda da defesa da Lei e da Constituição.

No estado de direita, eles deixam agir livremente – sem sequer interpelar judicialmente - aqueles que ameaçam a Liberdade, a República e os cidadãos.

No Estado de Direito, membros do Ministério Público e da Magistratura investigam e julgam com recato, equilíbrio, isenção e discrição.

No estado de direita, eles buscam a luz dos holofotes, aceitam prêmios e homenagens de países estrangeiros ou de empresas particulares, e recebem salários que extrapolam o limite legal permitido, percebendo quase cem vezes o que ganha um cidadão comum.

No Estado de Direito, punem-se os corruptos, não empresas que geram riquezas, tecnologia, conhecimento e postos de trabalho para a Nação.

No estado de direita, “matam-se” as empresas, paralisam-se suas obras e projetos, estrangula-se indiretamente seu crédito, se corrói até o limite o seu valor, e milhares de trabalhadores vão para o olho da rua, porque a intenção não parece ser punir o crime, mas sabotar o governo e destruir a Nação.

No Estado de Direito, é possível fazer acordos de leniência, para que companhias possam continuar trabalhando, enquanto se encontram sob investigação.
No estado de direita, isso é considerado “imoral”.

Não se pode ser leniente com empresas que pagam bilhões em impostos e empregam milhares de pessoas, mas, sim, ser mais do que leniente com bandidos contumazes e notórios, com os quais se fecha “acordos” de “delação premiada”, mesmo que eles já tenham descumprido descaradamente compromissos semelhantes feitos no passado com os mesmos personagens que conduzem a atual investigação.

No Estado de Direito, existe liberdade e diversidade de opinião e de informação.

No estado de direita, as manchetes e as capas de revista são sempre as mesmas, os temas são sempre os mesmos, a abordagem é quase sempre a mesma, o lado é sempre o mesmo, os donos são sempre os mesmos, as informações e o discurso são sempre os mesmos, assim como é sempre a mesma a parcialidade e a manipulação.

No Estado de Direito você pode ensinar história na escola do jeito que a história ocorreu.

No estado de direita, você pode ser acusado de comunista e perder o seu emprego pela terceira ou quarta vez.

No Estado de Direito você pode comemorar o fato de seu país ter as oitavas maiores reservas internacionais do planeta, e uma dívida pública que é muito menor que a dos países mais desenvolvidos do mundo.

No estado de direita você tem que dizer que o seu país está quebrado para não ser chamado de bandido ou de ladrão.

No Estado de Direito, você pode se orgulhar de que empresas nacionais conquistem obras em todos os continentes e em alguns dos maiores países do mundo, graças ao seu know-how e capacidade de realização.

No estado de direita, você deve acreditar que é preciso quebrar e destruir todas as grandes empresas de engenharia nacionais, porque as empresas estrangeiras – mesmo quando multadas e processadas por tráfico de influência e pagamento de propinas em outros países – “não praticam corrupção.”

No Estado de Direito você pode defender que os recursos naturais de seu país fiquem em mãos nacionais para financiar e promover o desenvolvimento, a prosperidade e a dignidade da população.

No estado de direita você tem que dizer que tudo tem que ser privatizado e entregue aos gringos se não quiser arrumar confusão.

No Estado de Direito, você pode defender abertamente o desenvolvimento de novos armamentos e de tecnologia para a defesa da Nação.

No estado de direita, você vai ouvir que isso é um desperdício, que o país “não tem inimigos”, que as forças armadas são “bolivarianas”, que o Brasil nunca vai ter condições de enfrentar nenhum país poderoso, que os EUA, se quiserem, invadem e ocupam isso aqui em 5 minutos, que o governo tem que investir é em saúde e educação.

No Estado de Direito, é crime insultar ou ameaçar, ou acusar, sem provas, autoridades do Estado e o Presidente da República.

No estado de direita, quem está no poder aceita, mansamente, cotidianamente, os piores insultos, adjetivos, acusações, insinuações e mentiras, esquecendo-se que tem o dever de defender a Democracia, a liturgia do cargo, aqueles que o escolheram, a Nação que representam e teoricamente, comandam, e a Lei e a Constituição.

No Estado de Direito, você pode interpelar judicialmente quem te ameaça pela internet de morte e de tortura ou faz apologia de massacre e genocídio ou da quebra da ordem institucional e da hierarquia e da desobediência à Constituição.

No estado de direita, muita gente acha que “não vale a pena ficar debatendo com fascistas” enquanto eles acreditam, fanaticamente, que representam a maioria e continuam, dia a dia, disseminando inverdades e hipocrisia e formando opinião.

No Estado de Direito você poderia estar lendo este texto como um jogo de palavras ou uma simples digressão.

No estado de direita, no lugar de estar aqui você deveria estar defendendo o futuro da Liberdade e dos seus filhos, enfrentando, com coragem e informação, pelo menos um canalha por dia no espaço de comentários – onde a Democracia está perdendo a batalha - do IG, do Terra, do MSN, do G1 ou do UOL.

PT: Cobertura enviesada da mídia tira Brasil do contexto econômico mundial - Viomundo

PT: Cobertura enviesada da mídia tira Brasil do contexto econômico mundial

publicado em 07 de janeiro de 2016 às 20:04
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Desde o estouro da crise econômica mundial em 2008, com a falência do banco Lehman Brothers, nos Estados Unidos, a maioria absoluta das grandes economias do planeta enfrenta um ciclo de recessão, baixo crescimento, endividamento e seguidos déficits orçamentários.
O Brasil não é exceção e tem sofrido os efeitos da crise, sobretudo a partir de 2014, mas ainda possui uma das situações fiscais mais equilibradas entre os 20 países mais ricos do mundo [confira a lista abaixo].
Considerando o déficit no orçamento – em relação ao PIB – dos 20 países com maior PIB (Produto Interno Bruto) e mais Argentina, Colômbia e Chile, o Brasil tem o 4º menor déficit entre os 23 países.
Deste grupo, apenas a Alemanha obteve um superávit no orçamento em 2014, bastante modesto, equivalente a 0,7% do PIB.
Contudo, nem mesmo a maior economia europeia ficou de fora dessa tendência e apresentou déficit orçamentário durante quatro anos seguidos: em 2008 o déficit da Alemanha foi de 0,1% do PIB; em 2009, de 3,1%; em 2010 chegou a 4,1% e em 2011 foi de 0,9%.
Ao contrário do que faz sistematicamente a grande mídia brasileira – que enfoca a crise econômica como se fosse um problema exclusivo do Brasil e causado por incompetência do governo federal – na cobertura econômica diária, um olhar amplo e global sobre os indicadores demonstra facilmente que o País não está à beira do precipício, como querem fazer crer os porta-vozes da oposição de direita no Congresso e na imprensa.
“Superávits orçamentários não têm sido regra no mundo desde a crise de 2008, muito ao contrário. A crise inaugurou um ciclo que se perpetua até hoje. Dentro do contexto internacional, entretanto, temos uma situação equilibrada e por isso saudamos a capacidade do governo e da sociedade brasileira de administrar esse período de crise com esse desempenho fiscal, inclusive com previsão de superávit de 0,5% para o orçamento de 2016”, destaca o deputado Afonso Florence (PT-BA).
“Esse desempenho tem permitido a continuidade das obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e das políticas públicas que garantem a inclusão social através da transferência de renda, da valorização do salário-mínimo e de manutenção dos empregos”, acrescenta Florence.
O parlamentar lembra ainda que o rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de avaliação – que estiveram diretamente envolvidas na eclosão da crise em 2008 – se deu mais por questões políticas do que pela situação econômica do País.
“A própria Fitch apontou isso, que o rebaixamento do Brasil se deveu à crise política criada pela oposição golpista e à agenda de ‘pautas-bombas’ no Congresso liderada por Eduardo Cunha. Todos os elementos do cenário político apontam agora para a superação da crise política e temos bons indicadores de reindustrialização, estabilização do câmbio, recuperação da balança comercial, entre outros, que vão nos levar a uma conjuntura econômica mais positiva neste ano”, argumenta Florence.
Confira a lista com os dados sobre déficit orçamentário dos países do G20 (mais Argentina, Chile e Colômbia) em relação ao PIB:
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Santayana: só não vê quem não quer POR FERNANDO BRITO · 05/01/2016 - Tijolaço

Santayana: só não vê quem não quer

salvador
Mauro Santayana, que vem de longe e enxerga longe nos seus 60 anos de jornalismo, dá o recado: é bom o tucanato colocar as barbas de molho, porque o mais de ano de histeria que promoveram, como se viu nas pesquisas, não lhes deu a condição de franco favorito em 2016.  A transferência da política para os tribunais e da sua argumentação para o poder dos procuradores e dos delegados de polícia pode fazer o que não era ainda possível – pelo personagem e pelo ainda restrito processo de politização do STF – com Joaquim Barbosa.
Moro não é dado a chiliques como Barbosa. É silencioso, obstinado e traça planos de longo prazo, como se vê em seu sonho cultivado por mais de uma década e expresso em artigos muito detalhados – de repetir no Brasil a Operação Manu Puliti italiana. Tem o poder incontestável, até agora, e é só querer para que lhe surjam as bases para uma aventura eleitoral.
Mídia não faltará.

A oposição e os “salvadores da pátria”

Mauro Santayana
As divulgação de “acusações” de delatores “premiados” contra os senadores Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues, Fernando Collor e Aécio Neves vêm corroborar o que afirmamos recentemente em O impeachment, a antipolítica e a judicialização do Estado
A criminalização da política, na tentativa e na pressa de retirar o PT do Palácio do Planalto por outros meios que não os eleitorais, iria descambar para a condenação, paulatina, geral e irrestrita, da atividade como um todo.
Esse é um processo que parece estar focado, além de, principalmente, no PT, também nos partidos ou candidatos que possam fazer sombra, no campo adversário ao do governo, ao projeto messiânico de um “novo Brasil” que está sendo engendrado à sombra da ambição e do deslumbramento das forças surgidas da “guerra contra a corrupção” e da “Operação Lava-Jato”.
A entrevista da semana passada, com o procurador Deltan Dalagnoll, na primeira página do Correio Braziliense  e a capa da retrospectiva de Veja, com a cara fechada do Juiz Sérgio Moro, com o título de “Ele salvou o ano” (a segunda, se não nos enganamos) que – será por mera coincidência? – lembra a capa da mesma revista com o rosto de Fernando Collor, com o título de “O caçador de Marajás”, publicada muito antes de ele anunciar-se candidato a presidente da República – são emblemáticas do que pode vir a ocorrer – do ponto de vista midiático – nos próximos três anos.
Só os cegos, os surdos, ou os ingênuos, não estão entendendo para que lado começa a soprar – quase como brisa – o vento – ou melhor, para tocar que tipo de música está começando a se preparar a banda.
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A “doação” de Moro para a PF: “embora não seja apropriado”? - Fernando Brito para Tijolaço

A “doação” de Moro para a PF: “embora não seja apropriado”?

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É inacreditável a promiscuidade que se instalou entre Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal na Operação Lava Jato.
A informação  da Veja, informando que o Juiz Sérgio Moro “doou” – até porque não existe hipótese de, legalmente, o dinheiro ser devolvido – R$ 172 mil  pedidos pela Polícia Federal para consertar carros e pagar contas de luz é algo que precisa ser esclarecido em detalhes.
Porque o dinheiro não é de Sérgio Moro e, para doar dinheiro que não é seu precisa haver previsão legal.
O juiz não pode dispor de valores apreendidos em operações policiais para entregá-los a Polícia em nenhuma hipótese. Tem de mandar depositá-los em conta especial, vinculada ao processo e, ao final deste, revertê-los àquele de quem indevidamente foram tirado: particulares, entes públicos ou empresas.
Tudo o que pode e deve ser feito está no Manual de Bens Apreendidos da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça. Podem, é fato, ser entregues para uso policial bens apreendidos, que sirvam ao desempenho de suas funções, neste caso ficando a polícia como depositária dos bens.
O Globo diz que este dinheiro proviria de um “acordo de delação premiada”feito com o doleiro Hélio Laniado. Na ocasião, 2006,o advogado de Laniado, Roberto Podval negou ter havido acordo.
Mas que tenha havido: os valores recuperados não deveriam ser devolvidos às vítimas ou ao Tesouro, no caso de serem produto de evasão fiscal? Multas eventualmente aplicadas não deveriam ter destino? Mesmo que seja demorado o processo de liberação de valores na Justiça, o que é um fato, não há um destino definido para estes recursos?
Será que é por isso que o Dr. Moro diz, segundo O Globo que “embora não seja muito apropriado a destinação dessas verbas para custeio, as investigações da Lava-Jato, por sua relevância, não podem ser interrompidas por falta de dinheiro para despesas básicas de custeio”.
O que é “não ser muito apropriado”? Qual é a destinação “apropriada” do dinheiro? É legal transferi-lo para a Polícia Federal, ainda mais para despesas de custeio, que não podem ser ressarcidas por devolução, como no caso de um veículo?
Assim como está mal contadíssima a história de que a PF não tenha dinheiro para consertar carros ou pagar contas de luz.
A PF fechou o ano (29/12/2015) com uma folga de R$ 81,1 milhões na dotação para despesas correntes.
Reproduzo abaixo o quadro orçamentário e de execução orçamentária da PF entre 2005 e 2015.
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O crescimento do Orçamento da PF  foi de 43,22%, já descontada  a inflação do período, medida pelo IGP-M da Fundação Getúlio Vargas.
Mesmo que fossem aplicados os cortes tão chorados de R$ 133 milhões isso representaria meros 2% de seu orçamento total. E é menos do que somaram as sobras orçamentárias – claro que com contenções, mas nada que inviabilizasse suas operações -com centenas de homens deslocados por todo o país, prisioneiros no jatinho e etc e tal – de 2015, que somaram R$ 231 milhões.
O Diretor Geral  da Polícia Federal, Leandro Daiello está chamado a dar explicações  sobre o porque de seus subordinados foram – e se foram – passar o chapéu com o Dr. Moro para pagar conta de luz, se não lhes faltaram, só em dezembro passado, mais de R$ 140 mil em despesas com passagens e locomoção, só na Superintendência do Paraná.
Que dureza, hein?

A mais sensata análise sobre a Operação Lava Jato - Carlos Eduardo para O Cafezinho

A mais sensata análise sobre a Operação Lava Jato

SP - OPERA«√O LAVA JATO - GERAL - MovimentaÁ„o na SuperintendÍncia da PolÌcia Federal no bairro da Lapa, Zona Oeste de S„o Paulo, SP, nesta sexta-feira (14). A PolÌcia Federal (PF) deflagra a sÈtima fase da OperaÁ„o Lava Jato, cumprindo mandados de pris„o e busca e apreens„o no Paran·, em S„o Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em Pernambuco e no Distrito Federal. 14/11/2014 - Foto: MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTAD√O CONTE⁄DO

Futuro e legado da Lava-Jato

por Gesner Oliveira e seus sócios na GO Associados, no Valor
O futuro da Lava-Jato é chave para determinar como e em que condições a economia brasileira pode superar a atual crise. Os anos de 2015 e 2016 deverão ser a primeira vez desde 1930 em que o Brasil registrará dois anos consecutivos de recessão. 2015 fechará com a maior taxa de contração do PIB desde 1990.
Ninguém questiona a legitimidade da investigação e a condenação de eventuais culpados. Há, porém, duas questões que não estão bem respondidas. A primeira é como a sociedade pode atenuar o custo que a investigação tem no curto prazo. Qual é o futuro da Lava-Jato?
A segunda, como os resultados da operação histórica poderão ser revertidos em ganhos institucionais duradouros que eliminem a possibilidade de malfeitos serem repetidos. Qual é o legado da Lava-Jato?
Em relação à primeira pergunta, é incorreta a tese de que a investigação não teria gerado custo em termos de emprego e produção. É claro que ela não é o único, nem o mais importante fator explicativo da crise. Mas é certamente relevante.
Mesmo sob hipóteses conservadoras, que levam em conta que uma parcela do investimento da Petrobras e de grandes construtoras nacionais teria diminuído independentemente da Lava-Jato, os efeitos diretos, indiretos e os impactos na renda são expressivos. Quase 2% do PIB, 2 milhões de empregos e mais de R$ 42 bilhões em massa salarial.
Quer dizer que a Lava-Jato deve ser inibida? Ao contrário, deve ser aprimorada para gerar mais resultados com menores custos. E isso é possível.
A redução de seus custos passa por três pontos. Primeiro, pela blindagem da capacidade de financiamento, investimento e de produção e geração de emprego das empresas envolvidas. Milhões de trabalhadores nada têm a ver com os crimes eventualmente cometidos por suas empresas. Afastados os responsáveis pelas irregularidades, a sociedade tem interesse que tais empresas continuem a produzir e gerar empregos.
Vale citar a experiência do maior caso de corrupção corporativa do mundo, envolvendo a Siemens. Autoridades alemãs e americanas promoveram, com o apoio do comitê de auditoria da empresa, ampla investigação dos desvios encontrados em várias jurisdições de diversos países. Ao final impuseram obrigações de melhoria institucional e de governança à empresa, sem puni-la de maneira desmedida e sem interromper as suas atividades.
Segundo, pela não exclusão destas empresas do mercado de obras públicas e do crédito. O país precisa de mais concorrência e, portanto, de um maior número de companhias disputando a oportunidade de fornecer bens e serviços. Excluir empresas de licitações públicas significa maiores custos ao Governo.
Terceiro, pela agilidade na negociação de acordos que estabeleçam multas adequadas à gravidade dos danos causados. Em vez de longos processos, é melhor para todos que haja um final mais rápido dentro dos marcos legais e com os órgãos competentes, como a Controladoria Geral da União (CGU), o Ministério Público Federal (MPF) e o Cade.
O primeiro grande passo foi dado com a Medida Provisória nº 703, publicada em 21.12.2015. A medida altera a Lei Anticorrupção - nº 12.846/2013 - para dispor sobre acordos de leniência com empresas investigadas em casos de corrupção.
Há, porém, setores da sociedade que não apoiam a medida. Em 23/12/2015, o jornalista Elio Gaspari critica a MP no artigo "Dilma aderiu aos Oligarcas". Segundo ele, com a MP, a presidente estaria enfraquecendo punições às empresas envolvidas na Lava-Jato.
Do ponto de vista técnico e de interesse público, condenar o fortalecimento dos acordos de leniência pouco agrega à solução do problema. Diferentemente do que ocorria no século XIX, na Era Vitoriana, o direito penal moderno prevê instrumentos de colaboração entre investigadores e investigados, os quais têm servido em vários países como uma forma efetiva de desmantelar organizações criminosas e concluir processos rapidamente.
Mas como assegurar que no futuro não haverá novas Lava-Jatos? Como garantir um legado em termos de melhor governança ao Brasil?
A MP oferece algumas respostas ao obrigar as empresas que firmarem os acordos de leniência a implantar ou aprimorar programas de compliance. Trata-se de procedimento aderente às práticas internacionais que consideram a existência desses programas como parte das obrigações de uma companhia condenada por corrupção.
Casos internacionais mostram que a criação e a constante melhoria desse tipo de programa devem ser consideradas como atenuantes na aplicação de penas por corrupção.
Cada empresa deve criar seu programa de compliance adequado às suas características e porte, o qual deve refletir os princípios da governança: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa. A aplicação efetiva do compliance diminuiria não só a chance de novas Lava-Jatos, mas também melhoraria o desempenho das instituições.
Não basta trocar o governo. O país precisa de um salto de governança que exige uma mudança cultural na sociedade e os acordos de leniência certamente são um poderoso instrumento para isso.
Por trás da crítica contra as oligarquias empresariais não se pode embutir um ranço ideológico contrário à atividade empresarial. Dela dependem os empregos de milhões de brasileiros. Garantir tais postos passa necessariamente pela saúde financeira das empresas, que só se perpetuarão com uma política sustentável e transparente de relacionamento como governo. Forjar essa política pode ser o principal legado da Lava-Jato.
Gesner Oliveira, ex-presidente do Cade e da Sabesp, é professor de economia (FGV) e sócio da GO Associados
Fernando S. Marcato, professor de direito na FGV-SP e sócio da GO Associados, atuou no caso Siemens, assessorando o departamento de Justiça americano
Pedro Scazufca, mestre em economia pela FEA-USP, é sócio da GO Associados
Andrea Curi, doutora em economia pela FGV-SP, é coordenadora de projetos da GO Associados
Andrea Vasconcelos é advogada da GO Associados

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

2016, o ano da recuperação - Miguel do Rosário para O Cafezinho

2016, o ano da recuperação

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Análise Diária de Conjuntura Política - Manhã
(As análises de conjuntura são disponibilizadas gratuitamente às segundas-feiras. No resto da semana, são exclusivas para os assinantes do Cafezinho. Faça já sua assinatura).
Todos os golpismos deverão ser enterrados neste primeiro semestre.
É uma avaliação otimista, mas com base na realidade.
Boa parte dos processos que vem provocando instabilidade política deverão ser finalizados em março, mas com desdobramentos até junho.
São eles, principalmente, o debate sobre a cassação de Cunha na Câmara, o impeachment de Dilma e a análise de processos contra a eleição presidencial, no TSE.
Os dois primeiros, o destino de Cunha e o debate sobre o impeachment, devem terminar já em março. Fevereiro será prejudicado pelo Carnaval.
O presidente do TSE, Dias Toffoli, acredita que todas as ações do TSE que analisam as denúncias do PSDB contra Dilma devem ser julgadas até o fim do primeiro semestre.
Até mesmo a Lava Jato deve sair das mãos de Sergio Moro até julho. O juiz deve concluir, até esta data, os processos ora abertos contra os empresários e as personalidades sem foro privilegiado. A partir daí, a Lava Jato será ou desdobrada para outras varas judiciais, ou irá para as instâncias superiores, no STJ e STF.
No Valor, um dos procuradores da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima, grita histericamente contra uma medida provisória do governo para salvar algumas das empresas investigadas. A entrevista é estarrecedora, porque o procurador revela, sem pejo, a sua irresponsabilidade suprema, pregando a destruição de grandes empresas nacionais. Suas asserções são inclusive caricaturais, visto que ele defende a "apropriação" da empresa pelo Estado, como se adiantasse alguma coisa, para o Estado, se apropriar de uma empresa destruída pelo próprio Estado. Se a empresa tem dívida social com o Estado, em virtude de seus problemas de corrupção, o mais sensato seria punir os executivos responsáveis, e manter a empresa viva, pagando seus débitos através de impostos.
Boa parte dos problemas econômicos enfrentados pelo Brasil foram derivados do estilo Savonarola dos procuradores da Lava Jato, estilo este que apenas vingou porque recebeu chancela da mídia, interessada em manipular a narrativa do escândalo para fazer valer seus interesses políticos.
Editorial no Globo de hoje, contra a medida provisória que permite que empreiteiras investigadas (são quase todas, ou seja, haveria paralisação brutal nas obras de infra-estrutura caso o Executivo não se mobilizasse) voltem a celebrar contratos com a União, deixa bem claro quais são as forças políticas interessadas no caos e na paralisia econômica.
É um editorial cínico, como todos os editoriais do Globo. Em determinado trecho, mesmo admitindo que a lei que permitiu a roubalheira na Petrobrás foi o decreto 2.745/1998, assinado por Fernando Henrique Cardoso, o texto diz que a "facilidade (...) foi usada pelo lulopetismo no assalto à empresa". É uma asserção mentirosa, visto que os delatores confessaram que a roubalheira começou lá no governo FHC. E não foi uma operação "lulopetista", pois a maioria dos executivos da Petrobrás condenados, e mesmo os políticos, estão ligados a outros partidos, sobretudo PP e PMDB.
Na Folha, a seção dedicada ao assunto Investimentos, Folhainvest, traz uma matéria extremamente golpista, com chamada na capa, falando que o mercado financeiro traça estratégias com ou sem Dilma, e que o cenário "que mais entusiasma os analistas" é com Michel Temer no comando do governo. É golpista porque as fontes da matéria são "analistas" sem nome, e os cenários traçados por estes analistas, chancelados pelo jornal, são absolutamente irreais.
Fazem projeções sobre dólar, bolsa, juros, como se fosse possível, para algum mortal deste mundo, fazer qualquer previsão realista sobre como o mercado financeiro nacional ou mundial se comportará ao longo de todo o ano. Além do mais, o aspecto político das projeções é absolutamente tosco, na medida em que não se menciona os riscos óbvios causados pela derrubada de uma presidenta que ainda conta com apoio da maioria dos movimentos sociais, de importantes partidos políticos, e de importantes setores da sociedade.
No front econômico, consultoras entrevistadas pelo Valor informam que o IPCA de 2016 deverá ser ficar em 6,70%, uma queda importante sobre os 10,6% previstos para este ano. A inflação de serviços, uma das mais cruéis para o cidadão, porque corresponde a gastos dos quais ele não pode fugir, deverá ser uma das menores desde 2009: 7,14%.
Segundo o BNP Paribas, banco francês, a taxa de câmbio deve encerrar 2016 em R$ 4,15, cerca de 10% acima do patamar atual.
A boa notícia é que o câmbio desvalorizado está restituindo competitividade à indústria nacional. A recuperação se dá em duas frentes: setores da economia estão voltando a comprar produtos industriais domésticos, em substituição a produtos importados; e as exportações de manufaturados estão crescendo. A projeção para 2016, contudo, ainda é de queda na indústria, embora bem menor que a registrada em 2015, porque o setor como um todo ainda está se ajustando à nova realidade, mas espera-se uma forte recuperação até 2017.
O diretor de negócios internacionais da Marcopolo, fabricante de caminhões e ônibus, informou ao Valor que a empresa tem fábricas na China e no Brasil. No Brasil, até 2012, os custos de produção eram 30% a 35% maiores que na China. Hoje essa diferença é de apenas 10%. E, em função dos custos de frete, tornou-se mais barato vender ônibus para Egito e África do Sul a partir do Brasil.
Essas notícias mostram que a economia brasileira, por sua complexidade, tem anticorpos suficientes para se recuperar.
Em suma, em 2016 ainda enfrentaremos tensões políticas, sobretudo no primeiro semestre, mas boa parte delas deverão ser resolvidas ainda na primeira metade do ano.
O segundo semestre promete mais estabilidade política e recuperação econômica, e apenas o fato de termos essa perspectiva já está ajudando a distender - aqui e agora - a conjuntura política.

Paulo Pimenta: Globo blinda anunciantes de cerveja e não “vê” relação entre consumo de álcool e mortes no trânsito - Viomundo

Paulo Pimenta: Globo blinda anunciantes de cerveja e não “vê” relação entre consumo de álcool e mortes no trânsito

publicado em 03 de janeiro de 2016 às 11:53
bebida e acidentes de trânsito
O Globo blinda e “brinda” seus anunciantes de cerveja em matéria que não “vê” relação entre consumo de álcool e mortes no trânsito
por Paulo Pimenta
A proximidade com o carnaval e a dependência econômica que a mídia tem da publicidade de cerveja levaram o jornalO Globo a isentar, desde agora, a combinação bebida e direção como uma das causas da violência no trânsito.
Em matéria deste domingo (3), o jornal “analisa” a ocorrência dos acidentes em rodovias federais e aponta suas causas. O Globo “não viu”, em nenhum momento, o consumo de bebidas alcoólicas com um fator preponderante para as vítimas das estradas.
Para dar suposta credibilidade àquilo que O Globo quer esconder, ou não pode dizer  – a relação entre álcool e acidentes com veículos – um especialista em segurança de trânsito surge no texto para sentenciar que o “despreparo dos motoristas”, a “falta de manutenção dos veículos” e a “péssima qualidade das vias” é que são os responsáveis pelas colisões nas estradas. Nenhuma referência sobre álcool e direção, apesar de constar claramente no site da Polícia Rodoviária Federal que, nas operações de fiscalização de final de ano que terminam só depois do carnaval, a “embriaguez ao volante” é uma das “principais atitudes dos condutores que acarretam acidentes graves”.
No ano passado, a Revista Época, do grupo Globo,  revelou que a Ambev ocupava o sexto lugar entre as dez empresas que mais investiram em publicidade no primeiro semestre de 2015 no país.
Não fosse pelas razões óbvias e conhecidas, seria de se estranhar o fato de uma matéria que dedicou uma página inteira sobre acidentes em rodovias não ter ouvido nenhum especialista na área da saúde, por exemplo.
Até porque, se ouvisse, saberia que a Organização Mundial da Saúde aprovou, em texto assinado por 193 países no ano de 2010, a restrição da publicidade de cerveja como uma solução estratégica à diminuição da violência no trânsito. Dados da OMS afirmam que o álcool é o agente causador de 4% das mortes do mundo, vitimando mais do que doenças como AIDS e Tuberculose. O público jovem, especialmente do sexo masculino, representa a maior parte das vítimas.
Em outro estudo, a OMS verificou que países desenvolvidos que acabaram com a propaganda de álcool reduziram o consumo em 16% e tiveram 23% menos mortes no trânsito que os países onde não há restrições à propaganda, como o Brasil.
Aqui, o Conar, espécie de autorregulação da propaganda, é conivente com os recorrentes desrespeitos da publicidade de cerveja ao seu próprio código. Para modificar essa situação, em 2011 apresentei projeto de lei 701/11 que estabelece restrições à publicidade de cerveja, como sugere a OMS. Mas, o  Congresso Nacional não teve ainda a coragem necessária para enfrentar o “lobby” dos três setores que impedem a aprovação de uma legislação sobre esse tema no Brasil: a indústria de cerveja, as agências de publicidade e a mídia.
Há alguns anos,  o professor Braz de Lima, do Programa de Álcool e Drogas da UFRJ, estimou que o álcool está presente em 75% dos acidentes de trânsito que ocorrem no país.
Em 1996, o Congresso Nacional aprovou a restrição de publicidades ao cigarro. Nesses 20 anos, o número de fumantes no Brasil, que entre a década de 80 e 90 era de aproximadamente 30%, hoje apresenta índice de 10,8%, segundo o Ministério da Saúde. Isso fez do Brasil um dos países que mais reduziram o número de fumantes no mundo nos últimos anos.
Como se sabe, o carnaval é o período em que os segmentos de bebidas mais lucram, quando milhões e milhões de litros de cerveja são consumidos, e que também muito investem em publicidade.
O aumento do consumo de álcool nessa época faz com que esse seja o período, apontado pela Polícia Rodoviária Federal, como o mais crítico em termos de acidentes em rodovias federais.
Mas O Globo não “descobriu” nada disso. Nem poderia, já que a matéria foi construída para blindar – ou brindar ? – seu próprios anunciantes de qualquer responsabilidade sobre os acidentes e mortes no trânsito que ocorrerão durante o carnaval.
Paulo Pimenta é jornalista e deputado federal pelo PT-RS