quarta-feira, 2 de setembro de 2015

“A austeridade falhou”: a carta aberta de Piketty a Angela Merkel sobre a crise grega - diário do Centro do Mundo

“A austeridade falhou”: a carta aberta de Piketty a Angela Merkel sobre a crise grega



grecia
Publicado no Unisinos.

A austeridade ‘que nunca acaba’ e que a Europa está forçando ‘goela abaixo’ ao povo grego simplesmente não está funcionando. Agora a Grécia disse ‘não mais’.
Assim como a maioria mundial sabia que iria, as demandas financeiras feitas pela Europa destroçaram a economia grega, levaram ao desemprego em massa, a um colapso do sistema bancário, fez com que a crise da dívida externa ficasse pior, com o problema da dívida subindo para impagáveis 175% do PIB. A economia agora jaz quebrada com as receitas fiscais em queda livre, produção e emprego em baixa e os negócios com fome de capital.
O impacto humanitário foi colossal – 40% das crianças agora vivem na pobreza, a mortalidade infantil sobe aceleradamente e o desemprego dos jovens chega perto de 50%. Corrupção, evasão de impostos e uma terrível contabilidade do governo grego anterior ajudaram a criar o problema da dívida. Os gregos cumpriram com muito do pedido de austeridade da chanceler alemã Angela Merkel – cortaram salários, cortaram os gastos do governo, reduziram as pensões, privatizaram e desregularam e aumentaram os impostos.
Mas nos anos recentes, a série dos chamados ‘programas de ajuste’ inflingiram no que diz respeito a Grécia ter servido apenas para fazer uma Grande Depressão de um jeito que não era visto na Europa desde 1929-1933. O remédio prescrito pelo Ministério ds Finanças alemão e Bruxelas sangrou o paciente, não curou a doença.
Juntos, estimulamos a chanceler Angela Merkel e a Troika a considerarem uma correção de curso, para evitar maiores desastres e permitir que a Grécia continue na Zona do Euro. Agora, a Troica está pedindo ao governo grego que aponte uma arma para sua cabeça e atire. Infelizmente, a bala não ira somente matar o futuro grego na Europa. O dano colateral irá matar a zona do euro como um baluarte de esperança, democracia e prosperidade, e poderia levar a consequências econômicas mais distantes ao redor do mundo.
Nos anos 1950, a Europa foi fundada pelos perdões de dívidas passadas, notadamente as alemãs, as quais geraram uma contribuição massiva a um crescimento econômico e pacífico em um pós-guerra. Hoje, precisamos reestruturar e reduzir a dívida grega, dar à economia um espaço para se recuperar e permitir que a grécia pague uma parte menor da divida em um longo período de tempo. Agora é a hora para um pensamento humano do programa falido e punitivo da austeridade nos últimos anos e concordar com uma redução massiva das dívidas gregas em conjunção com reformas necessárias no país.
À chanceler Merkel nossa mensagem é clara; a alertamos a tomar essa ação vital de liderança para a Grécia e Alemanha, e também para o mundo. A história irá lembrar de você pelas suas ações esta semana. Contamos com você para fornecer os passos corajosos e generosos em direção à Grécia e que irão servir à Europa por muitos anos ainda.
Atenciosamente,
Heiner Flassbeck, ex Secretário de Estado no Ministério Federal das Finanças alemão
Thomas Piketty, Professor de Economia na Escola de Economia de Paris
Jeffrey D. Sachs, Professor de Desenvolvimento Sustentável, Professor de Políticas Públicas e Gestão e Diretor do Instituto Terra na Universidade de Columbia
Dani Rodrik, Professor da Fundação Ford de Economia Política Internacional, Escola Harvard Kennedy
Simon Wren-Lewis, Professor de Política Econômica, Escola de Governo Blavatnik, Universidade de Oxford

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Sobre o Autor

Faltava alguém dizer em público que vai matar Dilma e arrancar sua cabeça. Não falta mais. Por Kiko Nogueira para Diário do Centro do Mundo

Faltava alguém dizer em público que vai matar Dilma e arrancar sua cabeça. Não falta mais. Por Kiko Nogueira



Postado em 31 ago 2015

“Um recado claro à presidanta Dilma Roussef. (…) Renuncie, fuja do Brasil ou se suicide. Dia 7 de setembro a gente não vai pacificamente pras ruas. Juntamente com as forças armadas populares [sic], vamos te tirar do poder. Assuma o seu papel, tenha humildade para sair do país porque, caso contrário, o sangue vai rolar. E vamos fazer um memorial na Praça dos Três Poderes: um poste de cabeça pra baixo. Nós vamos arrancar sua cabeça e fazer um memorial.”
O autor dessas ameaças é Matheus Sathler, que se apresenta como advogado num vídeo gravado no último dia 25.
Sathler foi candidato a deputado federal pelo PSDB. Não se elegeu.
No ano passado, causou barulho por causa de sua proposta de criação do “kit macho” e “kit fêmea” — como ele mesmo explicou, cartilhas para distribuição nas escolas ensinando “homem a gostar de mulher e mulher a gostar de homem”.
Ele se declara líder de um certo Movimento Mais Valores, Menos Impostos. Numa entrevista para o Uol, gabou-se de sua relação “muito boa com o pastor Silas Malafaia, com o deputado pastor Marco Feliciano e com o padre Paulo Ricardo [sacerdote olavista de extrema direita].”
Evangélico, “pregador” da Assembleia de Deus Ministério Missão Vida, acha necessário “proteger as crianças da influência homossexual”.
Mais do que visivelmente limítrofe, Sathler é o que a jornalista alemã Anja Reschke chamou de “pequeno ninguém” da internet. Reschke falava do alcance do ódio dos extremistas: “Até recentemente, esses comentaristas estavam escondidos atrás de pseudônimos, mas agora essas coisas estão sendo feitas sob os nomes verdadeiros dos autores”, disse ela em seu telejornal. “Aparentemente, não é mais embaraçoso.”
Cometeu um crime. Mas, como em tantos outros casos — para citar apenas dois deles, o do psicótico que invadiu a comitiva presidencial nos EUA e o do agente da PF que praticava tiro ao alvo com uma foto de Dilma —, este também vai ficar impune.
O Brasil é o país onde a noção de tolerância se transformou num laissez faire em que se incita o assassinato numa boa, enquanto a polícia militar faz escolta para um boneco inflável e o ministro da Justiça dá tapinhas nas costas de um miliciano.
Os pequenos ninguéns estão vencendo.

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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Abílio Diniz está certo ao dizer que a crise atual está longe de ser uma das piores. Por Paulo Nogueira para Diário do Centro do Mundo

Abílio Diniz está certo ao dizer que a crise atual está longe de ser uma das piores. Por Paulo Nogueira



Postado em 01 set 2015
Disse tudo
Disse tudo
O empresário Abílio Diniz disse o óbvio.
Esta está longe de ser a crise econômica que a imprensa e a oposição dizem que é.
É muito, mas muito menor. A rigor, é um ciclo normal de retração depois de anos de expansão.
Fundamentalmente, é uma crise política, para a qual ambos, imprensa e oposição, contribuem sinistramente.
A crise política nasce da criminosa tentativa de cassar os 54 milhões de votos de Dilma sob os mais ridículos pretextos.
Inventam a cada dia novos argumentos, patéticos sempre, para atacar a democracia, as urnas, os votos que os brasileiros deram há tão pouco tempo.
O mundo vive uma crise econômica que, finalmente, chegou ao Brasil. É este o ponto. Nem a China, que vinha crescendo a 14% ao ano, conseguiu escapar.
Diniz falou em crises piores. Ora, nem há 30 anos o Brasil enfrentava uma inflação de 80% ao mês, sob o comando econômico de um dos arautos do caos, Mailson da Nóbrega.
Por haver falado uma verdade inconveniente para a versão que mídia e oposição tentam propagar aos ingênuos, Abílio Diniz foi virtualmente ignorado.
Diniz falou num evento de empresários e executivos organizado pela revista Exame.
Ele começou sua fala lembrando que, na China, a palavra crise significa desafio e oportunidade.
No Brasil destes tempos, a oportunidade de que falam os chineses é para sabotar a democracia, ludibriar as pessoas e desinformar.
Um papel notável tem sido desempenhado, nisto, por Aécio, que virou um Napoleão de Hospício, ou Presidente de Manicômio.
Dias atrás, no Facebook, o jornalista e escritor Fernando de Morais escreveu linhas definitivas sobre Aécio.
Ele lembrou que em Portugal, no ocaso do ditador Salazar, este teve um problema de saúde que o impossibilitou de seguir adiante no comando do país.
Para aquietar Salazar, os portugueses montaram um gabinete de araque, no qual ele despachava como se estivesse trabalhando normalmente.
Podiam fazer o mesmo com Aécio, sugeriu Morais. Montar uma sala da presidência, entregar-lhe uma faixa e tratá-lo, obsequiosamente, como Presidente ou Imperador, caso ele prefira.
Porque seu comportamento lunático já pertence ao terreno não da política, mas da patologia psiquiátrica.
Os colunistas que tanto contribuem para a louca cavalgada de Aécio poderiam também produzir textos em que ele apareça na presidência, num Brasil maravilhoso.
Uma boa parte da crise política de que falou Abílio Diniz estaria resolvida com o realismo fantástico proposto por Fernando Morais.
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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

Por que o Brasil vai superar a crise - Miguel do Rosário para O Cafezinho

Por que o Brasil vai superar a crise

CEDAE
A notinha publicada no Portal Brasil traz dados do Boletim Focus, que por sua vez recolhe previsões do próprio mercado, ou seja, de agentes da iniciativa privada.
Segundo o Focus, a balança comercial de 2015 deverá ficar positiva em US$ 8 bilhões. Em 2014, havíamos fechado com déficit de US$ 4 bilhões (o primeiro em muitos anos).
Ainda segundo a iniciativa privada, os investimentos estrangeiros diretos (que são destinados à produção, não à especulação financeira) devem fechar 2015 em US$ 65 bilhões, um dos níveis mais altos de todo o planeta. Em 2014, eles também foram altos, em US$ 62,5 bilhões.
Os números falam por si, e respondem porque o Brasil vai superar a crise.
***
Balança comercial terá saldo positivo de US$ 8 bi em 2015
Previsão é que dólar fique em R$ 3,50 ao final deste ano; investimentos estrangeiros diretos atingirão US$ 65 bilhões
por Portal Brasil, em 31/08/2015 - 17h04
O Banco Central (BC) informou nesta segunda-feira (31) que, de acordo com analistas do mercado financeiro, a balança comercial brasileira (exportações menos importações) terá saldo positivo de US$ 8 bilhões, em 2015.
Os dados constam do boletim Focus do BC, que registra semanalmente pesquisa em instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos. Sobre o dólar, a previsão é que o valor da moeda americana estará em aproximadamente R$ 3,50 ao final deste ano
Ainda de acordo com os analistas, os investimentos estrangeiros diretos atingirão US$ 65 bilhões neste ano. No ano passado, esses mesmos investimentos diretos atingiram US$ 62,5 bilhões, segundo o BC.
Fonte: Agência Brasil.